A professora da rede estadual de ensino, Maria Isabel Gonçalves, que leciona no Colégio Estadual Rui Barbosa, localizado no município de Boninal (BA), está entre os dez educadores de todo o país finalistas da 23ª edição do Prêmio Educador Nota 10, com o projeto “As filosofias de minha avó: poetizando memórias para afirmar direitos”.
O prêmio está aberto para votação popular pelo endereço (premioeducadornota10.org). A votação segue até o dia 27 de outubro. A professora Maria Isabel é a única representante da Bahia neste que é considerado o mais importante prêmio da Educação Básica brasileira, que visa reconhecer e valorizar educadores de escolas públicas e privadas da Educação Básica de todo o país. A professora fala sobre a inspiração para o projeto.
“O legado de minha bisavó Iaiá Lia, rezadeira da Umburana, que acolhia toda as comunidades quilombolas do entorno em Santo Reis, foi o que me fez adentrar na procura por uma filosofia decolonial, pelas filosofias de minha avó, propondo caminhos para redescobrir também as filosofias das avós de meus jovens alunos, as iaiás e seus saberes cheios de encantamentos. Este reconhecimento é para elas, pois as suas memórias são um legado para refazer o caminho de volta ao Ubuntu. Ao me inscrever no projeto, sonhei alto em poder divulgar para o Brasil este chamado às memórias e todas as suas possibilidades para a aprendizagem”, afirmou.
A educadora não escondeu a satisfação pelo reconhecimento do seu trabalho através do prêmio.
“Ser um dos dez professores finalistas do Brasil é poder dar esse reconhecimento para o grande legado que está em cada comunidade rural, em cada comunidade negra do Sertão da Chapada. Ver o projeto selecionado me faz acreditar com mais força neste sonho de transformar a educação, partindo do que está bem aqui, pertinho de nós”, comemorou.
Maria Isabel falou sobre a simbologia deste resgate das memórias das avós.
“Este projeto foi a possibilidade de demarcar o nosso próprio espaço, rico em filosofias. Os saberes ancestrais são a filosofia viva para que os estudantes tenham sempre esse ponto de partida. As memórias nos abrem para o universal, as questões fundamentais, a cultura, o patrimônio, o território, bem como para as questões sociais, ambientais e políticas. Elas são um convite para as descobertas e afirmação de nossa identidade enquanto Sertão Chapada. Tudo está ali naquela conversa com as nossas avós”, destacou.
Sobre o prêmio
O Prêmio Educador Nota 10 foi criado em 1998, pela Fundação Victor Civita que, desde 2014, realiza a premiação em parceria com a Abril, Globo e Fundação Roberto Marinho. O prêmio é dividido em três fases. Na primeira, foram escolhidos 50 finalistas. Dentre eles, foram selecionados os dez vencedores de 2020. Já o Educador do Ano será divulgado durante a premiação, com data ainda a ser definida. Cada um dos premiados ganha um vale-presente no valor de R$ 15 mil. O Educador do Ano, escolhido pela Academia de Jurados, recebe outro vale-presente, também no valor de R$ 15 mil. As escolas dos vencedores também recebem uma verba para a celebração.
Editado pelo Tribuna do Recôncavo | Informações: SEC


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