O recente vazamento de dados envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que expôs informações de cerca de dois milhões de brasileiros, reacendeu um debate que cresce silenciosamente nos bastidores da era digital: até onde nossos dados realmente estão seguros? Em um país onde transações bancárias, cadastros públicos e até documentos pessoais circulam em velocidade recorde pela internet, especialistas apontam que o Brasil vive uma escalada inédita de ameaças cibernéticas.
O caso do INSS não surgiu isolado. Ele se soma a outros episódios de grande repercussão, como o vazamento de mais de 46 milhões de chaves PIX e 9 milhões de CPFs registrados em Pernambuco em 2025. Para a Fortinet, os ataques deixaram de ser ações artesanais conduzidas por hackers individuais e passaram a operar como uma verdadeira indústria digital do crime. Como uma cebola tecnológica, as ameaças atuais escondem múltiplas camadas de atuação: reconhecimento de sistemas vulneráveis, invasões automatizadas, roubo silencioso de credenciais e sequestro de informações estratégicas.
Segundo relatório da empresa, o Brasil sofreu 753,8 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos apenas em 2025. Entre os principais movimentos identificados estão mais de 5 bilhões de varreduras ativas para identificação de falhas em sistemas, além de 187,5 milhões de atividades relacionadas à distribuição de malwares — crescimento de 535% em comparação ao ano anterior. Os especialistas alertam que muitos desses programas maliciosos atuam justamente no roubo silencioso de dados pessoais e corporativos.
Outro ponto que chama atenção é o avanço dos ataques de ransomware, modalidade criminosa que sequestra informações e exige pagamento para devolução dos acessos. Em 2025, foram registrados 35 mil incidentes desse tipo no Brasil. Além disso, houve 1,4 bilhão de tentativas de invasão por força bruta, técnica usada para descobrir senhas e acessar sistemas de forma ilegal.
Apesar do cenário preocupante, especialistas em segurança digital destacam que as ferramentas de defesa também evoluíram nos últimos anos. Entre as estratégias consideradas mais eficazes estão os sistemas de prevenção contra perda de dados (DLP), criptografia de informações, autenticação multifator e modelos de segurança conhecidos como Zero Trust.
O conceito Zero Trust vem ganhando força especialmente em empresas e órgãos públicos. A lógica é simples: ninguém deve ser considerado confiável automaticamente dentro de um sistema digital. Toda tentativa de acesso precisa passar por verificações contínuas, mesmo quando parte de usuários internos da organização. A estratégia inclui autenticação reforçada, segmentação de rede e limitação rigorosa de acessos.
Para especialistas da Fortinet, o grande desafio atual não está apenas em reagir aos ataques, mas em antecipá-los. Em um ambiente onde criminosos utilizam inteligência artificial para acelerar invasões e automatizar golpes, a proteção digital deixou de ser apenas um setor técnico e passou a ocupar posição estratégica para governos, empresas e cidadãos.
Crédito: Divulgação/Fortinet | Adaptado pela Tribuna do Recôncavo
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