Além de combinar benefícios do cosmético e de produto farmacêutico, o projeto também fortalece agricultura familiar e produção da planta

O mercado de cosméticos e higiene pessoal é um dos que mais fatura no Brasil. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC), o setor de cuidados pessoais faturou R$ 122,4 bilhões em 2020. Agregado a esse crescimento, o segmento de cosmecêutico, que é a combinação de cosméticos e produtos farmacêuticos, também mostra expansão. Visando esse ramo, a farmacêutica Cristiane Santos e a doutora em química e professora, Djane Santiago, desenvolveram um cosmecêutico através de partes não aproveitadas da árvore do Licuri.

A Syagrus coronata, palmeira que produz o licuri, é muito comum na região da caatinga baiana. Por isso, os alunos da professora Djane começaram a fazer questionamentos sobre as características do fruto. A partir disso, no ano de 2003, ela decidiu desenvolver uma pesquisa sobre o tema. “Devido à pouca literatura existente sobre o assunto na época, iniciei a pesquisa da cadeia produtiva do Licuri e das propriedades da palmeira. Percebi que muitas partes da planta eram subutilizadas. Nelas estavam presentes importantes bioativos utilizados na indústria de cosméticos”, explica Djane.

Hoje muitas pessoas têm optado por alinhar o uso de produtos estéticos com a saúde. Em razão disso, as pesquisadoras criaram o produto com base nas partes que são consideradas descartáveis da palmeira, como folhas, flores e bagaço. “O princípio ativo é obtido através do pé de Licuri, que tem propriedades benéficas para cabelo, pele e saúde em geral, a partir da utilização das suas várias partes da planta. O cosmecêutico à base do licurizeiro funciona de forma a entregar benefícios anti-inflamatórios, bactericidas, hidratantes, dentre outros”, diz Cristiane.

O projeto, que foi contemplado pelo Edital Inventiva, da Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb), que é vinculada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), reforça a agricultura familiar, através da geração de emprego, e a utilização de fragmentos que, normalmente, não são usados da palmeira. “Ao utilizar as partes da palmeira que eram descartadas, fortalecemos a cadeia produtiva, agregando valor ao produto, e diminuindo a quantidade de resíduos através do aproveitamento integral da planta. Neste caminho, ocorre a valorização do trabalho da agricultura familiar”, afirma Cristiane.

O cosmecêutico está em fase de aprimoramento da fórmula para atender a escala industrial e adequar-se às regras da Anvisa para iniciar a comercialização. O produto de Cristiane Santos e Djane Santiago também tem parceria com a indústria Supernova Cosméticos, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (Ifba) e cooperativas de agricultura familiar da cadeia produtiva do licuri.

ASCOM