Uma jovem de 22 anos foi estuprada, na noite do último sábado, dia 29, no bairro Santo André, na Região Noroeste de Belo Horizonte (MG). A vítima estava no show Tardezinha, do cantor Thiaguinho, no Mineirão, onde disse ter bebido muito.
Na hora de ir embora, um amigo chamou um carro de aplicativo para ela viajar sozinha e compartilhou a corrida com o irmão dela. Câmeras de segurança registraram o momento em que a mulher foi deixada na rua de casa pelo motorista e, minutos depois, levada por um homem suspeito de estuprá-la.
Imagens de câmeras da rua mostram o carro de aplicativo chegando à porta da casa da vítima por volta das 3h. Depois disso, o motorista desce do veículo e tenta tocar o interfone, mas ninguém atende.
Cerca de dez minutos depois, por volta das 3h10, com a ajuda de um pedestre que passava, o motorista carrega a jovem e a deixa sentada, no meio-fio, apoiada em um poste.
O motorista fica mais alguns minutos tentando tocar o interfone, mas não é atendido. Por volta das 3h17, ele vai embora com o carro e deixa a jovem sozinha, desacordada sobre a calçada.
Por volta das 3h22, poucos minutos depois de o motorista ir embora, um homem aparece na rua. Ele carrega a mulher pelo ombro por alguns quarteirões do bairro Santo André. Cerca de 15 minutos depois, por volta das 3h36, imagens de outros pontos do bairro flagraram o homem ainda carregando a moça pelo ombro. Às 7h08, o suspeito sai sozinho de um campo de futebol da região.
De acordo com o boletim de ocorrência, a vítima foi encontrada na manhã de domingo, dia 30, por moradores da região, em um campo de futebol no bairro. Ela estava seminua, suja, coberta por um pano, e foi acordada por socorristas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Naquele momento, apesar de debilitada, a jovem relatou que não sentia dores e que não se lembrava de nada. Segundo o Samu, a mulher recusou o encaminhamento para uma unidade hospitalar.
A vítima voltou para a casa e foi por conta própria, junto com os parentes, até o Hospital Odilon Behrens, no bairro São Cristóvão, na Região Noroeste de BH. Após a realização de exames, uma médica constatou o abuso sexual. Em seguida, ela foi encaminhada para a Delegacia de Plantão de Atendimento à Mulher, onde formalizou a denúncia.
À polícia, ele disse que viu a moça desacordada, sozinha na rua, e quis levá-la para um local seguro. Também negou o crime e contou que a mulher vomitou na roupa durante o trajeto em que foi carregada. As vestimentas dele serão periciadas.
Nesta segunda-feira, dia 31, o homem foi encaminhado ao sistema prisional do estado. Uma audiência de custódia está prevista para acontecer nesta terça-feira, dia 1º.
A família da vítima disse, nesta segunda-feira, dia 31, que ela está se medicando e se recuperando do trauma. O irmão da jovem contou aos policiais que dormiu antes de a irmã chegar e, por isso, não atendeu ao interfone.
Os parentes afirmaram que as câmeras de segurança foram cruciais para a identificação do suspeito. Após a ida na delegacia, eles foram até um batalhão da Polícia Militar, onde relataram o que tinha acontecido e, todos juntos, buscaram as imagens.
“Aí a gente começou a caça dele [do suspeito]. Procurar todos os vídeos de câmeras, bater de porta em porta. Foi aí que a gente conseguiu chegar em uma câmera de frente pro local onde ele consumou o fato”, falou a parente.
A família também não descarta que a jovem pode ter sido dopada durante o show no Mineirão.
“Ela não é usuária de drogas. Bebeu mesmo álcool, porém a gente não descarta que ela tenha sido drogada pelo estado que ela se encontrava desacordada”, disse a família.
Os familiares ainda acusaram o motorista do aplicativo “99” de abandono de capaz e criticaram a atuação do Samu, que, na visão deles, “não quis prestar socorro”.
“A partir do momento que ele [o motorista] colocou ela dentro do carro, independente se ela era ou não maior de idade, ela estava desacordada e ele tinha que ter dado a ela o direito de ir para um hospital ou chamar a polícia. [O Samu] imaginou que fosse uma usuária de drogas, o que eu acho que não diminui a humanidade de levar pro hospital. Achou que ela fosse andarilha da região e não quis prestar socorro”, disse uma familiar.
Em nota, a empresa “99”, responsável pelo aplicativo de transporte, disse que “lamenta o ocorrido após a conclusão da corrida” e que “fez o bloqueio preventivo do motorista“.
A plataforma também afirmou que “aguarda que a polícia esclareça fatos e responsabilidades, estando à disposição para colaborar com a investigação”.
De acordo com o boletim de ocorrência, o carro do motorista estava registrado em nome de pessoa jurídica. Por esse motivo, ele não foi localizado pelos policiais militares.
“Foi realizado o primeiro atendimento, mas a vítima recusou o encaminhamento para uma unidade hospitalar. Cabe esclarecer que todas as ligações para o Samu são gravadas”, completou.
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que, mesmo com a prisão do suspeito, “a investigação prossegue para completo esclarecimento dos fatos pela equipe da Delegacia Especializada de Combate à Violência Sexual em BH”.
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