Reforma Agrária na Bahia: Governo investe R$ 23 milhões em assentamentos rurais

Agricultores familiares em assentamento na Bahia durante ação de inclusão produtivaFoto: Laila Brito-SDR

No Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária, celebrado em 17 de abril, o Governo da Bahia reforça o apoio à agricultura familiar com o lançamento do edital pelo projeto Bahia que Produz e Alimenta. Executada pela CAR (Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional), a iniciativa destina R$ 23 milhões para a diversificação alimentar e formação de redes produtivas. O objetivo central é beneficiar 2.051 famílias assentadas, promovendo inclusão social e geração de renda por meio de políticas públicas estruturantes.

A estratégia estadual também inclui um pacote robusto de ações anunciado pela Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR). Além do edital, serão investidos 6 milhões em inclusão produtiva. Segundo a secretária Elisabete Costa, essas medidas visam fortalecer a soberania alimentar e garantir a titulação de terras, oferecendo segurança jurídica e dignidade para as famílias que vivem nos assentamentos rurais baianos após as mobilizações do MST.

O foco dos novos investimentos está na modernização dos assentamentos, com foco em agroindústrias e práticas agroecológicas sustentáveis. O edital prioriza a capacitação de jovens e mulheres, além de incentivar o manejo correto do solo e da água. De acordo com a diretoria da CAR, essa estrutura é fundamental para agregar valor à produção e ampliar o acesso dos assentados aos mercados consumidores, consolidando a Reforma Agrária na Bahia como um pilar de desenvolvimento econômico sustentável.

Redação: Tribuna do Recôncavo | Informações: SDR/CAR.

Marcha do MST chega a Salvador e ocupa a Alba em defesa da Reforma Agrária

Foto: Letícia Oliveira

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocupou a Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) nesta sexta-feira (17) para um ato político em memória aos 30 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás. A sessão especial relembrou o episódio brutal ocorrido no Pará, em 1996, onde 21 trabalhadores foram assassinados, data que hoje marca o Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária. Com ritos, cantos e uma intervenção simbólica utilizando caixões nos corredores da Casa, cerca de dois mil manifestantes reforçaram o pedido de justiça e o fim da impunidade no campo.

O evento celebrou também a conclusão da Marcha Estadual pela Reforma Agrária, que percorreu mais de 120 quilômetros entre Feira de Santana e Salvador. Durante o ato, autoridades e parlamentares se uniram às lideranças do movimento para destacar a importância da resistência camponesa. O presidente do PT Bahia, Tássio Brito, enfatizou que a luta do MST é uma resposta histórica contra as tentativas de subordinação do povo, reafirmando que o acesso à terra é um pilar fundamental para a construção de um mundo mais justo e igualitário.

A mesa de debates contou com a presença de figuras como os deputados Valmir Assunção, Fátima Nunes, Lídice da Mata e Marcelino Galo, além de secretários de estado e representantes do Incra. Em seus discursos, os participantes ressaltaram que a mobilização na Alba não é apenas um ato de luto, mas um grito de renovação do compromisso com a democratização da terra. Para as direções nacionais do MST, a chegada à capital baiana após dez dias de marcha demonstra a força e a persistência de um movimento que segue pautando a dignidade rural e os direitos humanos na agenda política baiana.

Da Redação