Existe uma semelhança pouco explorada entre uma Copa do Mundo e o ambiente empresarial: em ambos, o talento individual chama atenção, mas é a capacidade de construir um sistema eficiente que determina quem permanece competitivo quando a pressão aumenta.
O empresário e CEO da Goshen Land, Dema Oliveira, analisa que, antes de cada grande competição, o debate costuma se concentrar no valor dos elencos, nos grandes jogadores e nas seleções favoritas. Para ele, investimento e talento são importantes, mas não garantem resultados sem organização, disciplina e clareza sobre como executar um plano.
“Equipes menos badaladas frequentemente conseguem avançar porque possuem organização, disciplina e clareza sobre como executar seu plano de jogo. O talento individual chama atenção, mas é o sistema coletivo que transforma estratégia em performance”, afirma Dema Oliveira.
A Copa do Mundo de 2026 reforça essa característica. Seleções com menor investimento conseguem competir contra adversários considerados superiores porque apresentam algo que grandes elencos nem sempre conseguem construir: um sistema coletivo capaz de transformar estratégia em comportamento dentro de campo.
Essa é uma reflexão que, segundo Dema Oliveira, deveria interessar diretamente aos líderes empresariais.
No mundo corporativo, existe uma tendência de supervalorizar aquilo que é mais visível. Empresas buscam novas tecnologias, profissionais reconhecidos e estratégias sofisticadas, mas frequentemente ignoram um ponto fundamental: nenhuma estratégia gera resultado se a organização não tiver capacidade operacional para executá-la de forma consistente.
Para o CEO da Goshen Land, muitas empresas não deixam de crescer por falta de boas ideias. Elas deixam de crescer porque possuem processos frágeis, excesso de dependência de pessoas específicas e dificuldade de transformar decisões estratégicas em rotinas executadas diariamente.
Esse desafio também aparece na trajetória de empreendedores que enfrentaram dificuldades e encontraram caminhos para construir novas oportunidades. No Recôncavo Baiano, histórias como a da massoterapeuta Marli Reis mostram como superação, dedicação e empreendedorismo podem transformar realidades.
Leia também:
Massoterapeuta Marli Reis compartilha trajetória de superação e empreendedorismo no Recôncavo
Esse cenário não é apenas uma percepção de mercado. Um estudo publicado pela Harvard Business Review aponta que uma parcela significativa das estratégias corporativas não alcança os resultados esperados por falhas na implementação. O problema, muitas vezes, não está na qualidade do planejamento, mas na distância entre a estratégia definida pela liderança e aquilo que realmente acontece na operação.
Na avaliação de Dema Oliveira, esse é um dos maiores desafios das organizações: transformar decisões estratégicas em comportamentos repetidos e eficientes.
Na gestão de operações, esse fenômeno está relacionado ao conceito de variabilidade operacional. Quanto maior a diferença na forma como pessoas e áreas executam uma mesma atividade, maior a imprevisibilidade dos resultados. Empresas maduras criam sistemas que reduzem essa variação e permitem repetir boas decisões com consistência.
No futebol, essa lógica é evidente. Uma equipe pode possuir jogadores extraordinários, mas se cada atleta interpreta o jogo de uma maneira diferente, o talento individual não se transforma em performance coletiva.
“Uma organização pode reunir excelentes profissionais, assim como uma seleção pode reunir grandes jogadores, mas sem clareza sobre processos, responsabilidades e tomada de decisão, o resultado será inconsistente”, destaca Dema Oliveira.
Nas empresas, a lógica é a mesma. Uma organização pode contratar excelentes profissionais, mas sem processos organizados, indicadores claros e uma cultura de execução, o crescimento passa a depender de pessoas específicas, e não de uma estrutura capaz de sustentar a expansão.
O momento atual torna essa discussão ainda mais relevante. Com o avanço da inteligência artificial e das novas tecnologias, muitas organizações buscam ferramentas para acelerar produtividade e inovação.
Porém, para Dema Oliveira, tecnologia não substitui gestão. Ela potencializa aquilo que já existe.
Uma empresa com processos claros e uma cultura de execução consegue extrair muito mais valor das novas tecnologias. Já uma empresa desorganizada corre o risco de apenas automatizar problemas antigos e aumentar a velocidade dos próprios erros.
A Copa do Mundo de 2026 também desperta outros debates relacionados ao evento esportivo, incluindo questões comerciais e publicitárias envolvendo marcas e patrocinadores.
Leia também:
Campanha pede à FIFA Copa do Mundo sem publicidade de refrigerante
Ao concluir sua reflexão, Dema Oliveira destaca que a principal lição da Copa para o mundo dos negócios é que o mercado continua admirando estrelas, mas resultados consistentes pertencem às organizações que conseguem fazer seus talentos trabalharem dentro de um sistema eficiente.
Artigo: Dema Oliveira, CEO da Goshen Land
Fonte: Goshen Land



















Imagem ilustrativa sobre amizade, bem-estar e saúde mental. Foto: Gerd Altmann/Pixabay.





















































































