O El Niño deve ganhar força nos próximos meses e pode aumentar os impactos sobre a produção de alimentos no Brasil, com reflexos nos preços pagos pelos consumidores. O fenômeno climático tem mais de 90% de probabilidade de atingir intensidade muito forte entre setembro e novembro de 2026, segundo o boletim mais recente elaborado por órgãos como INMET, INPE, ANA, Cemaden e Censipam.
Os modelos também indicam que o El Niño deve permanecer pelo menos até o início de 2027. A NOAA aponta ainda 69% de probabilidade de que o episódio entre outubro e dezembro de 2026 seja histórico em intensidade, embora os impactos sobre cada região não sejam automáticos.
O fenômeno é provocado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial e altera os padrões de circulação atmosférica. No Brasil, os efeitos podem incluir períodos de chuva abaixo da média em áreas do Norte e Nordeste e chuvas mais intensas no Sul.
Como o clima pode afetar os alimentos
A alteração no regime de chuvas e nas temperaturas pode prejudicar lavouras, reduzir a produtividade e aumentar os custos de produção. Em algumas regiões, a falta de chuva pode elevar a necessidade de irrigação e aumentar o risco de incêndios. Em outras, o excesso de chuva pode dificultar o plantio e a colheita.
Frutas, verduras e legumes tendem a sentir mais rapidamente os efeitos de eventos climáticos extremos. Mas os impactos podem alcançar também grãos, leite e carnes.
Uma eventual redução na produção de milho e soja, por exemplo, pode elevar o custo da ração utilizada na criação de aves, suínos e bovinos, aumentando a pressão sobre toda a cadeia de produção.
Além da produção no campo, o transporte também pode ser afetado. Secas podem prejudicar a navegação em rios, enquanto chuvas intensas podem provocar alagamentos, deslizamentos e interrupções em rodovias. Esses problemas aumentam os custos para que os produtos cheguem ao consumidor.
Famílias de menor renda podem sentir mais
Uma eventual alta dos alimentos tende a pesar mais no orçamento das famílias de menor renda, que destinam uma parcela maior de seus recursos à alimentação.
Quando os preços sobem, essas famílias têm menos margem para absorver o aumento ou substituir produtos por alternativas mais baratas, comprometendo recursos destinados a outras despesas essenciais.
Riscos para além do supermercado
Os possíveis impactos do El Niño não se limitam à produção agrícola. O cenário climático também pode aumentar o risco de secas, incêndios, ondas de calor, chuvas intensas e inundações em diferentes regiões.
O boletim mais recente do INMET destaca a necessidade de acompanhamento contínuo das condições meteorológicas, especialmente diante da possibilidade de impactos sobre áreas vulneráveis.
Em setembro de 2026, o INMET prevê chuvas abaixo da média em setores do Nordeste e do Norte, enquanto áreas do Sul, Sudeste e Centro-Oeste podem registrar volumes acima da média em determinados períodos.
Prevenção é recomendada
O acompanhamento das previsões meteorológicas e dos alertas oficiais é importante para reduzir os riscos. A preparação de produtores, empresas e órgãos públicos pode ajudar a diminuir os prejuízos provocados por eventos extremos.
Para a população, a orientação é acompanhar os comunicados da Defesa Civil e seguir as recomendações emitidas pelas autoridades em situações de risco.
Com informações do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e material enviado pela assessoria de imprensa.
Texto adaptado por Hélio Alves / Tribuna do Recôncavo
















Imagem de hansmarkutt por Pixabay









Imagem de Free-Photos por Pixabay





















Image by GraphicMama-team from Pixabay




























Imagem de Jan Mallander por Pixabay

Image by Steve Buissinne from Pixabay



Imagem ilustrativa de Егор Камелев por Pixabay








Imagem de PayPal.me/FelixMittermeier por Pixabay



