Por Lycia Bellintani e Caio do Espirito Santo – hematologistas.
De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), 11.540 novos casos de leucemia são registrados a cada ano no Brasil. Na Bahia, a estimativa é de 680 novos casos por ano. A leucemia é um tipo de câncer que surge na medula óssea, a fábrica do sangue. As células doentes se proliferam desordenadamente dentro da medula, dificultando a fabricação normal do sangue, provocando sintomas como sangramento, anemia e infecções. A doença pode afetar pessoas de diferentes faixas etárias, inclusive crianças, como no caso da Leucemia Linfoblástica Aguda que mais frequentemente acontece em pacientes dessa idade.
Embora a leucemia seja um tipo de câncer hematológico com causas ainda pouco conhecidas, muitas pesquisas já associam vários fatores de risco a alguns tipos da doença. Dentre os fatores, herança genética, tabagismo, idade aumentada, infecções no início da vida, exposição ambiental ao benzeno, à radiação ionizante e a agrotóxicos e solventes, além de exposição a altas doses de radioatividade e quimioterapia prévia.
Para esclarecer dúvidas sobre a doença, os hematologistas Lycia Bellintani e Caio do Espirito Santo, da equipe da Oncoclínicas, responderam algumas perguntas:
1) Anemia pode causar leucemia?
O hematologista Caio do Espirito Santo esclarece que “anemia não causa leucemia, mas pode ser um dos sintomas apresentados por um paciente com leucemia”. A anemia, condição na qual há uma redução da quantidade de glóbulos vermelhos ou de hemoglobina no sangue, tem várias causas. Pode ser decorrente de deficiências nutricionais, como de ferro, vitamina ou e ácido fólico. Outras causas podem ser as doenças crônicas e hereditárias, assim como as leucemias e os linfomas.
Já a leucemia é um tipo de câncer hematológico que afeta os leucócitos (glóbulos brancos), responsáveis pelo sistema imunológico. Com a produção excessiva e descontrolada de leucócitos doentes, a defesa do organismo fica comprometida.
2) É possível prevenir a leucemia?
A leucemia é uma neoplasia hematológica de origem ainda pouco conhecida e com sinais e sintomas decorrentes da disfunção na produção das células do sangue. Através de um simples exame de sangue, como o hemograma, é possível detectar alterações hematológicas que podem indicar a suspeita de leucemia.
Para a hematologista Lycia Bellintani, o fato de grande parte dos pacientes diagnosticados com leucemia não apresentar fatores de risco conhecidos modificáveis é mais um indicativo da importância da prevenção através dos exames de sangue periódicos. ‘É importante estarmos atentos aos sinais do corpo. No caso das leucemias, os principais sintomas são relacionados à alteração na produção das células da medula óssea, levando à anemia, sangramentos e infecções. Os exames laboratoriais são fundamentais para identificar possíveis alterações em fases iniciais’, explica.
‘Quando o exame de sangue aponta a suspeita de uma leucemia, o paciente deve ser encaminhado para a realização de um mielograma, exame especifico que analisa as células sanguíneas produzidas pela medula óssea para verificar a presença de células anormais’, acrescenta o hematologista Caio do Espirito Santo.
3) Quando o transplante de medula óssea é a única opção, o paciente passa a depender da compatibilidade e da doação de algum membro da família?
Embora exista mais possibilidade de compatibilidade entre irmãos, pais e filhos, a doação não é algo restrito a familiares próximos. O Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (REDOME) consegue conectar doadores cadastrados e receptores compatíveis em todo o Brasil e até em bancos internacionais.
4) Qual são os principais sintomas da leucemia?
Infecções persistentes ou recorrentes, perda de peso sem motivo aparente, palidez, cansaço extremo, falta de energia, febres inexplicáveis ou suores noturnos, aumento de gânglios, hematomas, sangramentos sem causas aparentes e até desconforto abdominal (decorrente do aumento do baço e do fígado) são alguns sintomas que podem indicar uma leucemia.
‘Ao notar alterações e sintomas persistentes, é preciso buscar imediatamente um hematologista para investigação’, finaliza Lycia Bellintani.
Texto: Carol Campos.


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