As tensões entre Estados Unidos e Irã aumentaram a cautela dos investidores nesta sexta-feira. Além disso, o tarifaço americano sobre produtos brasileiros ampliou as incertezas no cenário econômico. A combinação de conflitos geopolíticos, alta do petróleo e medidas comerciais pressiona os mercados globais e traz preocupações sobre inflação, juros e crescimento econômico.
Nesse cenário, a diversificação das exportações brasileiras ganhou destaque. A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) anunciou um plano de R$ 130 milhões para ampliar mercados e reduzir a dependência de alguns parceiros comerciais. Saiba mais na matéria Apex prevê plano de R$ 130 milhões para diversificar exportações, publicada pela Agência Brasil.
Além disso, a alta internacional do petróleo pode afetar diretamente os preços dos combustíveis. Na Tribuna do Recôncavo, confira como a valorização da commodity pode chegar ao consumidor na reportagem Alta do petróleo pode refletir nos preços dos combustíveis.
Para Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, os mercados chegam ao fim da semana pressionados por duas forças que raramente aparecem juntas: guerra e protecionismo.
Petróleo e guerra aumentam pressão nos mercados
No exterior, a sexta noite consecutiva de ataques dos Estados Unidos ao Irã reacendeu o temor de interrupções no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo transportado no mundo.
Com isso, o petróleo Brent voltou à região de US$ 85 por barril, enquanto o WTI se aproximou de US$ 79. O movimento incorporou um prêmio geopolítico que deixou de ser apenas uma questão militar e passou a influenciar inflação, juros e margens das empresas.
Na Ásia, o dia terminou em forte baixa. O índice Nikkei caiu 4,03%, o índice de Xangai recuou 3,05% e o Hang Seng perdeu 1,78%. A queda ocorreu em meio à liquidação de ações ligadas à inteligência artificial.
Enquanto isso, os futuros americanos também apontaram perdas. O Nasdaq indicava queda próxima de 2%, enquanto o S&P 500 recuava cerca de 1%.
Nos Estados Unidos, investidores acompanham dados de construção de moradias, produção industrial e sentimento do consumidor. Além disso, os juros dos títulos públicos continuam elevados. Segundo Olívia Flôres de Brás, o Federal Reserve mantém o compromisso de controlar a inflação e pode adotar novas medidas caso seja necessário.
Inflação e energia preocupam a Europa
Na Europa, a inflação da zona do euro desacelerou de 3,2% para 2,8% em junho, enquanto o núcleo caiu para 2,4%. O resultado trouxe algum alívio ao mercado.
No entanto, a especialista alerta que uma eventual escalada do conflito no Oriente Médio e uma nova alta do petróleo podem reacender as pressões inflacionárias.
Tarifaço americano aumenta preocupação no Brasil
No Brasil, por outro lado, o tarifaço americano continua dominando o cenário econômico. Segundo o governo, a nova tarifa de 25% poderá atingir aproximadamente 18% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos.
Estimativas divulgadas no mercado apontam impacto potencial sobre até US$ 11 bilhões em vendas. Diante desse quadro, o governo avalia medidas de apoio aos setores afetados.
A possibilidade de aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica também amplia as incertezas. O governo sinaliza possíveis contramedidas comerciais contra os Estados Unidos.
Para Olívia Flôres de Brás, o risco é que uma disputa comercial aumente custos para empresas, reduza o comércio internacional e pressione ainda mais a inflação brasileira.
Mercados brasileiros refletem cenário de incerteza
Os ativos brasileiros já refletem esse ambiente de cautela. O Ibovespa caiu 1,24%, o dólar avançou para R$ 5,0990 e a curva de juros encerrou em alta.
Apesar disso, o fluxo estrangeiro segue positivo. Apenas em 15 de julho, investidores externos ingressaram com R$ 703,4 milhões na B3. No mês, a entrada soma R$ 2,293 bilhões e, no acumulado de 2026, alcança R$ 36,141 bilhões.
Indicadores econômicos mostram sinais mistos
No campo da atividade econômica, os dados mostram sinais mistos. O IGP-10 caiu 1,13% em julho, acumulando alta de 2% no ano e de 2,68% em 12 meses.
O IPC-Fipe avançou apenas 0,01%, enquanto o varejo ampliado recuou 0,2% em maio. Além disso, a XP reduziu sua projeção para o crescimento do PIB no segundo trimestre, enquanto o mercado aguarda novos indicadores econômicos.
Empresas acompanham impactos econômicos
No ambiente corporativo, a Moody’s rebaixou a classificação de risco da Cosan, citando cobertura de juros fraca e dependência da monetização de ativos.
Por outro lado, a Telefônica aprovou R$ 500 milhões em juros sobre capital próprio. A Eneva aumentou em 35% sua geração bruta no segundo trimestre, enquanto a Vamos registrou receita líquida de R$ 1,554 bilhão, crescimento de 10,1%.
Texto adaptado pela Tribuna do Recôncavo com informações da Assessoria de Imprensa da Magno Investimentos.


























Imagem de Charles Echer por Pixabay















































































