O adiamento da maternidade tem acompanhado mudanças nos planos pessoais e profissionais das mulheres e também aparece nos números da reprodução assistida. Na Bahia, 1.185 ciclos de Fertilização in Vitro (FIV) foram realizados em 2025, sendo 869 em pacientes com mais de 35 anos e 316 em mulheres abaixo dessa faixa etária.
Os dados são do Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). De acordo com os números apresentados pela Huntington Cenafert, 73% dos ciclos de FIV realizados no estado em 2025 envolveram mulheres com mais de 35 anos.
O cenário acompanha uma mudança na idade em que as brasileiras têm filhos. Segundo o Censo 2022 do IBGE, a idade média da maternidade no Brasil chegou a 28,1 anos. Na Bahia, a média é de 27,9 anos.
Fertilidade feminina diminui com a idade
A idade está entre os principais fatores relacionados à fertilidade feminina. Diferentemente dos homens, que produzem espermatozoides ao longo da vida, as mulheres já nascem com uma quantidade determinada de óvulos, que diminui progressivamente ao longo dos anos.
Segundo a médica Gérsia Viana, especialista em medicina reprodutiva e diretora da Huntington Cenafert, a redução da quantidade e da qualidade dos óvulos se torna mais acentuada a partir dos 35 anos.
A especialista explica que o adiamento da maternidade está relacionado, entre outros fatores, às mudanças nos projetos de vida das mulheres, que passaram a conciliar a decisão de ter filhos com formação acadêmica, carreira e outros planos pessoais.
Quando procurar avaliação?
A orientação sobre quando investigar possíveis dificuldades para engravidar depende da idade, do histórico do casal e da existência ou não de fatores que possam afetar a fertilidade.
A médica Bárbara Melo, também especialista em medicina reprodutiva da equipe da Huntington Cenafert, ressalta que a investigação deve envolver os dois parceiros. Isso porque alterações relacionadas à fertilidade podem estar presentes tanto na mulher quanto no homem.
Para mulheres com mais de 35 anos, a avaliação médica não deve ser adiada caso a gravidez não aconteça após alguns meses de tentativas. A partir dos 40 anos, a recomendação apresentada pelas especialistas é procurar avaliação desde o início das tentativas, considerando a redução da fertilidade associada à idade.
Gravidez após os 40 anos
A gravidez espontânea ainda pode ocorrer após os 40 anos, mas as chances diminuem com o avanço da idade. Quando há dificuldade para engravidar, técnicas de reprodução assistida, como a Fertilização in Vitro, podem ser consideradas após avaliação médica individualizada.
Além da idade, a investigação pode considerar a reserva ovariana, as condições do aparelho reprodutor e o estado geral de saúde da paciente.
Outra possibilidade para mulheres que desejam adiar a maternidade é a preservação da fertilidade por meio do congelamento de óvulos. O procedimento utiliza a vitrificação, técnica de criopreservação que permite armazenar os óvulos para uma possível utilização futura.
As especialistas destacam que a idade no momento do congelamento é um fator importante, já que a quantidade e a qualidade dos óvulos também sofrem redução ao longo dos anos.
Também existe a possibilidade de congelamento de embriões. Nesse procedimento, os óvulos são fertilizados em laboratório e os embriões formados podem ser criopreservados para uma futura transferência ao útero.
A indicação de qualquer técnica de reprodução assistida deve ser feita individualmente, após avaliação médica.
Com informações da Huntington Cenafert. Texto adaptado por Hélio Alves / Tribuna do Recôncavo.


















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