Da lei à realidade: desafios do saneamento básico no Brasil

Foto: Jhonatan Sena

Por Raquel Cota, Gerente de Projetos do Setor de Water da Tractebel e doutora em Saneamento pela UFMG .

O Marco Legal do Saneamento define metas importantes para o Brasil: até 2033, 99% da população deve ter acesso à água potável e 90% deve contar com coleta e tratamento de esgoto. Passados mais de cinco anos de sua promulgação, em julho de 2020, por meio da Lei nº 14.026, é possível constatar que equilibrar a universalização do saneamento básico com o crescimento populacional e a realidade brasileira segue sendo uma tarefa complexa.

Estudos recentes do Instituto Trata Brasil mostram que, mesmo com avanço regulatório e aumento de investimentos, a situação ainda é preocupante. Atualmente, cerca de 17% dos brasileiros não têm acesso à água potável e quase metade da população vive sem coleta e tratamento de esgoto. Além disso, os dados mais recentes indicam que a expansão dos serviços tem sido lenta e insuficiente para acompanhar as necessidades do país.

Entre 2019 e 2023, o acesso à água potável praticamente não avançou e até apresentou leve queda. Segundo dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA), a população com acesso ao recurso caiu de 83,6%, em 2019, para 83,1% em 2023. Já a coleta e o tratamento de esgotos cresceram apenas alguns pontos percentuais, permanecendo muito abaixo das metas previstas: o índice de coleta de esgoto passou de 53,2%, em 2019, para 55,2%, em 2023. Já o tratamento do esgoto subiu de 46,3% para 51,8%. Essa dificuldade em ampliar os serviços de saneamento afeta diretamente a qualidade de rios, mananciais e também das praias brasileiras. (mais…)

Governo inicia projeto que vai arborizar e melhorar qualidade ambiental em 12 cidades do interior

Foto_Tiago_Dantas_Seagri_BA

Com o plantio das primeiras mudas na Praça de Barreirinhas e no Parque Natural Engenheiro Geraldo Rocha, a Secretaria da Agricultura da Bahia deu início, nesta sexta-feira (27), ao projeto de arborização urbana funcional que vai transformar a paisagem de Barreiras e mais 11 cidades do interior do estado.

A ação atende a uma demanda histórica da população e vai trazer benefícios diretos para qualidade de vida da população, proporcionando sombreamento, conforto térmico, aumento da umidade do ar, atração de polinizadores e valorização dos espaços públicos.

O plantio reuniu a comunidade local, gestores, empresários, estudantes, entre outros representantes de entidades da sociedade civil.

Imprensa SEAGRI

Verão nas praias acende alerta para o descarte incorreto de embalagens

Imagem ilustrativa de Quang Nguyen vinh por Pixabay

Verão é sinônimo de praias cheias, turismo aquecido e maior consumo de alimentos e bebidas à beira-mar. Junto com esse movimento, cresce também o volume de resíduos descartados de forma inadequada na areia e no entorno das praias.

Estudos internacionais indicam que entre 8 milhões e 11 milhões de toneladas de resíduos chegam aos oceanos todos os anos, provenientes principalmente de atividades em terra, como o consumo em áreas costeiras e urbanas. As pesquisas ainda mostram que grande parte desse material poderia ter destino correto se fosse separada e descartada adequadamente.

Embalagens em geral, de alimentos, bebidas e produtos de conveniência consumidos nas praias, representam parcela significativa do lixo encontrado no litoral. Quando deixadas na areia ou levadas pelo vento e pela chuva, acabam alcançando o mar e impactando diretamente os ecossistemas marinhos. Segundo a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), cerca de 80% do lixo marinho tem origem em terra, reforçando o papel do descarte correto por parte da população. (mais…)

ARTIGO: Nova lei do licenciamento ambiental torna obrigatórios os processos digitais em todo o país

Imagem Ilustrativa de Nicky Thanks for everything from Pixabay

Por Marco Antonio Zanatta – CEO e fundador da Aprova.

Aprovada pelo Congresso e sancionada pelo presidente da República em 8 de agosto de 2025, a Nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental (Lei nº 15.190/2025) estabelece regras nacionais para padronizar os procedimentos de licenciamento na União, estados e municípios.

Com entrada em vigor prevista para fevereiro de 2026, a norma impõe mudanças que devem transformar a gestão ambiental no Brasil, com destaque para a obrigatoriedade de tramitação 100% digital até 2029 e a integração de dados ao Sinima (Sistema Nacional de Informações sobre Meio Ambiente).

O objetivo é unificar procedimentos, dar previsibilidade a empreendedores e gestores públicos, e reduzir a disparidade de critérios hoje existentes entre regiões. Para isso, a lei prevê que todos os entes federativos adotem sistemas digitais compatíveis, integrados ao Sinima, capazes de processar solicitações, emitir licenças e gerar relatórios em tempo real. (mais…)

Desmatamento na Amazônia registra maior queda do ano em novembro

Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

Em novembro, a Amazônia registrou a maior queda na taxa de desmatamento de todo o ano. Levantamento do Imazon, consolidado a partir do monitoramento por satélites, indica que a perda de vegetação foi de 116 quilômetros quadrados (km²), 80% a menos do que a área calculada em 2022, quando atingiu 590 km². Esse também foi o menor patamar de desmatamento alcançado em novembro deste 2017. 

No acumulado de janeiro a novembro, o desmatamento teve redução de 62%, passando de 10.286 km² em 2022 para 3.922 km², a menor derrubada para o período desde 2017. A taxa ainda preocupa, já que representa 1,2 mil campos de futebol de floresta por dia.

O Imazon observa que o Pará, o Amazonas e Mato Grosso são os estados onde há mais casos, quando analisado o período de janeiro a novembro deste ano. Apesar de terem registrado quedas significativas no desmatamento, as três unidades federativas respondem por 74% da área devastada. Rondônia, Acre e Maranhão também registraram redução. Além disso, a organização constatou aumento no desmatamento em três estados: Amapá (240%), Tocantins (33%) e Roraima (27%). (mais…)

Entenda como ausência de nuvens fortalece onda de calor

Imagem de Simon Steinberger por Pixabay

A onda de calor que atinge principalmente o Sudeste e o Centro-Oeste do Brasil chegou em uma época do ano em que, normalmente, a estação chuvosa já está estabelecida e em que as nuvens funcionam como uma espécie de controle das temperaturas. A ausência dessa defesa, segundo a meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia, Anete Fernandes, potencializa os efeitos do fenômeno climático

“Quando a gente tem ausência de chuva nesta época do ano, que chamamos de veranico, a ausência de nuvens favorece uma grande incidência de radiação na superfície, que é o que está acontecendo agora. Então, as temperaturas se elevam muito”, contou.

De acordo com a meteorologista, a configuração de baixas pressões, característica dessa época do ano, está funcionando em grande parte do país. No entanto, em médios níveis da atmosfera, existe uma circulação de alta pressão que impede o desenvolvimento das nuvens de chuva. (mais…)