Nos últimos anos, os movimentos feministas têm atraído cada vez mais atenção da sociedade. Entre as principais pautas defendidas por eles figuram a igualdade jurídica, política e social relativas aos gêneros. Tal paridade congrega, assim, diversos elementos, a exemplo de direitos trabalhistas, liberdades civis, equiparação salarial e divisão do trabalho doméstico.
Noutra perspectiva, o movimento trata também do combate às diversas formas de opressão que se manifestam cultural e socialmente contra as mulheres, tais como o assédio moral, psicológico e físico, bem como a imposição de padrões de beleza e comportamento. Contudo, mesmo estando sob os holofotes, há todo um estereótipo ao redor daquelas que se dizem feministas. Muitos acreditam que são mulheres que não usam maquiagem, não se depilam e odeiam homens, para citar alguns dos rótulos mais comuns.
Talvez, devido a essas visões equivocadas, a identificação com o movimento não seja tão expressiva. Na década de 1920, por exemplo, feministas eram chamadas de “solteironas”, sendo frequentes artigos que especulavam sobre suas preferências sexuais. Mais de um século depois, esse tipo de ótica parece continuar, de certa maneira, existindo. E, referente ao tema, no último estudo realizado pela Famivita, a necessidade do feminismo praticamente dividiu opiniões, posto que 48% das mulheres apontaram que o movimento não é imprescindível.
Interessante mencionar que especialmente as mulheres mais jovens disseram que o feminismo é necessário, pois 58% delas responderam positivamente acerca disso, entre os 18 e os 24 anos. Já dos 35 aos 39 anos, 43% destacaram o movimento como fundamental, contra 41%, na faixa etária dos 40 aos 44 anos.
Os dados obtidos por estado mostraram que Roraima é a região em que mais mulheres consideram o feminismo essencial, com 75%. Em São Paulo e Santa Catarina esse número foi de 54% e 57%, respectivamente. Já Ceará e Alagoas empataram com 55% das entrevistadas respondendo afirmativamente em relação ao assunto.
Três mulheres primordiais
A emergência de movimentos civis em busca de direitos tem suas origens fincadas na Revolução Francesa (1789), que bebeu na fonte dos ideais Iluministas. Todavia, embora nesse relevante contexto histórico os direitos dos homens tenham sido ampliados na França, a mulher não foi inicialmente alcançada pela mudança.
Fazendo um recorte no tempo, três mulheres, especialmente, são vistas como ícones do movimento feminista. Primeiramente, a ativista francesa Olympe de Gouges (1748-1793), que escreveu a “Declaração dos direitos da mulher e da cidadã”, em 1791, sendo, dois anos depois, condenada à morte. Depois, a educadora inglesa Mary Wollstonecraft (1759-1797), quem em 1972 publicou o artigo “Reivindicação dos direitos da mulher”. Nele, Mary defendia veementemente que as mulheres deveriam ter o mesmo acesso que os homens à educação formal.
Posteriormente, a filósofa Rosa Luxemburgo (1871-1919) trouxe à luz o debate acerca da condição da mulher operária. Importante lembrar que, como movimento organizado, o feminismo só surgiria no século XIX, em um cenário efervescente inspirado pela Revolução Industrial, ocorrida na segunda metade do século XVIII.
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