Uma pesquisa realizada com 485 empresas brasileiras mostra que 64,96% delas não possuem políticas formais de equidade salarial entre homens e mulheres. O levantamento faz parte do estudo Políticas e Práticas de RH 2026, realizado pela Carreira Muller.
Segundo os dados, apenas 18,33% das empresas pesquisadas têm diretrizes formais para eliminar diferenças salariais entre profissionais em posições iguais.
Outras iniciativas voltadas à igualdade de gênero também são pouco frequentes. Apenas 16,98% das companhias possuem diretrizes para tornar o ambiente de trabalho mais inclusivo para mulheres. Já 16,71% adotam medidas para estimular a presença feminina em cargos de liderança, enquanto 12,94% têm critérios de promoção e mérito destinados a reduzir o viés de gênero.
A pesquisa também avaliou os resultados das políticas de equidade salarial já implementadas. Entre as empresas que adotam essas medidas, 28,68% consideram as iniciativas muito efetivas, com resultados claros e mensuráveis. Outras 32,56% avaliam que as políticas são parcialmente efetivas, e 31,78% afirmam que ainda não é possível avaliar seus efeitos.
Entre os resultados identificados, 39,53% das empresas citaram a redução das diferenças salariais entre homens e mulheres. A maior equidade nos processos de promoção foi apontada por 37,98%, enquanto 24,81% não observaram resultados relevantes até o momento.
Transparência salarial
A Lei nº 14.611/2023 estabelece medidas para promover a igualdade salarial e de critérios remuneratórios entre mulheres e homens. A legislação também prevê a divulgação de relatórios de transparência salarial para empresas com 100 ou mais empregados, conforme as regras aplicáveis.
Entre as empresas desse porte incluídas no levantamento, 41,49% afirmaram ter divulgado o Relatório de Transparência Salarial tanto interna quanto externamente. Outras 28,66% fizeram a divulgação apenas externamente, enquanto 17,31% não realizaram a divulgação.
O estudo também identificou baixa presença de comitês formais relacionados à gestão das empresas. O comitê de Ética aparece em 40,70% das companhias, o de Governança em 32,35% e o de Pessoas e Remuneração em 30,46%.
Para Marco Schanoski, CEO da Carreira Muller, a equidade de gênero depende de decisões consistentes sobre remuneração, reconhecimento e oportunidades de crescimento, além do compromisso das lideranças com práticas justas no ambiente de trabalho.
O levantamento reuniu empresas de diferentes regiões e setores. O Sudeste concentrou 69,90% dos participantes, seguido pelo Sul, com 23,51%. O Nordeste representou 3,92% da amostra, enquanto Centro-Oeste e Norte responderam por 2,06% e 0,62%, respectivamente.
Os dados indicam que a formalização de políticas salariais e de promoção ainda é um desafio para grande parte das empresas participantes da pesquisa.
Redação: Hélio Alves / Tribuna do Recôncavo
Fonte: Carreira Muller
































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