Por Samuel Hanan – engenheiro.
A possibilidade de reeleição para cargos do Poder Executivo (presidente da República, governadores e prefeitos) faz bem ou mal para o país? Volta e meia essa pergunta vem à baila por aqueles que gostam de discutir política sem paixões partidárias, visando apenas ao bem do Brasil. Passados quase 30 anos de sua instituição – durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso – o assunto merece mesmo reflexão.
A reeleição, em si, não constitui entrave para boa governança, tanto que é permitida em vários países ocidentais, inclusive nos Estados Unidos, a maior potência mundial. O problema brasileiro quanto a esse instituto, diferentemente de muitas outras nações onde é adotado, são ingredientes próprios que tornaram a reeleição uma doença a ser urgentemente extirpada.
Um deles é o grande número de partidos políticos (29). Some-se a isso a deturpação do conceito de governo de coalisão, aqui transfigurado em governo de colisão ou de cooptação mediante a prática do toma-lá-dá-cá, expediente espúrio de conquista de apoio. E ainda temos a questão da corrupção endêmica, facilitada e até estimulada pela impunidade.
São essas singularidades as responsáveis por minar a reeleição, prejudicando fortemente a governança, provocando desperdícios bilionários de recursos financeiros e possibilitando a nomeação de pessoas não qualificadas e sem experiência para cargos públicos da maior importância.
Analisemos os números. Nos últimos 15 anos, o Brasil teve redução de 1,36% no Produto Interno Bruto (PIB). Em 2010, o PIB foi de US$ 2,21 trilhões e, em 2024, fechou em US$ 2,18 trilhões. Para efeito comparativo, nesse mesmo período o mundo experimentou crescimento econômico da ordem de 65,10% comprovando que o Brasil ficou para trás. O PIB mundial foi de US$ 109,97 trilhões, ante US$ 66,61 trilhões em 2010. Há que se considerar ainda que nesses 15 anos o Brasil registrou aumento de 44% na carga tributária e que a arrecadação vem batendo recordes anuais. Apesar disso, o país devolve ao contribuinte péssimos serviços públicos e apresenta indicadores sociais vergonhosos, inaceitáveis para um país que ostenta a 10ª posição de maior economia mundial.
O Brasil precisa urgentemente tratar das origens de seus problemas, sem o que não haverá soluções definitivas. Os maiores problemas nacionais não são econômicos nem financeiros, ao contrário do que se costuma apregoar. Os entraves mais significativos são éticos e políticos. Isso é o que é preciso ser discutido e resolvido. O Brasil já não suporta tantas mentiras, narrativas diversionistas, polarização, privilégios para os donos do poder (verdadeiros donatários do século 21), corrupção e impunidade.
Em se tratando de um país tão grande e de tamanha expressão econômica, é impossível ser governado eficientemente sem um plano bem definido de metas econômicas, sociais, educacionais e ambientais.
Entretanto, é o que acontece. O resultado é visível. Indicadores sociais tão vergonhosos não podem mais ser ignorados pela classe política, independentemente da ideologia ou de filiação partidária. Estamos ainda muito longe de sermos uma nação socialmente justa, considerando-se que 35,6% da população vive com renda bruta mensal inferior a um salário-mínimo (R$ 1.518,00/mês). Outros 31,6% dos brasileiros têm renda bruta mensal de até 2 salários-mínimos. Com pouco mais do que isso, 2,31 salários-mínimos (R$ 3.500,00) vivem 22,8% da população. Ou seja, 90% da população brasileira tem renda mensal inferior a R$ 3.500,00/mês (2,31 salários-mínimos) o correspondente a US$ 630/mês. O salário-mínimo brasileiro é o terceiro mais baixo da América do Sul, superando apenas Venezuela e Suriname.
Os péssimos resultados brasileiros no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), no coeficiente Gini (que mede a desigualdade na distribuição de renda), no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), no Índice de Retorno de Bem Estar à Sociedade (IRBES), no índice de Percepção da Corrupção e, mais triste, no índice de Violência Urbana atestam a reprovação de todos os governos nacionais dos últimos 25 anos, período no qual já vigorava a reeleição.
Nessas últimas duas décadas e meia a grande maioria da população brasileira empobreceu. Ao retirar a renda dos cidadãos, por meio da inflação elevada, da alteração da fórmula de cálculo do reajuste do salário-mínimo (no apagar das luzes em 27 de dezembro de 2024, subtraindo de quem pouco tem R$12,80/mês neste ano de 2025 e R$28,36/mês em 2026), e pela falta de correção anual da tabela do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, os governantes também suprimiram – ou ao menos limitaram – sua liberdade política e de expressão. Pois como escreveu o filósofo, economista e escritor norte-americano John Galbraith, ‘nada mais eficaz para limitar a liberdade, incluindo a liberdade de expressão, como a total falta de dinheiro”. Ele também alertava: “Liberdade política sem liberdade econômica é ilusão’.
Transformaram grande parte da população em dependentes das ‘muletas’ do governo de plantão – bolsa família, vale gás, farmácia popular, BPC, Fies e outros programas sociais com benefícios sem data para acabar, hoje necessários, mas reflexos dos resultados dos maus governos e das políticas equivocadas dos governantes, muitos dos quais se autointitularam como salvadores da pátria. É o retrato do Brasil atual.
Essa situação apenas confirma o que escreveu o escritor, economista, investidor e político norte-americano Harry Browne: “O governo é bom em uma coisa. Ele sabe como quebrar as suas pernas apenas para depois lhe dar uma muleta e dizer: ‘veja, se não fosse pelo governo você não seria capaz de andar’”. No caso do Brasil, essas “muletas” consomem algo como 3,5% a 4% do PIB. Custam caro para o bolso do brasileiro, porém são ótimos cabos eleitorais. Ninguém conseguirá se eleger se cogitar mudanças nesses programas.
A nação possui recursos para custear os necessários programas sociais, zerar o enorme déficit público primário, e investir prioritariamente em infraestrutura para aumento de valor adicionado na produção dos setores econômicos de retorno de baixo risco. Os setores de agrobusiness, mineral, óleo e gás, somados respondem por mais de 45% do PIB nacional, 70% a 73% das exportações e por mais de 200% do saldo da balança comercial brasileira. Logo, a infraestrutura deve beneficiar prioritariamente tais setores, de modo a possibilitar a agregação de valores à produção e exportação em curto e médio prazos, gerando novas riquezas, mais empregos e melhores salários. É possível fomentar um círculo virtuoso na economia.
Recursos para isso existem. Um bom caminho está no artigo 4º da Emenda Constitucional nº 109, promulgada em 15/03/2021, que estabeleceu regras para a gestão fiscal e a contenção de despesas públicas e até hoje ignorada e não cumprida. Foi aprovada em razão da pandemia da Covid-19, porém continua válida e é uma fonte viável para gerar economia mínima correspondente a 3,5% do PIB, algo em torno de R$ 410 bilhões por ano.
Mas não basta. O governo também precisa enfrentar o gigantismo do Estado. Por conta dessa anomalia administrativa, o país soma gastos primários da ordem de 19,5% do PIB, despesa que só aumenta (em 2002, último ano do segundo governo de Fernando Henrique Cardoso, correspondeu a 14,7% do PIB). Uma redução mínima dessa despesa, da ordem de apenas de 10%, seria suficiente para economizar 1,95% do PIB, ou seja R$ 240 bilhões por ano.
Outra fonte importante de receita seria a redução da corrupção, mal antigo que, segundo estudo de instituições respeitadas, consomem de 2,5% a 3% do PIB. Uma redução para o patamar de 1% a 1,5% do PIB representaria R$ 126 bilhões a mais por ano nos cofres públicos. E ainda haveria o efeito pedagógico porque o país foi contaminado com a falsa sensação de que o crime compensa. Nesse aspecto, seria fundamental a mudança legislativa para tornar imprescritíveis os crimes praticados contra a administração pública.
Em resumo, apenas com essas três medidas o Brasil economizaria R$ 776 bilhões/ano. Não é pouca coisa: corresponde a 6,16% do PIB 2025. Se colocadas em prática essas providências, serão criadas condições para o equilíbrio fiscal, cumprindo-se as metas orçamentárias e tornando possível a redução da taxa de juros Selic – atualmente em 15% a.a. – para algo perto de 12% em um ano. Isso teria impacto positivo com redução expressiva nas despesas do governo, em razão da queda dos juros sobre a dívida, e no prazo de um a dois anos essa despesa cairia cerca de R$ 290 bilhões ao ano.
Esses números demonstram que é possível dar um novo rumo à nação se elegermos um candidato a presidente que pare de estimular a divisão do país , desprezando e dispensando as mentiras e narrativas, e seja totalmente comprometido com um Plano de Metas e empenhado em não gerar déficit primário, garantir o cumprimento de todos os programas sociais para redução das desigualdades e injustiças sociais (mantendo todas as “muletas” atuais), sem aumento nem criação de novos tributos e que faça importantes e necessários investimentos em infraestrutura para redução do Custo Brasil.
Há, sem dúvida, alternativas factíveis para uma nação que precisa ser governada com maior responsabilidade fiscal, mais transparência e administração realista. Para isso será imprescindível o compromisso da grande imprensa em desmitificar mentiras, destruir narrativas e apontar as promessas inexequíveis dos candidatos à Presidência da República.
Também será fundamental que o país discuta com seriedade o fim do instituto da reeleição, talvez com a ampliação do mandato em mais um ano. O modelo atual já deu mostras de que não funciona porque o eleito, logo no primeiro dia de governo, já começa a pensar (e a atuar) para garantir um novo mandato. Tornou-se comum – e incrivelmente não questionado – que o candidato na campanha se manifeste contra a reeleição e mude rapidamente de opinião depois de eleito. Espanta também as consequências deste modelo, 5 presidentes eleitos pelo voto popular desde a redemocratização, e já vimos dois impeachments e três prisões de presidentes (só 1 não sofreu constrangimentos).
Não é o que Brasil precisa. Não é o que país merece.
*Samuel Hanan é engenheiro com especialização nas áreas de macroeconomia, administração de empresas e finanças,
Foto: Antonio Augusto/ Ascom/ TSE









Imagem ilustrativa de uma bola de futebol em campo durante partida em estádio
Foto: Hélio Alves/ Tribuna do Recôncavo
Imagem Ilustrativa by Skeeze from Pixabay
Helbert, conhecido como Bob, morava no bairro Urbis IV, em Santo Antônio de Jesus.
Imagem criada por IA
Registro de Augusto Junior, morador de Valença, no Baixo Sul da Bahia.
Imagem de Michal Jarmoluk por Pixabay
Foto: Hélio Alves/ Tribuna do Recôncavo
Image by Free stock photos from www.rupixen.com from Pixabay
Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil
Foto: Hélio Alves/ Tribuna do Recôncavo
Imagem gerada por IA
Psicólogo Jorge Soares apresenta a obra "O Homem e Seus Feitos: Para Humanizar-se ao Longo da História". Foto: Divulgação.
Descrição:
Imagem de Michael Wedermann por Pixabay
Força-tarefa com cerca de 20 homens resgatou um boi que caiu em um poço na localidade do Lajedo Batista, em Elísio Medrado. Reprodução/Recôncavo no Ar.
Aline morreu após sofrer um grave acidente e permanecer internada no HRSAJ. Foto: Saj Sem Filtro.
Image by Firmbee from Pixabay
Foto: Reprodução/ Blog do Valente
Foto: Tânia Rêgo/ Agência Brasil
Foto: Agência Dudes – Júnior Simas
Reprodução/Band RN | Cantor Neto Araújo, ex-Cavaleiros do Forró e vocalista da Collo de Menina, morreu aos 42 anos.
Imagem Ilustrativa | Foto: Uanderson Alves/ Tribuna do Recôncavo
Imagem ilustrativa de torcedor acompanhando uma partida de futebol pela televisão.
Fotos: Divulgação | Carmem Sabin e Neto exibem peças da SABIN.ARTES que representarão a Bahia na 26ª Fenearte, em Olinda (PE).
Imagem de Marie Sjödin por Pixabay
Ádila Raira retorna ao comando da Superintendência de Atendimento Municipal (SAM) de Santo Antônio de Jesus. Foto: Arquivo Pessoal.
Imagem ilustrativa de Andreas Breitling por Pixabay
Reprodução/Vídeo: Jessica Ketlin. Deputados Robinson Almeida e Zé Neto durante agenda que marcou a entrega de ambulância do SAMU e micro-ônibus TFD para Santo Antônio de Jesus.
Imagem Ilustrativa de Dean Moriarty por Pixabay
Portal de entrada do São Pedro da Sapucaia, em Santo Antônio de Jesus. Foto: Luciano Almeida.
Crédito: Lucas Batista
Ditinho da AviVip, Jordávio Ramos, Neto Caroba e vereadores durante agenda política em Presidente Tancredo Neves. Foto: Divulgação.
Imagem Ilustrativa | Foto: Tânia Rêgo/ Agência Brasil
A festa de São Pedro de São Miguel das Matas acontece nesta quarta-feira (1º), a partir das 19h, na Praça Maria Madalena, com shows de Devinho Novaes, Neguinho da Pegada, Virgílio Forrozeiro e É o MT.
Imagem de S. Hermann & F. Richter por Pixabay
Arquivo Pessoal
Image by Steve Buissinne from Pixabay
Imagem ilustrativa gerada por IA
Foto: José Cruz/ Agência Brasil
Foto: Hélio Alves/ Tribuna do Recôncavo
Divulgação
Imagem de
Ilustração representa as previsões astrológicas para os signos do zodíaco em julho de 2026.
Danniel Vieira se apresenta em Amargosa e Salvador neste fim de semana. Foto: Gabriel Lordelo.
Imagem ilustrativa de Emslichter do Pixabay
Ditinho da AviVip durante cerimônia em Catu, onde recebeu o título de cidadão catuense.
Ditinho da AviVip ao lado do vereador Genivaldo Souza, de Camamu, durante encontro divulgado nas redes sociais.
Elementos tradicionais do São João retratam as memórias e os costumes dos festejos juninos de antigamente.
ACM Neto, Ditinho da AviVip e o prefeito Genival Deolino durante agenda realizada em Santo Antônio de Jesus.
Imagem ilustrativa | Foto: Hélio Alves/ Tribuna do Recôncavo
Ditinho da AviVip e Binho de Mota participaram da Cruzada de Fé e Milagres, realizada no Centro de Convenções de Salvador, com a presença do Apóstolo Valdemiro Santiago.
Imagem de StartupStockPhotos por Pixabay
Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil
VW SpaceFox foi tomado de assalto na região da Areia Fina, zona rural de São Miguel das Matas, na tarde desta segunda-feira (29).
Imagem de Yotsapat Sintoosing por Pixabay
Ilustração representando oportunidades de publicidade, guest posts e banners no Tribuna do Recôncavo.
Unidade de beneficiamento de pescado entregue em Plataforma, Salvador. Foto: Rebeca Falcão/Seagri.
Imagem ilustrativa gerada por IA
Imagem de Moondance por Pixabay
Foto: Fábio Cruz/ Recôncavo no Ar
Imagem ilustrativa de Free-Photos por Pixabay
Imagem ilustrativa gerada por IA
Imagem de Jan Vašek de Pixabay
Foto: Hélio Alves/ Tribuna do Recôncavo
Imagem ilustrativa. Foto: Tumisu/Pixabay.
Imagem ilustrativa de trabalhadores em atividade de reposição de mercadorias em ambiente de loja
Foto: Fábio Pozzebom/ Agência Brasil
Bruno e Marrone se apresentam no São João de Santo Antônio de Jesus 2026. Crédito: Ananias Barreto.
José Jorge de Souza faleceu aos 64 anos em Santo Antônio de Jesus. Foto: Arquivo da família.
Imagem de uma mulher em um estádio durante uma partida de futebol.
Imagem Ilustrativa by Pexels from Pixabay
Imagem ilustrativa de Alfred Derks por Pixabay
Foto: Uanderson Alves/ Tribuna do Recôncavo
Imagem de
Image by LEANDRO AGUILAR from Pixabay
Foto Abda Carvalho
Foto: Hélio Alves/ Tribuna do Recôncavo
Imagem editada de Qui Nguyen Khac por Pixabay
Foto: Arquivo Pessoal
Imagem ilustrativa sobre o crescimento do fluxo de passageiros nos aeroportos da Bahia em voos domésticos e internacionais entre janeiro e maio de 2026, segundo dados da Anac. Foto: Ascom/Setur-BA.
Foto: Leonardo Rattes / Saúde GovBA
Foto: Douglas Amaral
Imagem de Everson Mayer do Pixabay
Imagem ilustrativa | Foto: Hélio Alves/ Tribuna do Recôncavo
Imagem de Anastasia Gepp por Pixabay
Viny tinha 18 anos, morava na zona rural de Santo Antônio de Jesus e morreu após um acidente na BR-420, em Laje.
IMAGEM: Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas
Imagem Ilustrativa | Foto: PMBA
Imagem gerada por IA
Imagem Ilustrativa | Foto: Reprodução/ Vídeo
Imagem de ivabalk por Pixabay