Dois tradicionais terreiros de Candomblé passaram a integrar oficialmente o patrimônio cultural da Bahia. O governador Jerônimo Rodrigues sancionou o tombamento do Ilê Asé Kalè Bokùn, em Salvador, e do Terreiro Omo Ilê Agboulá, em Itaparica. A medida foi publicada nesta quarta-feira (23) no Diário Oficial do Estado.
Com o reconhecimento, os dois espaços passam a fazer parte do Livro do Tombamento dos Bens Imóveis do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), garantindo maior proteção à memória histórica, cultural e religiosa de matriz africana no estado.
Localizado no bairro de Plataforma, em Salvador, o Ilê Asé Kalè Bokùn foi fundado em 1933 pelo babalorixá Severiano Santana Porto, filho de Logunedé. Da nação Ijexá, o terreiro é dedicado aos orixás Logunedé e Oxum e é considerado o primeiro terreiro dessa tradição tombado no Brasil.
Já o Terreiro Omo Ilê Agboulá, em Itaparica, foi criado em 1934 pelos irmãos Eduardo, Pedro e Olegário Daniel de Paula. A casa mantém viva a tradição do culto aos Egúngún e é reconhecida como um importante símbolo da preservação da religiosidade afro-brasileira e da resistência contra a intolerância religiosa.
O reconhecimento dos terreiros reforça a importância da Bahia na preservação da cultura de matriz africana. O estado possui diversos espaços religiosos protegidos como patrimônio, a exemplo de outros terreiros históricos que fazem parte da memória cultural baiana. Em Santo Amaro, a história do Candomblé também ganhou destaque com a homenagem ao fundador do maior Candomblé de rua do Brasil, João de Obá.
A Bahia possui um dos maiores acervos de bens tombados do país, incluindo edificações históricas, manifestações culturais e terreiros de Candomblé. Um levantamento divulgado pelo Bahia Notícias destacou a presença de diversos patrimônios protegidos no estado, incluindo espaços ligados à religiosidade afro-brasileira.
O tombamento representa não apenas a preservação física dos espaços, mas também o reconhecimento da contribuição dos povos africanos e afrodescendentes para a formação cultural da Bahia.
Redação: Tribuna do Recôncavo








































































































