O uso excessivo do celular pode começar de forma aparentemente inofensiva, mas alguns comportamentos do dia a dia podem indicar que a relação com as telas está interferindo na concentração, no sono, no corpo e até nos relacionamentos. Pegar o aparelho várias vezes durante um filme, conferir a tela sem receber notificações e ocupar qualquer momento de espera com o smartphone estão entre os sinais de alerta.
Especialistas dos hospitais São Marcelino Champagnat e Universitário Cajuru, no Paraná, destacam cinco situações que merecem atenção e apresentam estratégias para reduzir os impactos do uso prolongado das telas.
1. Você não consegue assistir a um filme sem pegar o celular
Começar um filme e, poucos minutos depois, interromper a atividade para verificar mensagens ou redes sociais pode indicar dificuldade de manter a atenção em uma única tarefa.
Segundo o neurologista Matheus Gomes, a alternância constante entre diferentes estímulos pode prejudicar a concentração. Quanto maior o número de interrupções, mais difícil pode ser retomar a atividade inicial.
Por isso, se assistir a um filme, ler ou realizar outra atividade sem consultar o celular se tornou difícil, vale observar a frequência desse comportamento.
2. Você verifica o celular mesmo sem receber notificações
O aparelho não tocou, não vibrou e nenhuma mensagem chegou, mas, mesmo assim, a pessoa desbloqueia a tela repetidamente.
Para o psicólogo Pedro Rujano, o número de horas de uso não é o único fator a ser considerado. Dificuldade para interromper o uso, sensação de perda de controle, irritação quando não é possível acessar o aparelho e prejuízos no sono, trabalho ou relacionamentos são sinais que merecem atenção.
Também é importante observar se o celular passou a ser utilizado como principal forma de lidar com ansiedade, solidão ou desconforto emocional.
3. Qualquer momento de espera vira oportunidade para usar o celular
Fila, elevador, espera em um restaurante ou alguns minutos de intervalo. Se todo momento de tédio é automaticamente preenchido pelo smartphone, o hábito pode ter deixado de ser uma escolha consciente.
O psicólogo explica que o tédio não precisa ser eliminado imediatamente. Momentos sem estímulos podem favorecer reflexão, criatividade e percepção das próprias necessidades.
O uso constante também pode afetar a convivência. Quando uma conversa é interrompida repetidamente para conferir o celular, a atenção dedicada à tela pode acabar prejudicando as relações pessoais.
4. Você troca o computador pelo celular para “descansar”
Depois de passar horas trabalhando no computador, assistir a vídeos ou navegar nas redes sociais pelo celular pode parecer uma forma de descanso. No entanto, trocar uma tela por outra não significa necessariamente que o cérebro esteja descansando.
De acordo com o neurologista Matheus Gomes, o tempo total de exposição às telas também precisa ser considerado. O uso prolongado pode estar relacionado à fadiga mental, além de contribuir para desconfortos como dor de cabeça, esforço visual e ressecamento dos olhos.
O período noturno merece atenção especial, já que a exposição à luz das telas pode interferir na produção de melatonina e prejudicar o sono.
5. Pescoço, ombros e mãos começam a doer
Os efeitos do uso excessivo do celular também podem aparecer no corpo. Dor no pescoço, cansaço nos ombros, formigamento, dormência e perda de força estão entre os sinais que merecem atenção.
O ortopedista Eduardo Novak explica que manter o braço dobrado e utilizar o polegar durante longos períodos pode provocar sobrecarga muscular.
A postura também influencia. Quando a cabeça é inclinada para frente para olhar a tela, a carga sobre a região cervical aumenta significativamente.
Sintomas como perda de força ou dificuldade para segurar objetos devem ser avaliados com atenção, segundo o especialista.
Como reduzir os impactos do uso do celular
Quem trabalha diariamente com computador e celular nem sempre consegue simplesmente abandonar as telas. Por isso, a recomendação é criar períodos de pausa e melhorar os hábitos durante o uso.
Entre as orientações estão:
- fazer pausas de dois a três minutos a cada 30 ou 45 minutos;
- realizar uma pausa maior, de 10 a 15 minutos, a cada duas horas;
- movimentar braços e pescoço durante os intervalos;
- manter as telas na altura dos olhos;
- olhar para pontos mais distantes durante as pausas;
- praticar atividades físicas regularmente;
- desativar notificações que não sejam essenciais;
- evitar usar o celular durante as refeições;
- estabelecer horários específicos para responder mensagens;
- quando possível, deixar o aparelho fora do quarto.
Para o psicólogo Pedro Rujano, reduzir o uso do celular também significa recuperar atividades que foram sendo substituídas pela tela, como conversar, caminhar, ler, descansar ou passar mais tempo com familiares.
Mais importante do que contar horas é observar o impacto na rotina
O tempo de uso é um indicador importante, mas não é o único parâmetro para avaliar se existe um problema. A principal questão é perceber quanto o celular interfere na rotina e se a pessoa ainda consegue decidir quando usar ou deixar o aparelho de lado.
Se o smartphone começa a prejudicar o sono, a concentração, o trabalho, as relações pessoais ou provoca sintomas físicos, é importante rever os hábitos e buscar orientação profissional quando necessário.
Com informações dos hospitais São Marcelino Champagnat e Universitário Cajuru.
Texto adaptado por Hélio Alves / Tribuna do Recôncavo.














































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