Em discurso na noite de hoje, 16, em Natal (RN), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que, assim como em seus governos anteriores, acabar com a fome e a sede voltará a ser seu principal objetivo caso seja eleito e volte a governar o Brasil em 2023. Ele destacou dois programas feitos para combater esses males no Nordeste: a transposição do Rio São Francisco e o programa nacional de cisternas.
“Nós resolvemos fazer a transposição e eu tive o prazer de inaugurar um canal de 640 quilômetros, feito às custas da fé do povo deste país. Eu não concebia a ideia de uma parte desse país ver sua cabrinha morrer, ver seu cachorro morrer sem ter um pouco d’água para beber. Além disso, fizemos 1,29 milhão de cisternas para a casa das pessoas e mais 169 mil cisternas para produção e depois que nós deixamos o governo parou”, ressaltou.
No ato, em seu primeiro dia de viagem por estados do Nordeste, ele também lembrou que colocou a fome como seu principal alvo, antes mesmo de tomar posse como presidente em 1º de janeiro de 2003.
“Vocês lembram em 2002, quando eu fui eleito presidente, eu disse que a gente ia acabar com a fome neste país. No dia 10 de dezembro, eu não tinha tomado posse, eu fui convidado pelo presidente Bush para ir aos EUA e ele me convidou para entrar na guerra do Iraque. Eu falei “presidente, eu não conheço o Iraque, não conheço o Saddam Hussein, o Iraque está a 14 mil km de distância do Brasil, eu não vou guerrear com ele, vou guerrear com a fome no meu país”, recordou o ex-presidente.
Ele também recordou a campanha contra a fome e a desigualdade no mundo, que tentou organizar após sair da Polícia Federal, em 2019, em uma visita ao papa Francisco e ao Conselho Mundial de Igrejas. “Mas aí veio a Covid e eu precisei passar 2 anos em casa”, lamentou.
Para Lula, a situação atual do Brasil, onde 33 milhões de pessoas enfrentam a fome diariamente, não é diferente da que ele mesmo viveu quando criança, no interior de Pernambuco, e que fez parte da sua trajetória pessoal e política. “Eu, Luiz Inácio Lula da Silva, em 1952, saí de pau de arara de Caetés para morar em São Paulo, à procura de oportunidade exatamente por causa da seca, exatamente por causa da fome e 70 anos depois, o Brasil continua quase que do mesmo jeito”, ressaltou.
Protesto contra a barbárie
No início de seu discurso, Lula pediu aos milhares de pessoas presentes ao ato, no estacionamento da Arena das Dunas, que fizessem um minuto de silêncio em homenagem ao indigenista Bruno Pereira e ao jornalista britânico Dom Phillips, assassinados brutalmente no Amazonas enquanto investigavam invasões e crimes praticados em terras indígenas, como garimpo e pesca ilegais.
“Nós temos que protestar contra a barbárie que está tomando conta deste país na Amazônia, na periferia de Natal, do Rio de Janeiro, de Pernambuco. Não se tem mais respeito pelo ser humano. Um minuto de silêncio é o mínimo que a gente pode fazer para prestar nossa homenagem às pessoas que lutam pela democracia, pela liberdade e pela dignidade”, afirmou o ex-presidente.
Lula também fez um elogio à participação das mulheres na política do Rio Grande do Norte, que é governado por Fátima Bezerra (PT). “É o estado que mais elegeu governadoras mulheres desde a proclamação da República e o voto feminino foi conquistado por uma mulher de Mossoró, que entrou na Justiça para ter direito a votar”, destacou.


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