Por Bárbara Melo – médica.
A infertilidade atinge cerca de 17,5% da população adulta global em idade reprodutiva, de acordo com relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS). Caracterizada pela ausência de gravidez em um casal com vida sexual ativa e que não usa medidas anticonceptivas, por um período de um ou mais anos, a condição atinge uma parcela razoável da população, mas, apesar disso, muitos só buscam ajuda especializada no momento em que decide ter filhos.
‘Esse cenário tem progressivamente mudado, com o aumento da conscientização sobre a necessidade de planejamento reprodutivo e da procura em todo Brasil pelas técnicas de preservação de fertilidade, como o congelamento de óvulos, para mulheres que desejam adiar a maternidade’, revela a médica Bárbara Melo, especialista em medicina reprodutiva da equipe da Huntington Cenafert, clínica que integra um dos principais grupos de Reprodução Assistida do Brasil. ‘No entanto, casais que aparecem no consultório no momento em que decidem ter filhos, em idade mais avançada, e sem nunca terem feito uma avaliação da sua condição reprodutiva antes, ainda são uma realidade diária nos consultórios’, acrescenta.
Responsabilidade compartilhada
A responsabilidade pela gravidez é compartilhada de forma equilibrada entre os dois sexos. Cerca de 35% dos casos de infertilidade podem ser atribuídos à mulher, 35 % aos homens, em 20% dos casos o problema está presente em ambos os parceiros e 10% são de causas desconhecidas, de acordo com estimativa da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA). ‘Se os parceiros já atingiram um ano de tentativa e a mulher já tem mais de 30 anos, a investigação com especialista deve ser logo iniciada’, destaca Bárbara Melo. (mais…)