O presidente do Conselho Estadual dos Direitos das Pessoas com Deficiências, Valdenor Oliveira foi convidado pelo Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência para realizar uma capacitação sobre a importância dos conselhos municipais para a efetivação das políticas voltadas para as pessoas com deficiências. Valdenor Oliveira, 42 anos, é cadeirante há 37 anos, resultado da poliomielite que teve aos 5 anos. Ele abraça essa causa, pois, conhece bem as dificuldades enfrentadas por pessoas com deficiências.

De acordo com o presidente, uma das ferramentas que ajudam a superar essas dificuldades são os Conselhos, pois, eles são instrumentos que permitem que governo e sociedade civil discutam políticas para ajudar pessoas com deficiências. Portanto, é importante que a comunidade participe, porque são nesses espaços que as políticas que asseguram os direitos dessas pessoas são desenvolvidas. Segundo o entrevistado, a política das pessoas com deficiência é nova, mas já conseguiu avanços importantes, como o passe livre que permite que deficientes viajem gratuitamente, inclusive para outros estados e o BPC, uma política que prevê uma renda para pessoas carentes com deficiência.

Contudo, ele ressalta que ainda há muito a ser feito e que agora as pessoas com deficiências passaram a ser protagonistas dessas políticas. Para ele, as grandes barreiras que eles enfrentam são as limitações físicas e o preconceito, essa última é a mais difícil de ser superada. Segundo Valdenor Oliveira, a maioria das pessoas com deficiência são carentes, então, para ajudá-las, os municípios devem fortalecer os CRAS, “que são portas para chegar até essas pessoas”. Os agentes comunitários também têm um papel fundamental, pois, através deles os Conselhos conhecem as pessoas com deficiências e identificam suas necessidades e assim fazer uma política específica para a necessidade da maioria.

O presidente informou que a saúde e a educação das pessoas com deficiências tem muita carência, então, são os setores que mais precisam de melhorias. Quanto à educação, não basta colocar essas pessoas nas escolas, se faz necessário ter nas escolas profissionais qualificados e preparados para atender as demandas de cada deficiência. E isso ainda é precário, pois, no Estado tem uma coordenação com apenas três funcionários para atender as demandas dos 417 municípios, então, precisa melhorar muito. “Estamos levantando uma proposta para que em cada núcleo regional de educação tenha uma pessoa responsável pela educação especial”, informou. Então, ele convida as pessoas para conhecerem os Conselhos e contribuirem para o desenvolvimento dessa política em sua cidade. (Maíra Oliveira/Tribuna do Recôncavo)