A busca por manutenção de baixo custo leva muitos motociclistas a recorrer a tutoriais online para que possam realizar, de maneira autônoma, falhas no sistema de ignição e dificuldade na partida da moto. Embora vídeos e fóruns prometam soluções rápidas para problemas relacionados à dificuldade na partida ou alto consumo de combustível, a ausência de ferramentas adequadas para a identificação do problema pode transformar uma pequena economia em um prejuízo grande. Isso porque a associação entre atuação autônoma e a falta de conhecimento técnico são elementos que, quando combinados, podem provocar danos a componentes caros, como o próprio motor da motocicleta, e comprometer a segurança do condutor, alerta a Niterra, multinacional japonesa detentora das marcas NGK e NTK.
Veja os três erros mais comuns (e perigosos) encontrados como recomendação de boas práticas na internet.
1 – O perigo da centelha exposta: Um dos testes mais comuns consiste em retirar a vela de ignição, encostá-la no cabeçote e acionar a partida para observar a faísca. A prática, de acordo com Hiromori Mori, consultor de Assistência Técnica da Niterra, é altamente desaconselhável. ‘A cor da centelha é um indicador preciso, ela indica a energia da centelha, porém é preciso conhecer qual a coloração normal para o sistema de ignição da motocicleta em questão. Outro problema é que falhas no centelhamento provocadas por falta de aterramento, podem gerar danos ao CDI e bobina de ignição e o combustível não queimado irá contaminar o óleo lubrificante do motor e pode comprometer o catalisador da motocicleta’, explica.
2- Limpeza com escova de aço: Remover a carbonização com escovas de aço não prolonga a vida útil da vela. O atrito do metal da escova deixa resíduos microscópicos no isolador cerâmico da vela, o que reduz a capacidade de isolação da parte cerâmica da vela. Além de aumentar o desgaste dos eletrodos da vela pelo atrito dos eletrodos com o metal da escova. Outro problema que provocamos é a remoção do banho de proteção que é aplicado ao castelo metálico da vela (parte metálica onde temos a rosca), a falta de proteção permite a oxidação do metal podendo provocar danos a rosca do cabeçote (parte superior) do motor. A recomendação da Niterra é abolir o hábito da limpeza abrasiva, preferindo a substituição preventiva da peça. A grande maioria das motocicletas vendidas no Brasil são monocilíndricas (possui somente um pistão) desta forma a substituição de uma vela de ignição, possui um custo muito baixo.
3- A precisão do multímetro e do calibrador: A inspeção visual, permite avaliar as condições de queima (mistura ar/combustível), presença de resíduos de uso de combustível de má qualidade e presença de contaminação por óleo lubrificante (motor com desgaste), o uso de ferramentas de medição como calibradores de folga, multímetro e megômetro permitem uma avaliação do desgaste da vela de ignição, da resistência interna da vela e da isolação elétrica. Velas desgastadas dificultam o centelhamento provocando falhas, dificuldade na partida e comprometem a vida útil da bobina e do sistema de ignição.
A Niterra reforça que medir a resistência ôhmica da vela e do terminal supressivo (cachimbo) com um multímetro garante o correto funcionamento do motor, verifique visualmente também o estado das borrachas seladoras dos terminais, no caso de ressecamento ou trica, substitua o terminal evitando falhas em dias chuvosos.
A vela como o termômetro da sua moto
Para o motociclista, a vela de ignição funciona como um relatório de saúde do motor. Dificuldade na partida a frio, oscilações na marcha lenta ou falhas em acelerações rápidas são alertas vermelhos.
“A vela de moto é o termômetro do motor. Analisar o estado da ponta ignífera após o uso revela não apenas o desgaste da peça, mas a qualidade do combustível utilizado e a saúde da mistura ar-combustível”, afirma Hiromori da Niterra.
A manutenção preventiva, realizada por um mecânico de confiança, evita paradas inesperadas no trânsito, garantindo a eficiência e reduzindo o consumo de combustível. O custo de combustível é muito representativo para quem utiliza a motocicleta profissionalmente.
Anna Carla Mattos/ Niterra


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