Fim da escala 6×1: O impacto real da mudança para pequenas e médias empresas

Foto: Tony Winston/ Agência Brasília

Por Gisele Bolonhez – professora do curso de Direito.

O avanço do debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1 no Brasil, proposta que visa reduzir a jornada semanal para 36 horas, promete impactar diretamente a folha de pagamento e a logística operacional de setores que são grandes empregadores, como o comércio e os serviços. O principal ponto é como as empresas, especialmente as de pequeno e médio porte (PMEs), conseguirão absorver o aumento dos custos sem repassá-los ao consumidor final.

Atualmente, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) permite uma jornada de até 44 horas semanais, o que na prática consolida o modelo 6×1 (seis dias de trabalho por um de descanso). ‘Juridicamente, essa escala não é uma ‘regra impositiva’, mas sim uma consequência matemática do limite constitucional. É o formato máximo de exploração da força de trabalho permitido sem o pagamento de horas extras’, explica Gisele Bolonhez, professora do curso de Direito da UniCesumar, instituição de ensino superior com 35 anos de tradição e nota máxima no MEC.

O principal texto em discussão é a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 148, de 2015, que sugere a redução da jornada para 36 horas semanais, mantendo o valor do salário. O argumento central, segundo a especialista, baseia-se na proteção da saúde do trabalhador e na garantia do direito ao lazer e ao convívio social. (mais…)

Uso precoce de telas compromete etapas essenciais do desenvolvimento infantil

Imagem por Karolina Grabowska de Pixabay

O avanço tecnológico e a presença cada vez mais constante de dispositivos digitais no cotidiano das famílias têm transformado profundamente a experiência de ser criança. De acordo com recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria, crianças menores de dois anos não devem ser expostas a telas e, na primeira infância, o tempo de uso deve ser limitado e supervisionado.

Segundo Larissa Machado, psicanalista e diretora do Colégio São Paulo – unidade Tempo de Criança, colégio da Inspira Rede de Educadores, o excesso de estímulos digitais na infância pode comprometer etapas importantes do desenvolvimento. ‘Esse fenômeno está associado a atrasos na linguagem, alterações no sono, dificuldades de atenção e ao empobrecimento das interações sociais, uma vez que reduz o tempo dedicado a experiências essenciais para a criança, como o brincar, a convivência e o movimento corporal’, explica.

A infância contemporânea tem migrado de uma cultura baseada no brincar para uma infância mediada por telas, fenômeno associado ao aumento de quadros de ansiedade e fragilidade emocional entre crianças e adolescentes. A presença constante das telas deixou de ser exceção para se tornar regra. ‘Não se trata de demonizar a tecnologia, mas de reconhecer que o uso desregulado e excessivo pode comprometer o desenvolvimento emocional, cognitivo, social e físico, afinal, a tela ativa, mas não vincula. Prende a atenção, mas não sustenta’, destaca a psicanalista. (mais…)

Treino, inflamação e alimentação: especialistas alertam para mitos que confundem quem busca saúde e performance

Editado | Crédito: José Cruz/ Agência Brasil

A inflamação costuma ser apontada como a grande vilã da saúde e do desempenho físico, especialmente nas redes sociais. No entanto, segundo o preparador físico Anderson Moraes, e a nutricionista Claudia Laskanski, essa visão simplificada ignora um ponto essencial: a inflamação faz parte do processo natural de adaptação do corpo ao exercício.

‘Todo treino de força gera microlesões musculares. Isso provoca uma resposta inflamatória controlada, que é justamente o que estimula o músculo a se recuperar e evoluir”, explica Anderson. “Sem esse processo, não existe ganho de força ou hipertrofia.’

Inflamação aguda x inflamação crônica

Segundo os especialistas, é fundamental diferenciar a inflamação aguda, que ocorre após o exercício e é esperada, da inflamação crônica, associada a hábitos de vida inadequados. (mais…)

ARTIGO: Gestação tardia redefine maternidade no Brasil

Imagem de StockSnap de Pixabay

A gestação tardia deixou de ser exceção e passou a integrar o cenário reprodutivo brasileiro. Cada vez mais mulheres optam por engravidar após os 35 anos, movimento diretamente ligado a mudanças sociais, profissionais e culturais — e que tem na reprodução assistida uma importante aliada.

Dados do IBGE mostram que, nas últimas décadas, houve crescimento consistente no número de mulheres que têm o primeiro filho após os 30 anos. Ao mesmo tempo, especialistas alertam que a fertilidade feminina sofre redução progressiva com a idade, especialmente após os 35, o que impacta o tamanho da família desejada.

Mudança de prioridades – Para a especialista em reprodução humana, Wendy Delmondes, coordenadora da unidade de Reprodução Humana do Hospital Mater Dei Salvador (HMDS), esse fenômeno está diretamente ligado às transformações no papel da mulher na sociedade. (mais…)

ARTIGO: Câncer colorretal avança entre jovens

Imagem de Mohamed Hassan por Pixabay

Por Ramon Mendes – coloproctologista.

Tradicionalmente associado a pessoas acima dos 50 anos, o câncer colorretal tem apresentado crescimento preocupante entre adultos jovens, acendendo um alerta na comunidade médica durante o Março Azul, mês dedicado à conscientização sobre a doença. Mudanças no estilo de vida, alimentação inadequada, sedentarismo e atraso no diagnóstico estão entre os fatores que ajudam a explicar esse novo perfil epidemiológico.

Dados do Instituto Nacional de Câncer indicam que o câncer colorretal é o terceiro tipo mais incidente no país, com estimativa de cerca de 45 mil novos casos por ano no Brasil. Estudos recentes do próprio INCA mostram aumento progressivo da incidência em pessoas com menos de 50 anos, faixa etária que, até pouco tempo, não fazia parte do rastreamento de rotina.

Mudança de perfil preocupa especialistas

Para o coloproctologista Ramon Mendes, coordenador do Núcleo de Coloproctologia do Instituto Brasileiro de Cirurgia Robótica (IBCR), o cenário exige atenção redobrada. ‘Estamos diagnosticando câncer colorretal em pacientes cada vez mais jovens, muitas vezes em estágios avançados, porque os sintomas iniciais são confundidos com problemas benignos, como hemorroidas ou alterações intestinais funcionais’, explica. (mais…)

ARTIGO: O que acontece com a saúde mental após excessos

Imagem Ilustrativa de Anemone123 por Pixabay

Com o fim do Carnaval, muitas pessoas relatam não apenas cansaço físico, mas também alterações emocionais que podem durar dias. Segundo a psiquiatra Dra. Bianca Bolonhezi, essa sensação tem explicação científica e não deve ser minimizada.

Durante períodos de festas intensas, privação de sono e consumo de álcool, o cérebro passa por oscilações significativas nos neurotransmissores ligados ao prazer e ao bem-estar, como dopamina e serotonina. No momento da euforia, esses sistemas são altamente estimulados. Quando os estímulos cessam, ocorre uma queda brusca desses níveis, o que pode provocar sintomas como desânimo, irritabilidade e ansiedade.

A especialista explica que é comum, nos dias seguintes à folia, surgirem:

  • Falta de energia
  • Ansiedade fora do habitual
  • Pensamentos negativos
  • Tristeza sem causa aparente
  • Sensação de vazio

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