Por Ivan Rios — Diretor de Base do Sindae-BA, graduando em Direito pela UNEB e empregado da Embasa.
Entre os dias 30 de junho e 14 de julho de 2026, participei de uma comitiva institucional de intercâmbio acadêmico e cultural na República Popular da China, viabilizada pela cooperação entre a Universidade do Estado da Bahia (UNEB), a Embaixada da China no Brasil, o Ministério da Educação da China (CLEC) e a Universidade Normal de Tianjin.
A experiência ultrapassou o campo diplomático e acadêmico formal, proporcionando uma reflexão profunda sobre desenvolvimento, planejamento, tecnologia e organização social em uma das maiores nações do mundo.
Além das atividades acadêmicas, visitas ao Centro de Experiência Cultural da Língua Chinesa e uma imersão no polo de inovação tecnológica da BYD (Di Space), a missão permitiu conhecer aspectos do cotidiano chinês por meio do transporte público, mercados populares, feiras livres e espaços urbanos da cidade de Tianjin.
Retornar ao Brasil após vivenciar a dinâmica de uma nação com mais de 1,4 bilhão de habitantes representa uma oportunidade de ampliar o debate sobre soberania, desenvolvimento e os caminhos possíveis para superar desafios históricos.
Durante muito tempo, a compreensão sobre a China no Ocidente esteve marcada por interpretações simplificadas e distantes da realidade cotidiana do país. A experiência presencial permite observar aspectos que muitas vezes ficam fora dos debates tradicionais.
A redução da pobreza: planejamento e políticas públicas de longo prazo
A transformação social chinesa desperta atenção mundial pelos resultados alcançados nas últimas décadas. O país retirou centenas de milhões de pessoas da pobreza extrema, em um processo associado a investimentos em infraestrutura, educação, industrialização, geração de empregos e expansão dos serviços públicos.
Entre 2012 e 2020, programas específicos foram desenvolvidos para combater a pobreza extrema, especialmente nas áreas rurais, buscando ampliar o acesso da população à moradia, renda, saúde e educação.
A experiência chinesa demonstra como políticas públicas estruturadas e planejadas a longo prazo podem provocar grandes mudanças sociais.
Tecnologia, inovação e soberania produtiva
A visita aos centros tecnológicos, especialmente ao espaço de práticas da BYD, revelou como a China articula inovação, indústria e sustentabilidade.
O país tornou-se referência mundial em setores estratégicos como veículos elétricos, energias renováveis, tecnologia e infraestrutura.
A expansão da rede ferroviária de alta velocidade chinesa mostra como o planejamento pode integrar grandes centros urbanos e regiões mais afastadas, fortalecendo a mobilidade e o desenvolvimento econômico.
Mais do que avanços tecnológicos, a experiência evidencia a importância de investir continuamente em ciência, educação e capacidade produtiva.
Para conhecer também outra reflexão de Ivan Rios sobre cultura e história local, confira o artigo publicado pela Tribuna do Recôncavo: Ivan Rios conta quem foi Pedro Kilkerry e destaca homenagem na Câmara Municipal.
Segurança, organização urbana e qualidade dos serviços públicos
Um dos aspectos marcantes da vivência em território chinês foi observar a organização das grandes cidades.
Mesmo em áreas densamente povoadas, percebe-se uma estrutura urbana baseada em transporte coletivo, planejamento e oferta de serviços públicos.
A experiência mostra que qualidade de vida envolve diversos fatores, incluindo educação, oportunidades, infraestrutura e políticas sociais.
O Brasil diante do desafio de construir seu próprio caminho
Conhecer diferentes modelos de desenvolvimento é fundamental para ampliar o debate e buscar soluções para os desafios brasileiros.
A experiência chinesa oferece reflexões importantes sobre planejamento, inovação, valorização da educação e fortalecimento de setores estratégicos como saneamento, ciência e tecnologia.
O intercâmbio acadêmico e cultural é uma ferramenta importante para ampliar conhecimentos, promover diálogo entre povos e compreender diferentes realidades. Saiba mais sobre a importância dessas experiências em Intercâmbio estudantil: entenda sua importância.
Para o Brasil, a principal lição é a necessidade de construir um projeto próprio de desenvolvimento, considerando suas características, potencialidades e desafios.
A viagem à China representa mais do que uma experiência acadêmica. É uma oportunidade de reflexão sobre os caminhos que podem contribuir para uma sociedade mais desenvolvida, soberana e justa.
Grandes transformações sociais são resultado de escolhas, planejamento e investimentos contínuos. Cabe ao Brasil construir sua própria trajetória, aprendendo com experiências internacionais e valorizando suas próprias potencialidades.
Ivan Rios
Nota da Redação: As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor e não representam, necessariamente, o posicionamento editorial da Tribuna do Recôncavo.































Imagem de Charles Echer por Pixabay










































































