Por Dr. Sérgio Câmara – cardiologista intervencionista.
O forame oval é um orifício que permite a comunicação entre os lados direito e esquerdo do coração. Através dele, o feto recebe o sangue oxigenado da mãe para se desenvolver, já que seus pulmões ainda não funcionam. Após o nascimento, o fechamento dessa estrutura acontece de forma natural. Todavia, em 25 a 30% das pessoas, isso não ocorre e o forame oval continua aberto, ou seja, patente, ao longo da vida. Quando não há sintomas ou outras repercussões, não há necessidade de tratamento específico, mas se a abertura favorecer a formação ou a passagem de coágulos de sangue do lado direito para o esquerdo, uma intervenção minimamente invasiva se faz necessária para evitar problemas como, por exemplo, o acidente vascular cerebral (AVC).
A oclusão ou fechamento do forame oval é feita através de um procedimento cardíaco minimamente invasivo. Por uma veia da região inguinal (virilha), um cateter é introduzido até o coração para colocação de uma pequena prótese. O procedimento é feito com o paciente sob anestesia geral com auxílio de ecocardiograma para a melhor colocação da prótese. Não há cortes (incisões) ou pontos (suturas), uma vez que o procedimento é feito através de uma punção (pequeno furo) na veia. A recuperação é indolor na maior parte dos casos e, habitualmente, é feita em um quarto hospitalar normal ou em uma Unidade Semi-Intensiva. Comumente, o tempo de permanência no hospital é de um ou dois dias após o procedimento.
De acordo com o cardiologista intervencionista Sérgio Câmara, nas pessoas com forame oval patente que tiveram um AVC (derrame), principalmente naquelas em que não se acham outras causas, o fechamento do forame oval patente está indicado como maneira de reduzir a chance de outros eventos. “A oclusão também pode ser indicada em pacientes que apresentam alterações compatíveis com embolização na angioressonância craniana; e pacientes que apresentam no doppler transcraniano um padrão em chuveiro ou cortina de passagens de microbolhas e que tem o forame oval patente como principal fator contribuinte”, explicou o especialista.
Como funciona – Após definido o diagnóstico pelo cardiologista clínico e a opção pelo fechamento percutâneo do orifício (defeito septal), o paciente deve passar por avaliação com médico hemodinamicista, para uma avaliação da viabilidade do procedimento, realizado na sala de hemodinâmica, onde também são realizados cateterismos e angioplastias. “A prótese é guiada por um cateter até a veia pulmonar esquerda, sob visão ecocardiográfica e pelo raio-X, até ser encaixada no defeito septal. Ela vem compactada em um dispositivo que auxilia na liberação da prótese. Depois que essa é posicionada e colocada no local correto, retira-se o cateter, terminando o procedimento”, resumiu Sérgio Câmara.
Ainda de acordo com o especialista em Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista, após o fechamento, o local da punção é comprimido por curto espaço de tempo e um curativo compressivo é realizado na região da virilha, para evitar que o paciente tenha sangramento pelo local do acesso. Durante a operação, o paciente permanece conectado a um monitor cardíaco e a um acesso venoso por algumas horas. Sua frequência cardíaca, pressão sanguínea e local da inserção dos cateteres são verificados frequentemente. Quando a virilha é usada como local de inserção, o paciente precisa ficar deitado com a perna imóvel durante seis horas após a remoção do introdutor. Normalmente, após 24 horas, o paciente recebe alta hospitalar.
Alguns cuidados devem ser tomados para evitar complicações nos primeiros sete dias depois do procedimento: evitar subir escadas, não carregar peso e não dirigir. Caso apareçam sintomas como falta de ar; dor, inchaço, vermelhidão, sangramento ou vazamento no local da inserção; frio ou cor azulada no braço ou na perna onde o cateter foi inserido; ou ao perceber sangue na urina, fezes escuras ou qualquer outro sangramento, o médico precisa ser consultado. “A volta ao trabalho geralmente ocorre alguns dias após a oclusão, mas a orientação é não exagerar no início e seguir as orientações médicas em relação ao retorno das atividades físicas”, concluiu Sérgio Câmara.
Cinthya Brandão


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