Por Samuel Hanan, engenheiro.
Com frequência, os governos atribuem à falta de recursos a maior dificuldade para o enfrentamento dos principais problemas do país. Trata-se, entretanto, de um sofisma. O Brasil não enfrenta questões econômicas e financeiras tão graves a ponto de frear o desenvolvimento e garantir aos cidadãos de todo o país uma vida mais digna. A economia não é o problema.
Ao contrário do que se acostumou propagar, o atual estágio do Brasil não é culpa da falta de recursos financeiros ou da economia, mas de uma série de fatores que, reunidos, formam a tempestade perfeita. O que de fato afeta o país são problemas éticos, políticos e de gestão, todos eles com reflexos negativos na saúde econômico-financeira nacional.
Mentiras, falsas narrativas, corrupção e impunidade são faces bem visíveis da degradação ética da classe política, contaminando a sociedade com a falsa sensação de que o crime compensa ou que o mais importante é se dar bem a qualquer custo. É a Lei de Gérson ainda vigorando. Os problemas políticos parecem não ter fim, alimentados pela instituição da reeleição para cargos do Executivo, em 1997 – que faz o governante se preocupar em buscar um novo mandato já no primeiro dia de sua gestão –; pela transformação dos governos de coalizão em governos de cooptação, com a prática rotineira do toma-lá-dá-cá; e pela concessão sem fim de privilégios.
A consequência de tudo isso são os seríssimos problemas de gestão, com dificuldades de governança que trouxeram resultados desastrosos ao Brasil, como gigantismo e ineficiência da máquina pública, exorbitância dos gastos tributários e déficit público incontrolável. É o que mostram os números oficiais.
Para sustentar a máquina pública, por exemplo, o governo geral (União, estados e municípios) gasta 12,5% do Produto Interno Bruto (PIB). É um índice muito acima da média (9,8% do PIB) investida pelos 38 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O desperdício anual brasileiro, portanto, corresponde a 2,7% do PIB, equivalente a cerca de R$ 315 bilhões por ano em valores de hoje.
Além disso, o Brasil deixa de arrecadar o correspondente a 5% do PIB com a concessão de renúncias fiscais, hoje denominadas gastos tributários. Destaca-se que os governos dos presidentes filiados ao PT foram responsáveis por conceder mais de três quartos do total dessas renúncias. Nesse caso, desperdiça-se o equivalente a 3% do PIB (cerca de R$ 350 bilhões por ano em valores de hoje), simplesmente porque deixa de cumprir a Emenda Constitucional nº 109, de 2021, a qual determina que, em até oito anos, esses benefícios não poderão ultrapassar 2% do PIB.
Outro problema crônico nacional é a corrupção, responsável por consumir de 2,5% a 3,0% do PIB, segundo estimativas de organismos brasileiros e internacionais. Acabar com 100% da corrupção é utopia, especialmente no Brasil. Então, admitindo-se – embora não seja ideal e apenas para efeito de redução do dano – que, por meio de medidas efetivas de combate, com severa punição e afastamento da vida pública dos responsáveis por crimes praticados contra a administração pública, além da devolução integral dos valores desviados dos cofres públicos, seja possível reduzir esse percentual de 3% para cerca de 1% do PIB, significaria que disporíamos de cerca de 2% do PIB por ano (aproximadamente R$ 234 bilhões em valores atuais) para investimentos.
Se atacasse essas três frentes, o Brasil economizaria cerca de R$ 900 bilhões por ano, algo semelhante a 7,7% do PIB. Um montante significativo, especialmente para uma nação com tantas carências. Reforço garantido para o Tesouro, sem necessidade de criação de novos impostos e sem fomentar a divisão do país entre pobres, ricos e super-ricos.
*Samuel Hanan é engenheiro com especialização nas áreas de macroeconomia












Imagem de Amber Clay por Pixabay



















Imagem Ilustrativa de Manfred Richter por Pixabay







Image by StartupStockPhotos from Pixabay











Imagem de Gerd Altmann por Pixabay

Imagem de Witch Fiction por Pixabay


























Foto: Léa Cunha





Imagem de Antonio Corigliano do Pixabay








Imagem de Lourdes ÑiqueGrentz por Pixabay
Imagem por therapractice de Pixabay
