Por Oberdan Pandolfi Ermita – economista.
É possível, sim, concertar os interesses que compõem a equação amazônica, hoje estancada em um debate político polarizado e estéril. Urge um diagnóstico realista e corajoso, que pavimente o caminho entre anseios e realidade. Empacado em perigosa zona de conforto, o debate prestigia os extremos em conflito. Uns querem destruir totalmente, outros manter a Amazônia intocada. No centro, 29 milhões de amazônidas fazem no cotidiano a escolha entre preservar e sobreviver.
De forma simplificada, prevalecem dois extremos de percepção da questão amazônica.
Num lado, os defensores incongruentes da liberdade invocam princípios como propriedade privada, soberania, livre iniciativa, mas não aceitam cumprir o código ambiental. Naquilo que lhes convém, clamam pela Lei. Argumentam que a questão ambiental é mero protecionismo, e as mudanças climáticas um pano de fundo para o neocolonialismo.
No outro extremo, os ambientalistas neomalthusianos acreditam num cataclisma ambiental global e defendem uma Amazônia intocável, trazendo propostas cada vez mais restritivas. Não aceitam o código ambiental como um instrumento soberano e legítimo. Nutrem a polarização entre “agronegócio e agricultura familiar”. Ao questionarem a legitimidade da propriedade privada, inibem soluções como o pagamento por serviços ambientais. (mais…)


Floresta Amazônica | Foto: Pedro Devani/ SecomAC 
Na foto, usina fotovoltaica em operação desde janeiro | Crédito: Alessandra Vale 
Foto: Nonato Sanskey 
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Imagem de succo por Pixabay
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