Por Lucas Berlanza, jornalista.
O texto vago do Projeto de Lei que criminaliza a misoginia foi aprovado no Senado sem oposição. Foram 67 votos a favor, incluindo senadores do PL e do NOVO, da direita brasileira, que acharam que precisavam fazer imagem de bons moços, cedendo a chantagens emocionais. ‘Ah, você não pode ser a favor de misoginia’; ‘ah, se for contra esse projeto, você quer matar mulheres’, ‘ah, é só não ser misógino’ – é o tipo de desculpa imbecil que os defensores de novas legislações para limitação do discurso, da liberdade de expressão, sempre suscitam. Seus chiliques procuram impor falsos remédios como se a nobreza da causa automaticamente os justificasse.
No país de Erika Hilton, em que basicamente alguém é processado e demandado a pagar R$10 milhões de multa por ‘opinar’ que mulheres têm útero; no país em que reportagem da Globo ilustra a lei dizendo que a pergunta irônica ‘tá de TPM?’ (por descortês e vulgar que possa ser) justificaria enquadramento do homem em algo que prevê reclusões de um a dois anos; é óbvio que esse tipo de artifício não protege ninguém da violência, só favorece a intimidação de desafetos e até adversários políticos ou ideológicos. Qualquer coisa pode ser considerada ‘aversão’, ‘discriminação’ ou ‘ódio’.
Tratamos com militantes para quem nascer branco ou ‘cis’ ou qualquer outra coisa semelhante já é automaticamente um atestado de ‘privilégio estrutural’ ou coisa que o valha.
Não há, sobretudo na ausência do Estado de Direito, como confiar na estrutura estatal para ficar policiando as nossas palavras. Endurecer as penas contra os crimes de verdade, com a intenção real de proteger vidas, essas pessoas não admitem. Mais seguro, talvez, para esquivar-se de riscos, seja, doravante, declarar-se ‘mulher’ – embora saibamos que, a rigor, a mulher de direita também não merece nenhuma consideração dessa turma. Extremamente vergonhosos os votos dos senadores do Partido Liberal e do Partido Novo, que, espero, não se reproduzam na Câmara.
LUCAS BERLANZA
Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), colunista e presidente do Instituto Liberal, conselheiro de diversas organizações liberais brasileiras, membro refundador da Sociedade Tocqueville, sócio honorário do Instituto Libercracia, fundador e ex-editor do site Boletim da Liberdade e autor, co-autor e/ou organizador de 11 livros.














Imagem de cassino com fichas e cartas de jogo. Foto: Thanks for your Like • donations welcome/Pixabay
Compras por delivery exigem atenção dos consumidores para evitar golpes digitais. Foto: Norma Mortenson/Pexels






















































































