O Instituto Cigano do Brasil (ICB) encaminhou um ofício à Subprocuradora da República solicitando que as investigações das mortes de ciganos registradas em Vitória da Conquista nas últimas semanas sejam investigadas por órgãos federais. De acordo com a entidade, as instituições estaduais não têm ‘condições de seguir nas investigações’. Desde a morte de dois policiais militares na região por um grupo de ciganos, os assassinatos vem sendo registrados.
O ofício, encaminhado à Procuradoria Geral da República (PGR) no último dia 12, também solicitou a possibilidade do direito à reparação, o direito à assistência psíquica e médica, das famílias dos ciganos mortos.
Para a entidade, os órgãos estaduais têm encontrado dificuldades em investigar os crimes. “Diante das falhas e insegurança para proteger as testemunhas que se encontram apavoradas e resguardadas, os órgãos do sistema estadual não mostram condições de seguir no desempenho da função de investigação e proteção, pressupõe que órgãos estaduais estejam falhando, em geral, porque há um envolvimento da polícia local”, diz um trecho do documento.
Ainda de acordo com a ICB, é necessária uma postura contundente e imparcial na apuração dos crimes, o que não vem sendo observado no estado como cita o documento. Para o grupo de Ciganos, algumas atitudes tem levantado suspeita nas investigações. São elas: policiais militares recebendo elogio individual pelas mortes de três ciganos em Anagé; Fragilidade no acolhimento das testemunhas pelo programa PROVITA; Governador da Bahia calado; Falta de eficiência nas investigações e corporativismo local e risco de novas execuções.
Execuções
Em 13 de julho, dois Policiais Militares (PMs) identificados como Luciano Libarino Neves, 34 anos e Robson Brito de Matos, 30 anos, foram assassinados no Distrito de José Gonçalves, na zona rural de Conquista. A autoria do crime estaria ligada a um grupo de ciganos (relembre). Desde então, alguns ciganos que, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), estariam ligados ao crime, foram mortos.
Três dias após a morte dos policiais, uma força tarefa foi montada para que os responsáveis pelo crime fossem identificados. Seis homens, de uma mesma família, apontados como participantes das mortes do tenente e do soldado, eram procurados pela polícia. Naquela data, um dos suspeitos acabou preso.
As investigações e buscas pelos responsáveis pela morte dos PMs seguiu, até que, no final do mês, a SSP-BA divulgou a sétima morte de um cigano. À época, a secretaria informou que o cigano morreu após tiroteio com policiais em Anagé. A secretaria divulgou ainda que, além dos sete mortos, outros quatro ciganos estariam envolvidos na morte dos PMs.
G1 via Bahia Noticias
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