Por Gerson Leite de Moraes e Rodrigo Augusto Prando
O confinamento mudou radicalmente nossas rotinas, suspendendo a normalidade de nossas vidas cotidianas. Restringidos ao espaço doméstico, temos como fiéis companheiras, a Internet e a TV. Estes dois veículos midiáticos podem ser de grande importância na prevenção, na orientação e na propagação de informações relevantes no combate ao coronavírus, mas podem ser também desvirtuados de seus fins.
Independentemente do viés político e ideológico de uma emissora de televisão, o que não se pode negar é que existe ali um jornalismo profissional, que se não for praticado de maneira minimamente séria, a perda de capital financeiro e midiático será enorme para a empresa de comunicação. Já na Internet, especialmente nas redes sociais, a coisa não é bem assim. Ali reina uma verdadeira terra sem lei, na qual temos verdadeiras usinas de fake news, de mentiras deslavadas, criadas simplesmente com o propósito de arrebatar discípulos para uma causa nada nobre.
Em tempos de coronavírus e isolamento social, fica mais fácil perceber o poder devastador deste submundo. No campo da política, o neopopulismo digital perpetrado por uma série de grupos políticos ao redor do mundo e, especialmente no Brasil, tem promovido grandes estragos na nação, nas nossas noções de democracia e nos valores republicanos. Os proponentes e os consumidores de fake news no campo do neopopulismo digital, geralmente são pessoas negacionistas, são aqueles que negam o poder da ciência, das pesquisas, do aquecimento global, do jornalismo sério e investigativo, e agora, negam também o poder letal da COVID-19. Além disso, podem ser classificados também como autorreferentes, já que o critério de verdade passa a ser os seus “achismos” e os balões de ensaio disseminados pelos gurus deste espectro sectário.
O Datafolha, em recente pesquisa, questionou se o indivíduo “confia ou não confia nas informações sobre o coronavírus divulgadas”, tendo as seguintes respostas: jornais impressos — 56% confia, 11% não confia, 25% em parte e 7% não utiliza; programas jornalísticos da TV — 61% confiam, 12% não confiam, 25% em parte e 2% não utiliza; sites de notícias — 38% confiam, 22% não confiam, 35% confiam em parte e 5% não utilizam; programas jornalísticos de rádio — 50% confiam, 11% não confiam, 21% em parte e 17% não utilizam; WhatsApp — 12% confiam, 58% não confiam, 24% em parte e 6% não utilizam; o Facebook — 12% confiam, 50% não confiam; 25% confiam em parte e 13% não utilizam. Percebe-se, aqui, que os ventos podem, neste momento de pandemia, estar mudando e, com isso, ganham notoriedade e confiança o jornalismo profissional e o trabalho dos cientistas.
Os neopopulistas digitais apostam na tática do conflito diário como método, exploram dicotomias absurdas, tais como, a economia ou a vida, promovem o linchamento virtual de adversários políticos, estimulam a dúvida e espalham teorias de conspiração a fim de conquistar incautos. O que podemos fazer para combater este vírus da desinformação? Sem esgotar as respostas, é possível, em primeiro lugar, adotar uma postura crítica, desconfiar de mensagens sem fonte confiável; não encaminhar e divulgar aquilo que não se tem certeza; ter, no seu celular, o link do Ministério da Saúde http://saude.gov.br e assim que receber algo duvidoso, responda enviando o link; e, por fim, conhecer a agências de fact-checking, que checam fatos e dados e combatem fake news: Lupa, Fato ou Fake, Aos Fatos, Estadão Verifica e UOL Confere, por exemplo.
Sobre os autores:
Gerson Leite de Moraes é professor e pesquisador da Universidade Presbiteriana Mackenzie e Doutor em Filosofia, pela Unicamp.
Rodrigo Augusto Prando é professor e pesquisador da Universidade Presbiteriana Mackenzie, do Centro de Ciências Sociais e Aplicadas. Graduado em Ciências Sociais, Mestre e Doutor em Sociologia, pela Unesp de Araraquara.
Matéria: ASCOM – Universidade Presbiteriana Mackenzie


Imagem de memyselfaneye por Pixabay


















Foto: Tânia Rêgo/ Agência Brasil




Imagem de Michal Jarmoluk por Pixabay



































Imagem de Amber Clay por Pixabay

















Imagem Ilustrativa de Manfred Richter por Pixabay






Image by StartupStockPhotos from Pixabay











Imagem de Gerd Altmann por Pixabay