No último sábado, dia 3 de dezembro, a plataforma educacional Força Meninas anunciou em um evento online as vencedoras da quarta edição do prêmio Mude O Mundo Como Uma Menina. Mais de 400 meninas de 13 a 21 anos de todo o Brasil inscreveram suas iniciativas e ações comunitárias no projeto que visa incentivar o desenvolvimento e a entrada das jovens em áreas Stem (sigla em inglês para ciência, tecnologia, engenharia e matemática).

A seleção foi feita por mulheres profissionais, que são referência nessas áreas, como a física Sônia Guimarães, Natália Pasternak, doutora em microbiologia e presidenta do Instituto Brasileiro Questão de Ciência, a professora doutora Renata Muniz Prazo, da UnB, a doutora em Filosofia (PhD) Daniela Gomes, professora na Universidade Estadual de San Diego, além de Pascale Thivierge, gerente do Programa de Diplomacia Política e Pública do Consulado do Canadá, em São Paulo.

Clara Beatriz Maciel Nunes Dourado, 10 anos, de Irecê (BA), criou o projeto Casinha de Livros, para reduzir a dificuldade de acesso a livros literários no sertão baiano. Pelo projeto, foram montadas casinhas de madeira (minibibliotecas) em praças públicas das cidades, facilitando a leitura a interessados. Foi uma das dez finalistas do Prêmio Jabuti 2022, na categoria três, inovação e fomento à leitura. Com os recursos do prêmio, sonha publicar alguns de seus livros e, assim, inspirar outras jovens escritoras.

Veja abaixo as demais vencedoras em cada uma das categorias individuais do prêmio: 

Categoria Determinada:

  • Isabela Rodrigues Silva, de Sol Nascente (DF): Aos 18 anos, é uma jovem líder que luta por mais oportunidades e por uma educação de qualidade para os jovens de baixa renda das escolas públicas. Aos seus 17 anos ganhou o Prêmio Diana, estabelecido pelo governo britânico em memória da Princesa Diana, para celebrar os feitos de jovens líderes visionários de todo o mundo que se destacaram por demonstrar capacidade de inspirar e mobilizar as novas gerações ao serviço de suas comunidades. Sua maior motivação para ganhar o prêmio é poder estudar fora do país, e melhorar as condições de vida de seus pais.

Categoria Líder:

  • Luísa Beatriz de Oliveira Santi, de São Bernardo do Campo (SP): Ativista pelos direitos humanos e justiça climática, Luísa está ligada a vários movimentos. Como parte do Climate Activist Defenders, já ajudou a evacuar vários ativistas ambientais em situação de risco e foi uma das principais organizadoras dos protestos #NoMoreWars que aconteceram em mais de uma centena de cidades. Foi uma das 15 pessoas do Terceiro Mundo selecionadas com uma bolsa full-ride para participar do Climate Social Camp na Itália, onde teve a oportunidade de palestrar sobre a decolonização do movimento climático e acompanhar o encontro europeu Fridays For Future. Ela acredita que é possível mudar o mundo como uma menina, pois mudar o mundo significa honrar todas as que lutaram pelos direitos desfrutados hoje e continuar seu legado.

Categoria Pioneira:

  • Mariana Vale Taveira, de Brasília (DF): Estudante de 16 anos, multimedalhista em competições científicas nacionais e internacionais, Mariana é pesquisadora em astrofísica e defende a igualdade de gênero em Stem. No ano passado, foi premiada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações pela detecção de dez asteroides. Pretende usar o valor da premiação para expandir o Projeto Sem Parar, que auxilia meninas a se prepararem para participar de olimpíadas científicas, e levá-lo presencialmente a escolas públicas do Distrito Federal e entorno.

Categoria Visionária:

  • Dandara Medeiros Da Silva, de Carapicuíba (SP): Aos 21 anos, a jovem, preta e trans, vive numa ocupação em Carapicuíba, em São Paulo. Amante da arte e da natureza, é educadora, ativista e pesquisadora em Engenharia da Computação. Primeira da família a entrar na universidade, tem aberto caminhos para outras em espaços como o Unicef e a UJS. Foi ganhadora do hackathon da 99jobs realizado só para pessoas negras, cujo objetivo é mitigar as desigualdades da sociedade. Seu projeto vencedor está em desenvolvimento pela ONU. Dandara ainda é professora no cursinho popular da Rede Emancipa, que leva educação gratuita para jovens periféricos, participa também do projeto Geração que Move do Unicef e ONG NOSSAS onde criou uma campanha de mobilização urbana. É militante do coletivo estudantil da UJS, e faz parte do projeto Cósmicas (Programa de Lideranças Femininas) do Instituto Tomie Ohtake, focado no protagonismo feminino. Foi pesquisadora em um projeto de iniciação científica, realizando pesquisas nas áreas de Neuromecânica e Ergonomia para pessoas PCDs.

Categoria Mobilizadora: Meninas premiadas em anos anteriores e que ajudaram a mobilizar meninas para a premiação em 2022.

Celinna Landin – 15 anos – Ceará

Graziela Doche – 18 anos – Distrito Federal

Sabrina Cabral – 22 anos – Ceará

Ingrid Pereira – 19 anos – Alagoas

Categoria Juntas Somos Força:

  • Mulheres de Fibra, de Macapá (AP)
  • Our Legacy, de Florianópolis (SC)
  • Tec inclusão , de Feira de Santana (BA)
  • Calflower – Corretivo sustentável para o solo, de Betim (MG)
  • Curativo biodegradável para o tratamento de lesões cutâneas e seus benefícios ambientais, de São José dos Campos (SP)

Premiação

Por meio do apoio institucional do consulado do Canadá e das empresas ERM Consultoria em Sustentabilidade e Banco Original, além do apoio da Secretaria Municipal de Juventude de Fortaleza e da Unidade de Educação Básica (Unieb) Santa Maria Distrito Federal, a ação premiará as ganhadoras das categorias individuais com a quantia de R$ 5 mil, para ser investida em sua liderança, e a participação em um programa de doze semanas que engloba curso e mentoria.

A jovem Mobilizadora premiada vai receber um notebook para facilitar a execução de seus trabalhos e também ganhará um convite para a mentoria. A cada selecionada na categoria Juntas Somos Força serão entregues R$ 2,5 mil para custear sua iniciativa e mais um programa de mentoria em Inteligência Financeira, Economia Verde, Empreendedorismo para Nova Economia e Liderança.

Participar do evento representa a oportunidade de se conectar à rede da Força Meninas, um negócio de impacto social com reconhecimento internacional. É também a única organização brasileira membro do Solve [ED], plataforma de desenvolvimento de empreendedorismo e impacto social com foco em jovens, do famoso MIT, o Massachusetts Institute of Technology, nos Estados Unidos, uma das escolas mais renomadas do mundo em inovação.

“Para nós, é muito motivador ter a participação de tantas meninas inspiradoras em suas comunidades. São jovens que representam muito bem a transformação necessária na atualidade para uma sociedade mais igualitária. O prêmio tem o objetivo de fortalecê-las e incluí-las em ambientes de decisão e protagonismo”, diz Déborah De Mari, fundadora do projeto.

Sobre a Força Meninas

Força Meninas é uma plataforma de impacto social cuja missão é fortalecer o potencial das meninas, capacitando-as com as habilidades necessárias para que sejam protagonistas das oportunidades futuras. Com esse propósito, fomenta a transformação na vida das meninas brasileiras, apoiando a construção de um novo futuro para elas. Desde sua criação em 2016 já são mais de 52 mil meninas sensibilizadas em 23 estados e 29 cidades no Brasil.

Crédito: Agência Lema