Uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas, do Serviço de Proteção ao Crédito e em parceria com o Sebrae revela que os brasileiros passam o equivalente a 21 dias por ano no trânsito das capitais. De acordo com os entrevistados, 28% levam de 30 minutos a 1 hora por dia conduzindo um veículo, e 32% levam de 1 a 2 horas para ir ao trabalho, escola, faculdade ou fazer compras.

Daniel Sakamoto, Gerente Executivo na Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas, explica que em comparação com a última pesquisa, realizada em 2017, houve redução de 28 minutos do percurso diário de tráfego; segundo ele a diminuição está relacionada aos efeitos da pandemia. Além disso, em 2022, apenas 36% das pessoas trocariam o carro ou moto se tivessem disponível um bom serviço de transporte público.

Efeito pós-pandemia

Quatro em cada dez brasileiros que residem nas capitais relatam ter medo de usar o transporte público mesmo após o fim da pandemia da covid-19. De acordo com o levantamento, antes da pandemia os ônibus foram citados por 46% (esse percentual cai para 26% nas classes A e B) como principal meio de locomoção, seguidos dos carros e motos (33%). Em seguida, apareceram os deslocamentos a pé (8%); de táxi ou aplicativos de transporte (6%); e de metrô ou trem (5%).

Depois da pandemia, os carros e motos assumiram a dianteira, citados por 36%. Em seguida, aparecem os ônibus (35% no geral, 16% entre as classes A e B); os táxis e aplicativos de transporte (12%) e os deslocamentos a pé (8%). Constata-se, assim, um avanço do uso dos aplicativos de transporte e carros particulares em detrimento a outros modais.

A pesquisa mapeou a mudança de hábitos e os receios desencadeados pela crise sanitária. Um resultado importante é que 43% dos usuários afirmaram ter medo de usar o transporte público após a pandemia. Diante do medo, a maioria buscou alternativas. Entre esses entrevistados, a opção mais citada foi o deslocamento a pé (37%). O uso de carro particular aparece em seguida (33%). Além disso, foi mencionado o uso de transporte por aplicativos (32%), e a preferência por fazer compras cotidianas mais perto de casa, a pé ou de bicicleta (13%); e o uso de caronas (12%). O home office também foi apontado como uma alternativa para contornar o medo de andar de ônibus, citado por 8% dos participantes.

A maior preocupação mencionada pelos entrevistados com relação à mobilidade pós-pandemia foi a superlotação do transporte público, citada por 45%. O aumento do preço dos combustíveis também foi motivo de destaque, mencionado por 44%. Em seguida, apareceram o aumento das tarifas no transporte público (40%); os congestionamentos (32%); a diminuição das frotas de ônibus (25%); os acidentes de trânsito (16%), entre outros motivos.

“Os brasileiros ainda gastam muito tempo no trânsito, como bem mostra a pesquisa, revelando que se mantém essencial repensar a mobilidade como um todo. Mesmo depois de dois anos em home office, o retomamos rapidamente a rotina anterior, reforçando ainda mais o uso dos transportes individuais, como carros e motos. É preciso investir em tecnologias que auxiliem na melhoria do gerenciamento e operação dos sistemas de transporte, na eficiência do uso das vias e na melhoria da segurança viária”, completa Luiz Gustavo Campos, diretor e especialista em trânsito da Perkons.

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Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas

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