A Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) defende medidas para reduzir o desperdício de energia renovável no Brasil, ampliar o armazenamento de eletricidade e garantir segurança jurídica aos investimentos no setor elétrico. Em posicionamento divulgado em outubro de 2026, a entidade apresentou três compromissos para o período de 2027 a 2030, com propostas voltadas à expansão do mercado, à geração de empregos e à universalização do acesso à energia.
Segundo a associação, 17,2% do potencial de geração solar e eólica do país foi cortado no primeiro trimestre de 2026. Os cortes, conhecidos como curtailment, ocorrem quando a geração disponível não pode ser integralmente aproveitada, entre outros fatores, por limitações da rede, falta de demanda ou de capacidade de armazenamento.
Para a ABSOLAR, a ampliação do armazenamento por baterias e o estímulo ao consumo interno de energia limpa podem reduzir essas perdas e contribuir para a competitividade da economia.
A entidade também defende a realização dos leilões de reserva de capacidade para sistemas de baterias, previstos para 2 e 4 de dezembro de 2026. A proposta é estabelecer uma agenda anual de contratações, ampliar a flexibilidade do sistema elétrico e reduzir a necessidade de acionamento de termelétricas.
Outro ponto destacado é a atração de data centers e de indústrias que demandam grandes volumes de eletricidade. A ABSOLAR avalia que esses investimentos podem aproveitar parte da energia renovável atualmente desperdiçada, desde que acompanhados de planejamento energético e ampliação das redes de transmissão e distribuição.
A associação também pede a redução da carga tributária sobre baterias, incentivos para projetos de armazenamento e regras claras para a expansão do mercado livre de energia. Nesse segmento, a abertura para consumidores comerciais, industriais e residenciais deverá ocorrer de forma gradual, conforme o calendário previsto na legislação citada pela entidade.
Três compromissos para o setor elétrico
A ABSOLAR apresentou três eixos de atuação para o governo federal, os governos estaduais e o Congresso Nacional entre 2027 e 2030.
O programa Bateria Brasil propõe a contratação anual de sistemas de armazenamento, com meta de 8 gigawatts (GW) de capacidade de grande porte até 2030, além de incentivos tributários e integração de baterias a instalações solares.
Já o Energia que Emprega busca ampliar o consumo interno de eletricidade limpa por meio de data centers, indústrias de baixo carbono, hidrogênio verde e eletromobilidade. A iniciativa prevê viabilizar 18 GW em novas usinas solares.
O terceiro eixo, Sol para Todos, propõe levar energia solar e baterias a 3 milhões de unidades consumidoras e substituir geradores a diesel em sistemas isolados por soluções de energia solar com armazenamento.
A presidente do Conselho de Administração da ABSOLAR, Bárbara Rubim, defende previsibilidade regulatória, cumprimento das regras de ressarcimento por cortes de geração e boa execução dos leilões de baterias.
O CEO da entidade, Rodrigo Sauaia, afirma que o Brasil pode transformar sua matriz renovável em vantagem competitiva para atrair investimentos, gerar empregos e ampliar o acesso à eletricidade.
A ABSOLAR informa que pretende manter diálogo com os governos, o Congresso Nacional e os órgãos reguladores para contribuir com políticas públicas voltadas à segurança energética e ao desenvolvimento sustentável.
Com informações da ABSOLAR.

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