Depois de cinco anos, o Festival Paisagem Sonora – Formação, Gestão e Difusão da Música está de volta. De 17 a 19 de novembro, sua quarta edição transformará a cidade de Santo Amaro (BA) em um grande palco para conferências, atividades de formação, intervenções urbanas e shows que colocam em foco a música como representação de culturas, afirmação identitária, compartilhamento de saberes, diálogos interculturais e inovação tecnológica.

O evento busca não apenas intervir, mas, sobretudo, revelar as paisagens e riquezas sonoras do Recôncavo da Bahia, colocando história, ancestralidades e manifestações populares em diálogo com a contemporaneidade e as tendências mundiais. A programação, totalmente gratuita, inclui 12 mesas de debate, um curso sobre direitos autorais, três oficinas, lançamentos e 12 shows.

A proposta do festival nasceu, em 2013, como uma homenagem ao pesquisador canadense Murray Schafer, criador das expressões “ecologia acústica”, “esquizofonia”, “som fundamental” e “paisagem sonora” – conceito que se refere à análise do universo sonoro que nos rodeia. Neste ano, o evento reverencia a viola machete como elemento singular e destaca sua repercussão nas formas de apresentação do samba chula, afro-sambas, pagodão e em outras sonoridades contemporâneas que têm matrizes nos elementos do samba de roda da região.

O Festival Paisagem Sonora faz parte do Paisagem Sonora – Programa de Promoção da Música do Recôncavo da Bahia, que objetiva promover a valorização da diversidade musical contemporânea a partir das tradições originárias de matrizes africanas e indígenas da música. Desde maio, o Programa, que tem apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa e à Extensão (FAPEX) e da Pró-Reitoria de Extensão (Proext), vem desenvolvendo iniciativas de formação, qualificação profissional e difusão, de modo a contribuir para a promoção do intercâmbio entre fazedores da cultura, artistas, profissionais da música e a comunidade acadêmica.

Um resultado deste processo foi a “Ocupa Ação Criativa”, realizada em julho, que, entre variadas atividades, promoveu a instalação do “Códice Brasil-África”, um painel de 70 metros por 2 de altura, do artista visual J. Cunha, que permanece enfeitando o pátio do Pavilhão de Aulas do Cecult, que recebe boa parte da programação do Festival Paisagem Sonora.

COLETIVO XARÉU

Uma das ações continuadas do Programa de Promoção da Música do Recôncavo da Bahia é o Coletivo Xaréu. Criado em 2011 por professores da UFRB, atualmente se mantém como uma atividade de extensão que reúne mais de 20 músicos, cantores e beatmakers, dentre estudantes bolsistas e voluntários, sob coordenação do maestro Sólon Mendes. Na prática do ensino-aprendizagem, sua proposta é criar um repertório de referências da musicalidade do Recôncavo Baiano – como as filarmônicas, o candomblé, o samba de roda, o pagode e a sofrência –, conectado com timbragens, arranjos e grooves da música urbana e contemporânea do mundo, numa estética sonora híbrida. O repertório dialoga ainda com elementos da música pop e até com a eletrônica, incluindo beats do trap e acid jazz, por exemplo. Boa parte das composições e arranjos é autoral, fruto dos laboratórios que ocorrem de maneira conjunta aos ensaios, que acontecem regularmente duas vezes por semana: um permanente laboratório de experimentação. “O diálogo entre os saberes acadêmicos e populares representa a maneira como está estruturado este projeto. Um dos pressupostos pedagógicos que permeiam o Coletivo Xaréu é de que a teoria seja uma reflexão da prática”, detalha Sólon Mendes.

PROGRAMAÇÃO DIA 1

A abertura do IV Paisagem Sonora se dará no dia 17 de novembro, quinta-feira, das 9h às 12h, no Pavilhão de Aulas do Cecult, com a saudação dos Alabês e a Mesa #01, “Artivismos urbanos: vagalumes, formigas e borboletas em alianças”, que receberá a dupla Cíntia Fernandes (UERJ) e Micael Herschmann (UFRJ), em que apresentam resultados de uma longa pesquisa com redes musicais que ocupam o espaço público na cidade do Rio de Janeiro e na qual foi identificado um crescimento exponencial das práticas artivistas, que vêm pautando o ambiente artístico-intelectual na contemporaneidade.

Das 14h às 16h, também no Pavilhão de Aulas do Cecult, duas mesas com trabalhos selecionados em chamada pública tematizam “Gêneros, pós-gêneros, sexualidades e práticas musicais”, na Mesa #02, e “Música em diálogo: palcos, presenças e personas”, na Mesa #03. Das 16h às 17h30, no mesmo local, uma primeira oficina aberta de música traz Anderson do Samba com a prática “DNA Samba Reggae – Diálogo, negritude e ancestralidade”, em que trata dos mestres e ritmos variados do samba e da música afro-brasileira, apresentando uma breve história, além de técnicas e ritmos de instrumentos.

Às 19h, o Arquivo Público de Santo Amaro recebe o lançamento da terceira edição da “Revista Trilhos”, periódico editado pelo Cecult/UFRB com artigos científicos e trabalhos não acadêmicos que apresentam possibilidades de fluxos interdisciplinares na cultura, na arte e na ciência.

A partir das 20h, o Pavilhão de Aulas do Cecult recebe a primeira noite de shows, começando com a prata da casa, o Coletivo Xaréu, seguido de Anderson do Samba & Solista Qué Base, Vox Sambou e Afrocidade.

PROGRAMAÇÃO DIA 2

A segunda data do Paisagem Sonora, 18 de novembro, sexta-feira, começa com três mesas acontecendo ao mesmo tempo, das 9h às 12h, no Pavilhão de Aulas do Cecult: Mesa #04 – “Cartografias, sons, redes e fluxos”, Mesa #05 – “Música em diálogo: a psicanálise, o improviso e o teatro” e Mesa #06 – “Indicadores Culturais_01”, que integra o Seminário Integrativo da Pós-graduação Lato Sensu em Políticas e Gestão Cultural, apresentando e discutindo trabalhos de levantamento de indicadores culturais.

Ao meio-dia, é hora de receber com feijoada a chegada da 13ª edição da “Caminhada pela vida e liberdade religiosa”, realizada por Baba Pote e Ilê Axé Oju Onirê, de onde o cortejo parte às 8h da manhã. Também ao meio-dia e até as 16h, é ativado o “Estúdio África Santo Amaro”, que faz parte do “Festival Estúdio África”, resultado de residência artística com a premiada fotógrafa africana Fatoumata Diabaté, com idealização da antropóloga Goli Guerreiro. As fotógrafas baianas Íria Barbosa, Íris Lopes Brito e Maia Gonçalves, que participaram da experiência formativa, montam um estúdio e convidam o público a ser retratado em uma atmosfera retrô e estilizada, numa ambientação baseada na regionalidade do interior baiano e na expressão dos movimentos populares da década de 1980.

Para iniciar a tarde, das 14h às 16h, no Arquivo Público, a #Mesa #07 – “Fomento, difusão e internacionalização da música” recebe como convidados Eulícia Esteves (Funarte), Gabriel Lunelli (músico e compositor), Giba Gonçalves (Batalá Mundo) e Vince Athayde (Hack Modular). Em seguida, das 16h às 17h30, no Pavilhão de Aulas do Cecult, haverá mais uma oficina aberta de música, desta vez com Pedro Marighella em “Reivindicar poderes da contemporaneidade para o Recôncavo Baiano: uma introdução ao uso do sampler SP404”, em que, a partir de instruções sobre a manipulação do clássico sampler SP404 da Roland, serão trazidas reflexões sobre a superação do subdesenvolvimento, analisando a distribuição de formas e poderes oferecidas pelas elites tradicionais no grande projeto de poder brasileiro.

À noite, às 19h, tem lançamento de livros no Arquivo Público e, às 20h, mais uma série de shows no Pavilhão de Aulas do Cecult, com Neila Kadhí, o encontro de Pedro Marighella e Pedro Filho, Sued Nunes e IFÁ feat Lazzo Matumbi.

PROGRAMAÇÃO DIA 3

No sábado, 19 de novembro, o IV Paisagem Sonora novamente começa com três mesas concomitantes, das 9h às 12h, no Pavilhão de Aulas do Cecult: Mesa #08 – “Cenas musicais negras e decoloniais”, Mesa #09 – “Formação em música e artes” e Mesa #10 – “Indicadores Culturais_02”, segunda atividade do Seminário Integrativo da Pós-graduação Lato Sensu em Políticas e Gestão Cultural.

Das 14h às 16h, as duas últimas mesas com trabalhos selecionados: Mesa #11 – “Paisagens sonoras e cultura da conectividade” e Mesa #12 – “Política, gestão e economia da música”. Depois, das 16h às 17h30, tem a terceira oficina aberta de música, “Princípios básicos de mixagem para DJs”, em que Ian Valentin apresenta aspectos fundamentais para uma boa mixagem, por meio do software Traktor Pro.

A noite de encerramento, a partir das 20h, terá Samba Chula Renovação, Roberto Mendes, DJ Ian Valentin e Aila Menezes, fechando o evento no Pavilhão de Aulas do Cecult.

CURSO DE DIREITOS AUTORAIS

A advogada Verônica Aquino, especialista em Política, Gestão e Produção Cultural, com experiência nos aspectos jurídicos do fazer cultural e gestão de direitos autorais, ministra o curso “Pra quem quer viver de arte: direitos autorais na prática”, que se desenvolve nos três dias do evento, no Arquivo Público de Santo Amaro, das 16h às 19h, totalizando uma carga horária de 9 horas. Em linguagem acessível, o curso objetiva instrumentalizar participantes a respeito das questões basilares dos direitos autorais, com seus fundamentos e princípios, conceitos-chave, limitações, modalidades de utilização, repercussão econômica, transações e práticas associativas. Também buscará promover o entendimento sobre direitos autorais aplicados ao mercado da música, focados em execução pública e presença no ambiente digital, e as habilidades para análise de contratos. Com 70 vagas, esta atividade exige inscrição prévia, abertas até 7 de novembro no site www.paisagemsonorabahia.org.

IV FESTIVAL PAISAGEM SONORA

Formação, Gestão e Difusão da Música

Quando: 17 a 19 de novembro de 2022 (quinta a sábado)

Onde: Santo Amaro – Bahia

Pavilhão de aulas do Cecult | Arquivo Público de Santo Amaro | Ruas da cidade

Quanto: Programação totalmente gratuita

Site: www.paisagemsonorabahia.org

Apoio Cultural: Secretaria Municipal de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer – Prefeitura de Santo Amaro, Educadora FM Bahia e TVE Bahia

Apoio: Fundação de Apoio à Pesquisa e à Extensão (FAPEX) e Pró-Reitoria de Extensão (Proext)

Realização: Centro de Cultura, Linguagens e Tecnologias Aplicadas da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (Cecult/UFRB) e Fundação Nacional de Artes (Funarte)

 

PROGRAMAÇÃO

 

17 de novembro (quinta)

9h às 12h: ABERTURA + MESA #01

Saudação dos Alabês + Artivismos urbanos: vagalumes, formigas e borboletas em alianças 

Com: Cíntia Fernandes (UERJ) e Micael Herschmann (UFRJ)

Mediação: Nadja Vladi (UFRB)

Onde: Pavilhão de Aulas do Cecult

14h às 16h: MESA #02

Gêneros, pós-gêneros, sexualidades e práticas musicais

Mediação: Tatiana Lima (UFRB)

Onde: Pavilhão de Aulas do Cecult

14h às 16h: MESA #03

Música em diálogo: palcos, presenças e personas

Mediação: Lia Lordelo (UFRB)

Onde: Pavilhão de Aulas do Cecult

16h às 17h30: OFICINA DE MÚSICA #01

DNA Samba Reggae – Diálogo, negritude e ancestralidade

Com: Anderson do Samba

Onde: Pavilhão de Aulas do Cecult

16h às 19h: CURSO DIA 1

Pra quem quer viver de arte: direitos autorais na prática

Com: Verônica Aquino

Onde: Arquivo Público

19h às 20h: LANÇAMENTO #01

Revista Trilhos

Onde: Arquivo Público

A partir das 20h: SHOWS

Com: Coletivo Xaréu + Anderson do Samba & Solista Qué Base + Vox Sambou + Afrocidade

Onde: Pavilhão de Aulas do Cecult

 

18 de novembro (sexta)

9h às 12h: MESA #04

Cartografias, sons, redes e fluxos

Mediação: Nadja Vladi (UFRB)

Onde: Pavilhão de Aulas do Cecult

9h às 12h: MESA #05

Música em diálogo: a psicanálise, o improviso e o teatro

Mediação: Lucio Agra (UFRB)

Onde: Pavilhão de Aulas do Cecult

9h às 12h: MESA #06

Indicadores Culturais_01

Mediação: Mariella Pitombo (UFRB)

Onde: Pavilhão de Aulas do Cecult

12h às 14h: CHEGADA DA CAMINHADA PELA VIDA E LIBERDADE RELIGIOSA E FEIJOADA

Onde: Pavilhão de Aulas do Cecult

12h às 16h: ESTÚDIO ÁFRICA SANTO AMARO

Com: Íria Barbosa, Íris Lopes Brito e Maia Gonçalves

Onde: Pavilhão de Aulas do Cecult

14h às 16h: MESA #07

Fomento, difusão e internacionalização da música

Com: Eulícia Esteves (Funarte), Gabriel Lunelli (músico e compositor), Giba Gonçalves (Batalá Mundo) e Vince Athayde (Hack Modular)

Mediação: Daniele Canedo (UFRB)

Onde: Arquivo Público

16h às 17h30: OFICINA DE MÚSICA #02

Reivindicar poderes da contemporaneidade para o Recôncavo Baiano: uma introdução ao uso do sampler SP404

Com: Pedro Marighella

Onde: Pavilhão de Aulas do Cecult

16h às 19h: CURSO DIA 2

Pra quem quer viver de arte: direitos autorais na prática

Com: Verônica Aquino

Onde: Arquivo Público

19h às 20h: LANÇAMENTO #02

Lançamento de livros

Onde: Arquivo Público

A partir das 20h: SHOWS

Com: Neila Kadhí + Pedro Marighella e Pedro Filho + Sued Nunes + IFÁ feat Lazzo Matumbi

Onde: Pavilhão de Aulas do Cecult

 

19 de novembro (sábado)

9h às 12h: MESA #08

Cenas musicais negras e decoloniais

Mediação: Nadja Vladi (UFRB)

Onde: Pavilhão de Aulas do Cecult

9h às 12h: MESA #09

Formação em música e artes

Mediação: Anderson Brasil (UFRB) e Jorge Lampa (UFRB)

Onde: Pavilhão de Aulas do Cecult

9h às 12h: MESA #10

Indicadores Culturais_02

Mediação: Daniele Canedo (UFRB)

Onde: Pavilhão de Aulas do Cecult

14h às 16h: MESA #11

Paisagens sonoras e cultura da conectividade

Mediação: Tatiana Lima (UFRB)

Onde: Pavilhão de Aulas do Cecult

14h às 16h: MESA #12

Política, gestão e economia da música 

Mediação: Luciano Simões (UFRB) e Rodrigo Heringer (UFRB)

Onde: Pavilhão de Aulas do Cecult

16h às 17h30: OFICINA DE MÚSICA #03

Princípios básicos de mixagem para DJs

Com: Ian Valentin

Onde: Pavilhão de Aulas do Cecult

16h às 19h: CURSO DIA 3

Pra quem quer viver de arte: direitos autorais na prática

Com: Verônica Aquino

Onde: Arquivo Público

A partir das 20h: SHOWS

Com: Samba Chula Renovação + Roberto Mendes + DJ Ian Valentin + Aila Menezes

Onde: Pavilhão de Aulas do Cecult

 

ASCOM