Venda de fazenda arrendada não retira os direitos do produtor rural

Imagem ilustrativa de Ronald Plett por Pixabay

A venda de uma fazenda arrendada é uma situação mais comum do que muitos produtores imaginam e, ao contrário do que se acredita, não encerra automaticamente o vínculo entre arrendatário e propriedade. O novo comprador assume os direitos e obrigações do antigo dono, desde que exista contrato válido, ainda que seja verbal. No Brasil, a legislação agrária estabelece regras claras para proteger quem está produzindo, garantindo a continuidade dos contratos vigentes mesmo quando há mudança de proprietário. Ignorar esses direitos ou desconhecer as obrigações legais pode expor o produtor a riscos jurídicos, operacionais e financeiros.

O arrendamento rural é um instrumento que assegura estabilidade à atividade produtiva, e sua vigência deve ser respeitada independentemente da negociação de venda da área. Diante desse cenário, é fundamental que os produtores rurais estejam atentos às garantias previstas na legislação e saibam como agir para preservar seus direitos e evitar prejuízos. ‘Informação e segurança jurídica são fatores decisivos para assegurar a continuidade da produção e a sustentabilidade das atividades’, destaca o advogado Nassim Kassem Fares, especialista em Direito Imobiliário do escritório Álvaro Santos Advocacia e Consultoria no Agro e mestrando em Direito do Agronegócio.

O primeiro e mais importante passo é a formalização do contrato por escrito, ainda que o verbal tenha validade. Esse documento constitui o principal instrumento de prova da relação jurídica e das condições pactuadas. ‘O contrato escrito é a base de toda a proteção legal do arrendatário. Sem ele, o produtor fica em situação extremamente vulnerável, com dificuldades para comprovar seus direitos perante o novo proprietário’, explica o advogado. (mais…)

ARTIGO: Os supersalários e seus penduricalhos

Foto: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil

Por Wagner Balera – Doutor em Direito das Relações Sociais

Não é de hoje que esse assunto está na mesa de discussão. Aliás, foi devidamente disciplinado no teor da Constituição de 1988, cujas Disposições Transitórias, no art. 17, assim explicitam a questão:

‘Art. 17. Os vencimentos, a remuneração, as vantagens e os adicionais, bem como os proventos de aposentadoria que estejam sendo percebidos em desacordo com a Constituição serão imediatamente reduzidos aos limites dela decorrentes, não se admitindo, neste caso, invocação de direito adquirido ou percepção de excesso a qualquer título.’

Veja você, leitor. As letras da Lei Maior abrangem tudo: remuneração, vantagens, adicionais. Só não querem entender. Falta definir o que pode ser considerado supersalário. Isso depende do grau de correlação entre a menor remuneração e a máxima, no âmbito do Serviço Público, em todas as esferas de poder.

Suponhamos que o piso salarial seja de pelo menos um salário-mínimo e o teto de vinte vezes esse valor. Evidentemente, nas diferentes funções seria estabelecida uma escala de níveis, respeitados os dois limites. E, naturalmente, ninguém pode receber além do máximo que, no Brasil, corresponde ao subsídio do Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). (mais…)

Conflito no Oriente Médio reacende debate sobre imigração nos EUA

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A recente escalada de tensão envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã reacendeu discussões sobre segurança nacional e política migratória nos Estados Unidos, levando autoridades a reforçarem protocolos de monitoramento em aeroportos e pontos estratégicos. Em cenários de instabilidade internacional, é comum que o governo americano intensifique análises de segurança e amplie o rigor nas revisões de vistos e processos consulares.

Para o advogado de imigração Murtaz Navsariwala, no entanto, é fundamental separar o impacto político do impacto jurídico concreto. ‘Conflitos geopolíticos naturalmente geram apreensão, especialmente entre profissionais e famílias que planejam imigrar para os Estados Unidos. Contudo, é importante esclarecer que um evento militar isolado não altera automaticamente categorias de visto, critérios de elegibilidade ou regras do Green Card. O sistema imigratório americano é regido por legislação e regulamentos específicos, e qualquer mudança relevante exige atos formais do Executivo ou do Congresso’, afirma.

Segundo o especialista, o efeito mais provável no curto prazo é o aumento do rigor nas checagens de segurança e possíveis ajustes administrativos nos tempos de processamento. ‘Em momentos de maior tensão internacional, é comum observar revisões mais detalhadas de antecedentes e, eventualmente, solicitações adicionais de documentação. Isso pode gerar atrasos pontuais, mas não representa, por si só, mudança nas regras estruturais do sistema migratório’, explica. Ele ressalta ainda que discursos políticos associando imigração à segurança nacional tendem a ganhar força em contextos de crise, especialmente em períodos de debate eleitoral, mas isso não significa alteração automática em quotas de visto ou categorias como EB-2 NIW e demais modalidades baseadas em qualificação profissional.

Para brasileiros que estão em processo ou consideram iniciar um planejamento migratório, o momento exige cautela informada, e não decisões precipitadas. ‘Interromper ou adiar um projeto bem estruturado apenas por receio gerado pelo noticiário pode trazer prejuízos estratégicos. Cada caso deve ser analisado individualmente, com base técnica e visão de longo prazo. Até o momento, não há anúncio de mudança normativa que altere diretamente os principais caminhos legais utilizados por profissionais qualificados’, pontua Murtaz. Ele reforça que políticas migratórias estruturais dependem de medidas oficiais devidamente publicadas e que o acompanhamento jurídico adequado é essencial para atravessar períodos de instabilidade com segurança e previsibilidade. As informações têm caráter geral e não substituem a análise individualizada de cada caso concreto.

Murtaz Navsariwala e o Murtaz Law

TST fará audiência pública sobre aumento de jornada em atividades insalubres

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O Tribunal Superior do Trabalho realizará, em 12/3, a partir das 9h, uma audiência pública para discutir a validade de norma coletiva que autoriza regime de trabalho que estende a jornada em ambiente insalubre, independentemente da licença prévia da autoridade competente. O tema é tratado num recurso submetido à sistemática dos recursos repetitivos (Tema 149) para a formação de precedentes vinculantes.

O caso está sob a relatoria do ministro Douglas Alencar Rodrigues, que assina o edital em que comunica a realização da audiência e abre prazo para inscrições. O objetivo é ouvir depoimentos de pessoas com experiência e conhecimento na matéria.

Os interessados em participar da audiência, tanto como expositores quanto como ouvintes, deverão apresentar manifestação até as 20h da próxima sexta-feira (13), exclusivamente por meio do formulário eletrônico disponível para este fim. Os pedidos de inscrições realizados por outros meios não serão recebidos, inclusive por petição nos autos, correspondência física ou eletrônica enviada a qualquer setor do TST.

A questão jurídica discutida no Tema 149 é a seguinte: (mais…)

ARTIGO SOBRE PAI QUE MATOU FILHOS – Não foi amor. Foi controle.

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Por Danda Coelho – bacharel em Direito.

Um homem, alegando traição, matou os dois próprios filhos e depois tirou a própria vida. Deixou uma carta. Pediu perdão. Tentou explicar. Tentou justificar o injustificável.

Eu li sobre o caso. Li trechos da carta. Li comentários que se espalharam nas redes como se fossem sentenças. E, como mulher, como mãe de dois filhos e como fundadora do Movimento Mulheres Cuidando de Mulheres, eu não consigo, e não vou, ficar em silêncio.

Não foi uma fatalidade.
Não foi uma tragédia inexplicável.
Não foi excesso de amor.

Foi um crime brutal. Foi uma decisão. Foi um ato de violência com intenção. (mais…)

CARNAVAL: Assédio x importunação sexual: advogada explica a diferença e reforça a importância de denunciar a violência contra a mulher neste período

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Por Lianne Macedo Soares – ADVOGADA.

O Carnaval é uma das maiores festas populares do Brasil, caracterizado por celebrações, desfiles e eventos que atraem milhões de pessoas. No entanto, essa época também pode ser marcada por um aumento nos casos de violência contra a mulher. Denunciar casos de violência ajuda a proteger a vítima e impede que o agressor continue a cometer abusos. A denúncia é o primeiro passo para garantir que a vítima receba o apoio necessário, como medidas protetivas e assistência psicológica.

A coordenadora do curso de Direito da Faculdade Anhanguera e especialista em Direito Penal, Ma. Lianne Macedo Soares, destaca que é essencial denunciar qualquer tipo de violação contra o público feminino e ampliar essa rede de apoio às mulheres.

‘Falar de violências de qualquer natureza e principalmente formalizar a denúncia desperta o debate social e as inquietações das pessoas em geral, fator que contribui para que os órgãos competentes responsáveis por esse contexto realizem ações e criem medidas cada vez mais efetivas contra esses crimes. Além disso, é uma forma de as mulheres encontrarem acolhimento e denunciar os casos de violência’ analisa. (mais…)