O encerramento do terceiro dia da Bienal do Livro Bahia contou com a apresentação da filósofa e escritora Djamila Ribeiro. Autora de obras como Lugar de Fala, Quem tem medo do Feminismo Negro?, Pequeno manual antirracista e Cartas para minha avó, Djamila touxe para o Café Literário a palestra Avós, Filhas e Netas, onde falou sobre a sua relação com a literatura, as influências no seu caminho de escritora e, mais do que isso, sua formação enquanto leitora.

A mesa foi mediada pela jornalista Denny Finergut e lotou o Café Literário, um dos espaços da Bienal do Livro Bahia. A plateia contou com espectadores ilustres e que já se apresentaram na Bienal de Livros Bahia, como os escritores Itamar Vieira Junior e Ailton Krenak.

Djamila fez questão de destacar que a sua condição de escritora está diretamente ligada ao fato de ter crescido em uma casa onde a leitura era incentivada, sobretudo pelo pai. “Meu pai presenteava a gente com livros e nos apresentou outras possibilidades. Eu tive esse privilégio”, revelou.

A vida da autora, por sua vez, ganhou um novo significado quando ela foi trabalhar na ONG Casa de Cultura da Mulher Negra, em Santos, cidade onde nasceu, e teve acesso às obras de diversas escritoras negras. “Descobrir a literatura de mulheres negras me salvou”, disse.

Com o seu trabalho, além de vender os próprios livros e divulgar as próprias ideias, Djamila tem ajudado a resgatar diversas autoras negras que não tiveram o devido reconhecimento em suas épocas ou foram esquecidas pelo tempo. A exemplo da obra O olho mais azul, de Toni Morrison, cujo prefácio da sua edição mais recente publicada no Brasil é assinado por Djamila.

No bate-papo, ela trouxe também a importância daquelas mulheres que a originaram e são seus maiores exemplos de força e luta contra o racismo, no caso a sua mãe e a sua avó, a quem dedica o livro Cartas para a minha avó. “Meu pai me ensinou a estudar, mas foi minha mãe que me ensinou a andar de espinha ereta”, disse.

Outro ponto levantado no encontro foi a necessidade de se romper o estigma de que a mulher negra deve ser forte a todo momento e, por isso, não terem o direito de chorar ou expressar qualquer tipo de dor. “Quero me dar o direito de ser humana”, concluiu.