Um dia após a confirmação de que o indigenista Bruno Pereira e o jornalista Dom Phillips foram assassinados no Vale do Javari, no Amazonas, a Escritório de Direitos Humanos da ONU cobrou nesta quinta-feira (16/06) que autoridades brasileiras reforcem os órgãos federais responsáveis pela proteção a povos indígenas ao meio ambiente.
“Instamos as autoridades brasileiras a ampliar seus esforços para proteger os defensores dos direitos humanos e os povos indígenas de todas as formas de violência e discriminação, tanto por parte de atores estatais quanto não estatais”, disse a porta-voz da organização, Ravina Shamdasani.
O órgão também cobrou as autoridades a tomar “medidas para prevenir e proteger os territórios indígenas de incursões de agentes ilegais, inclusive pelo fortalecimento dos órgãos governamentais responsáveis pela proteção dos povos indígenas e do meio ambiente (Funai e Ibama)”.
O texto afirma que “ataques e ameaças contra defensores de direitos humanos ambientais e povos indígenas, incluindo aqueles em isolamento voluntário, continuam persistentes”. Os membros do Escritório de Direitos Humanos da ONU disseram ainda estar “profundamente entristecidos pela informação sobre o assassinato de Dom Phillips e Bruno Araújo Pereira”.
“Nós expressamos nossas profundas condolências às suas famílias… Este ato brutal de violência é terrível e apelamos às autoridades estatais que garantam que as investigações sejam imparciais, transparentes e minuciosas, e que seja concedida reparação às famílias das vítimas”, afirma o texto.
Na quarta-feira (15/06), a Polícia Federal afirmou que o pescador Amarildo da Costa de Oliveira, conhecido como “Pelado”, confessou que matou Dom Phillips e Bruno Pereira e levou investigadores a um local onde restos mortais foram encontrados. O material foi enviado para perícia para que haja confirmação de que se trata dos corpos de Bruno e Dom. Entretanto, as informações colhidas até o momento indicam:
- três suspeitos de envolvimento direto na morte de Bruno e Phillips;
- um suposto envolvido na tentativa de ocultar os restos mortais, já recolhidos pela PF, que podem ser do jornalista e do indigenista;
- e um possível mandante.
Bruno da Cunha de Araújo Pereira era indigenista e servidor da Funai (Fundação Nacional do Índio). Ele estava licenciado do cargo e assessorando a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), principal associação indígena local, num projeto para coibir invasões ao território indígena.
Já Dom Phillips era jornalista e colaborador de diversos jornais no exterior, entre eles o britânico The Guardian. Ele morava no Brasil havia 15 anos e era casado com uma brasileira. Dom viajou para o extremo oeste da Amazônia acompanhado de Bruno para coletar dados para um livro que estava escrevendo sobre como salvar a floresta.
Editado pelo Tribuna do Recôncavo | Fonte: G1
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