Levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) aponta que 68,8% dos casos de câncer de ovário com estadiamento conhecido chegaram aos hospitais nos estádios III ou IV, considerados avançados. Os dados são de 2023 e foram obtidos a partir do Registro Hospitalar de Câncer (RHC), sob gestão do Instituto Nacional de Câncer (INCA).
Entre os casos de câncer do colo do útero com estadiamento conhecido, 38% estavam nos estádios III e IV. Nos tumores do corpo do útero, a proporção foi de 36,7%. Os percentuais consideram apenas os registros que tinham informação sobre o estágio da doença e não representam todos os diagnósticos realizados no Brasil.
Os dados ganham destaque em setembro, mês de conscientização sobre os cânceres ginecológicos. Segundo estimativas do INCA, os cânceres do colo do útero, corpo do útero e ovário devem somar 36.980 novos casos por ano no Brasil entre 2026 e 2028.
Câncer de ovário
Dos 1.244 casos de câncer de ovário registrados no RHC em 2023, 855 tinham informação sobre o estadiamento. Desses, 588 estavam nos estádios III ou IV. Outros 267 estavam nos estádios 0, I ou II.
No câncer de ovário, os sintomas podem ser pouco específicos, como inchaço persistente na barriga, dor abdominal ou pélvica, sensação de saciedade após comer pouco, alterações intestinais e aumento da frequência urinária. Histórico familiar e alterações genéticas, como mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, podem aumentar o risco.
Para os cânceres de ovário e do corpo do útero, não existe rastreamento de rotina recomendado para todas as mulheres sem sintomas e sem risco aumentado. Por isso, a atenção aos sinais da doença e a avaliação médica são importantes.
Colo do útero
O câncer do colo do útero está relacionado à infecção persistente por determinados tipos de HPV. É o único dos três tumores que possui vacinação e estratégia populacional de rastreamento para identificar infecções e lesões precursoras.
O SUS está implantando gradualmente o teste DNA-HPV como principal método de rastreamento. Onde o exame ainda não está disponível, o Papanicolau continua sendo utilizado.
A SBCO destaca que o tratamento depende do tipo e da extensão do tumor. Cirurgia, quimioterapia e radioterapia podem ser indicadas conforme o estágio da doença e as condições de cada paciente.
Com informações da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO).
Texto adaptado por Hélio Alves / Tribuna do Recôncavo.

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