Confederação Nacional de Municípios calcula despesas adicionais com contratações diretas e trabalhadores terceirizados; redução da jornada prevê dois dias de descanso semanal sem corte salarial
O fim da escala 6×1 pode gerar um impacto de R$ 6,6 bilhões por ano nas contas dos municípios brasileiros, segundo estimativa divulgada pela Confederação Nacional de Municípios (CNM) nesta sexta-feira (16). O cálculo considera despesas adicionais com servidores e trabalhadores terceirizados que prestam serviços às administrações municipais.
De acordo com a entidade, R$ 1,49 bilhão corresponderia aos gastos com contratações diretas. Já as despesas relacionadas aos funcionários de empresas terceirizadas poderiam ultrapassar R$ 5,14 bilhões anuais.
A estimativa foi elaborada pela CNM com base em uma pesquisa realizada com gestores municipais. A organização alerta que a necessidade de reorganizar equipes e manter o funcionamento dos serviços públicos pode pressionar os orçamentos das prefeituras.
CUSTOS PODEM AFETAR AS CONTAS MUNICIPAIS
Segundo a Confederação, a redução da jornada poderá exigir mudanças na organização das equipes e nos contratos de prestação de serviços. O objetivo seria manter o atendimento à população, mesmo com a necessidade de adequar as escalas de trabalho.
A entidade avalia que essas adaptações podem ampliar as despesas de municípios que já enfrentam limitações financeiras. Também alerta para o risco de dificuldades na manutenção de determinados serviços caso não haja planejamento orçamentário suficiente.
Os R$ 6,6 bilhões representam uma projeção anual apresentada pela CNM, e não despesas já realizadas ou um valor necessariamente igual para todas as prefeituras. O impacto efetivo dependerá das condições de cada administração, da composição das equipes e das regras aplicáveis à jornada de trabalho.
O QUE MUDA COM O FIM DA ESCALA 6X1
A escala 6×1 é um regime em que o trabalhador exerce suas atividades durante seis dias consecutivos e tem um dia de descanso. O debate sobre sua mudança envolve a redução da jornada semanal e a ampliação do período de repouso.
Conforme os termos descritos pela CNM, a mudança prevê a redução da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas e dois dias de descanso por semana, preferencialmente com um deles aos domingos, sem redução salarial, observadas as regras específicas e de transição aplicáveis.
A discussão tem repercussões para trabalhadores, empresas e administrações públicas. Enquanto os defensores da redução destacam a ampliação do tempo de descanso, a CNM chama atenção para os custos que podem surgir na reorganização dos serviços municipais.
DEBATE SOBRE JORNADA DE TRABALHO
O tema também está presente em discussões sobre as diferenças entre os modelos de organização do trabalho adotados em outros países. O Tribuna do Recôncavo já abordou o assunto na reportagem Debate sobre fim da escala 6×1 leva brasileiros a conhecer diferenças do mercado de trabalho nos EUA.
Outra questão relacionada é o impacto das jornadas e das horas extras nas relações trabalhistas. O portal também publicou o artigo Fim do 6×1 pode reduzir conflitos sobre horas extras, tema mais recorrente do TST em 2025.
A estimativa apresentada pela CNM acrescenta ao debate a preocupação com o financiamento dos serviços públicos e com a capacidade das prefeituras de adaptar suas equipes sem comprometer o atendimento à população.
Crédito: Redação do Tribuna do Recôncavo, com informações da Confederação Nacional de Municípios (CNM).






















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Foto: Hélio Alves/ Tribuna do Recôncavo

































