O brasileiro Thiago Paulino, atleta do Time Ajinomoto, perdeu neste sábado (4) a medalha de ouro na prova do arremesso de peso do atletismo, válida pelos Jogos de Tóquio. Após um recurso do Comitê Paralímpico da China, o júri de apelação, última instância do IPC (Comitê Paralímpico Internacional), decidiu anular dois dos arremessos válidos do brasileiro. Com isso, seu único resultado válido de 14,77 m o deixou na terceira posição, com o bronze. O ouro ficou com Wu Guoshan, da China, com 15 metros e novo recorde paralímpico da classe F57, para atletas que competem em cadeira de rodas (sequelas de poliomielite, lesões medulares e amputações).
De acordo com o recurso da China, um vídeo mostrava irregularidades nos arremessos de Thiago Paulino. O CPB (Comitê Paralímpico Brasileiro) levou ao júri imagens das transmissões de TV da prova, sem qualquer indício de problema. A alegação, de acordo com o CPB, é que o vídeo enviado pelo comitê chinês seria de outro ângulo, mas ele não foi mostrado aos dirigentes brasileiros. Não cabe mais recurso para apelação e a cerimônia de entrega de medalhas foi realizada na madrugada deste sábado (4).
PERNA AMPUTADA
Muito antes de se tornar um campeão no atletismo, Thiago tinha vontade de ser jogador de futsal, mas não chegou a concretizar seu sonho. Já adulto, atuava como segurança de um shopping em Ribeirão Preto, São Paulo, até 2010. Em dezembro daquele ano, no entanto, um grave acidente mudaria a vida dele. Ao cair de moto na rodovia enquanto voltava para casa em Orlândia, ele não só perdeu o pé esquerdo, prensado pelo veículo, como também teve uma série de complicações que o levaram a ter a perna esquerda amputada até a região do joelho.
Foram 40 dias de internação e de tristeza no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, mas os sentimentos negativos foram suplantados pelas novidades que viriam pela frente. A motivação aumentou após a alta hospitalar e depois que Thiago conseguiu uma primeira prótese de madeira com R$ 13 mil que arrecadou em uma festa beneficente. Aos 25 anos, ele começava a treinar o arremesso na gruta, um parque público da cidade, com a ajuda de um treinador apresentado por Rodrigo.
Mais focado do que o antigo Thiago e com a ajuda de amigos, o atleta treinava ao menos quatro horas por dia, além do trabalho físico na academia. Ainda sem equipe, Thiago começou a competir em 2011 e já chamava atenção em pé ou na cadeira de rodas, no disco ou no peso, e as primeiras medalhas de ouro vieram nos Jogos Regionais. Desde então, nunca mais parou de competir e hoje coleciona vitórias em mundiais, Jogos Para-Pan-Americanos e Paralímpicos.
Fontes: Race Comunicação e G1

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