O sagrado feminino negro e a visão da mulher preta como uma fortaleza que suporta tudo são os temas que norteiam o espetáculo Memórias Povoadas que teve a sua estreia em 2022, chegando a seis temporadas em equipamentos culturais como o Teatro Makota Valdina, Teatro Vila Velha, Teatro Sesi Rio Vermelho,Teatro Sesi Casa Branca, Sala do Coro do TCA e Teatro Gregório de Mattos. Neste Novembro Negro 2024, o espetáculo realiza mais um ciclo de apresentações entre os dias 18 e 28 de novembro em Salvador.
PROGRAMAÇÃO NOVEMBRO 2024:
18/11 Feira Literária do Subúrbio – FLISU
23/11, 30 /11 e 07 /12 Memórias Negras no MAFRO (Museu Afro Brasileiro)
28 /11 Novembro Negro na PGE (Procuradoria Geral do Estado).
A peça é dirigida por Cássia Valle, com co-direção e direção musical de Cell Dantas, e questiona a visão estereotipada de força das mulheres pretas: ‘Até onde é saudável estar sempre pronta para a luta? Essa visão prejudica a saúde mental dessas mulheres e as mantém na base da pirâmide social, afinal ‘elas aguentam’. É negado o direito à fragilidade, à desistência. Elas precisam ser o tempo inteiro fortes para aguentar o que vem da sociedade, da família, de companheiros/as e de si mesmas’, aponta Cássia.
A peça foi montada a primeira vez em setembro de 2022, como celebração pelo primeiro aniversário de fundação da Pé de Erê Produções. No enredo o sagrado passado de geração para geração também entra em cena, explica a diretora: ‘Mulheres pretas sempre utilizaram de ervas para curar, de música e dança para afastar a tristeza e ‘o mal’, para criar um elo entre si. Sempre sentaram em roda para trabalhar e transmitir suas histórias através da oralidade. Deusas, bruxas, Iyágbás e Iyamins sempre fizeram parte dos mitos e das mitologias afro-diaspóricas e compõem a identidade do povo brasileiro. O sagrado feminino negro é ancestral e é transmitido de mãe para filha, de avô para neta’, explica.
Inspirado no conceito de Teatro Instalação, imagens e arte cênica são bases complementares da composição artística, resultando em uma experiência interativa onde as pessoas são convidadas a construírem as suas próprias narrativas. Em Memórias Povoadas, o público experimentará a diluição das fronteiras entre começo, meio e fim do espetáculo.

Foto: Lucas Barral Amoedo













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