ARTIGO: Acesso ao celular do parceiro sem consentimento passa a ser crime e pode resultar em até 4 anos de prisão

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Por Dra. Karina Gutierrez – advogada.

A prática de acessar o celular do parceiro ou parceira sem autorização passou a ser objeto de atenção legal no Brasil. A conduta é enquadrada como invasão de dispositivo informático, crime previsto no artigo 154-A do Código Penal, com pena de reclusão de 1 a 4 anos e multa.

A legislação destaca que mesmo em relações de confiança, como casamento ou união estável, o consentimento do titular do aparelho é obrigatório para qualquer acesso ou consulta.

Dados de pesquisas realizadas pela empresa de segurança digital Avast, afirmam que o comportamento de ‘bisbilhotar’ o celular do companheiro é relativamente comum. Segundo levantamento divulgado, mais de 40% das pessoas admitem já ter acessado o celular do parceiro sem permissão. (mais…)

Infertilidade: quando buscar ajuda especializada para ter filhos?

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Por Bárbara Melo – médica.

A infertilidade atinge cerca de 17,5% da população adulta global em idade reprodutiva, de acordo com relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS). Caracterizada pela ausência de gravidez em um casal com vida sexual ativa e que não usa medidas anticonceptivas, por um período de um ou mais anos, a condição atinge uma parcela razoável da população, mas, apesar disso, muitos só buscam ajuda especializada no momento em que decide ter filhos.

‘Esse cenário tem progressivamente mudado, com o aumento da conscientização sobre a necessidade de planejamento reprodutivo e da procura em todo Brasil pelas técnicas de preservação de fertilidade, como o congelamento de óvulos, para mulheres que desejam adiar a maternidade’, revela a médica Bárbara Melo, especialista em medicina reprodutiva da equipe da Huntington Cenafert, clínica que integra um dos principais grupos de Reprodução Assistida do Brasil. ‘No entanto, casais que aparecem no consultório no momento em que decidem ter filhos, em idade mais avançada, e sem nunca terem feito uma avaliação da sua condição reprodutiva antes, ainda são uma realidade diária nos consultórios’, acrescenta.

Responsabilidade compartilhada

A responsabilidade pela gravidez é compartilhada de forma equilibrada entre os dois sexos. Cerca de 35% dos casos de infertilidade podem ser atribuídos à mulher, 35 % aos homens, em 20% dos casos o problema está presente em ambos os parceiros e 10% são de causas desconhecidas, de acordo com estimativa da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA). ‘Se os parceiros já atingiram um ano de tentativa e a mulher já tem mais de 30 anos, a investigação com especialista deve ser logo iniciada’, destaca Bárbara Melo. (mais…)

ARTIGO: ‘Se o racismo é sistêmico, o cuidado também deve ser’, afirma especialista sobre morte de psicólogo após experiência em camarote de Salvador

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Por Tainara Ferreira – consultora em letramento racial e de gênero. 

A morte do psicólogo e mestrando Manoel Rocha Reis Neto, ocorrida na última terça-feira (17) no Recôncavo baiano, reacendeu um debate urgente sobre os efeitos do racismo e a necessidade de estruturas sociais e institucionais capazes de reconhecer, acolher e responder a isso de forma qualificada.

Manoel, que tinha 32 anos, havia relatado em suas redes sociais ter sofrido racismo em um camarote durante o Carnaval de Salvador, episódio que foi amplamente repercutido após seu falecimento, que é tratado como suspeita de suicídio pela Polícia Civil.

Para a consultora em letramento racial e de gênero, Tainara Ferreira, o caso evidencia que o racismo não é um evento isolado, mas uma experiência vívida e contínua, se acumulando e impactando profundamente o bem-estar emocional, mesmo em indivíduos com alta formação técnica e experiência clínica – como era o caso de Manoel, profissional comprometido com a saúde mental e o engajamento antirracista. (mais…)

ARTIGO: CARNAVAL ACENDE ALERTA PARA A SAÚDE DOS OLHOS

Imagem de Cindy Parks por Pixabay

O período do Carnaval, marcado por calor intenso, longas horas de exposição ao sol, maquiagem pesada e uso de adereços, também tem sido sinônimo de aumento nos atendimentos oftalmológicos. Um levantamento da Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro aponta crescimento entre 30% e 40% nos casos de conjuntivite tóxica ou alérgica atendidos em pronto-socorros durante a folia.

Segundo especialistas, boa parte desses quadros está relacionada ao uso inadequado de produtos nos olhos, como maquiagem não testada dermatologicamente e lentes de contato cosméticas adquiridas sem orientação médica. Dados da Revista Brasileira de Oftalmologia indicam que o uso de lentes inadequadas está entre as principais causas de úlcera infecciosa de córnea, uma condição grave que pode levar à perda visual se não tratada corretamente.

De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), lentes de contato coloridas, mesmo sem grau, são classificadas como produtos para saúde de risco máximo (classe IV) e exigem prescrição médica. Ainda assim, o uso irregular e a circulação de produtos piratas aumentam significativamente durante o Carnaval, impulsionados pelo apelo estético das fantasias. (mais…)

Artigo: Fim do 6×1 pode reduzir conflitos sobre horas extras, tema mais recorrente do TST em 2025,

Foto: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil

As horas extras foram o tema mais recorrente no Tribunal Superior do Trabalho (TST) em 2025, totalizando 65.038 processos, segundo dados do próprio tribunal. Esse volume expressivo revela o peso das disputas ligadas à jornada no país e coloca a proposta de fim do regime 6×1, atualmente discutida pelo governo e pelo Congresso, como uma possível virada de chave para reduzir conflitos trabalhistas e melhorar o equilíbrio entre vida pessoal e trabalho. Para Lucas Pena, CEO da Pact, empresa especializada em acordos e negociações trabalhistas, a reorganização das jornadas pode ajudar a diminuir significativamente o número de litígios relacionados a horas extras, ao mesmo tempo em que fortalece práticas mais sustentáveis do ponto de vista humano e produtivo.

A possibilidade de um modelo de transição diferenciado por porte e setor econômico, atualmente debatida por parlamentares e pela equipe do governo, deve influenciar diretamente o ambiente de negociações. Segundo a Pact, empresas já devem começar a buscar alternativas para mitigar riscos e preparar ajustes operacionais diante da perspectiva de mudança. A discussão ganhou tração no Congresso em 2025, quando a CCJ do Senado aprovou proposta que extingue a escala 6×1 e prevê redução da jornada semanal de 44 horas para 36 horas, com dois dias de descanso consecutivos no novo desenho.
‘Jornadas mais equilibradas tendem a reduzir conflitos e aumentar a produtividade. Quando o funcionário tem condições mais claras de descanso, o ambiente de trabalho melhora e a empresa também colhe resultados, até em redução de passivos. Toda mudança legislativa que mexe na estrutura de jornada tende na prática a aumentar o volume e a complexidade das negociações trabalhistas, o que pode levar a litigiosidade. O fim do 6×1 não será diferente. As empresas precisarão de contratos de trabalho bem construídos para atravessar o período de transição com segurança jurídica e previsibilidade’, afirma Pena. (mais…)

ARTIGO SOBRE PAI QUE MATOU FILHOS – Não foi amor. Foi controle.

Imagem de slightly_different por Pixabay

Por Danda Coelho – bacharel em Direito.

Um homem, alegando traição, matou os dois próprios filhos e depois tirou a própria vida. Deixou uma carta. Pediu perdão. Tentou explicar. Tentou justificar o injustificável.

Eu li sobre o caso. Li trechos da carta. Li comentários que se espalharam nas redes como se fossem sentenças. E, como mulher, como mãe de dois filhos e como fundadora do Movimento Mulheres Cuidando de Mulheres, eu não consigo, e não vou, ficar em silêncio.

Não foi uma fatalidade.
Não foi uma tragédia inexplicável.
Não foi excesso de amor.

Foi um crime brutal. Foi uma decisão. Foi um ato de violência com intenção. (mais…)