De pé, Ana. Deitada, Sofia. Enfermeira e paciente. Uma, inteira. A outra, aos pedaços. É a partir deste encontro que o padre Fábio de Melo mergulha em profundas reflexões sobre a morte. O novo livro é, na verdade, uma ode à vida. Em A hora da essência, o sacerdote analisa a importância de reconciliar-se com si mesmo e valorizar a vida antes que seja tarde demais.
Morrer requer liturgia. Da verdade. Viver o rito que nos põe diante de nós. Caem as escamas, vedam-se os caminhos, não sobrando mais respiro para as caricaturas que criamos de nós mesmos. Morrer requer coerência. Fazer o caminho de volta, redescobrir o sabor do manancial da verdade, estar em si, inteiramente reconciliado com as escolhas que lhe tornaram quem é. (…) O resultado de quem sacrifica e celebra é a vida na essência. Nada pode ser mais realizador. Não espere a morte para conquistar tão nobre riqueza. (A hora da essência, p. 3 )
A história começa antes mesmo de Sofia conhecer sua companheira de quarto, que espontaneamente, sem mais explicações, decide dedicar parte de suas férias para cuidar da paciente recém-chegada. Internada às pressas, a protagonista se depara com a notícia de que não irá sobreviver ao câncer, diagnosticado inicialmente no pâncreas, mas que acometeu também outros órgãos. (mais…)