Nesta sexta-feira(28), ocorreu no Brasil mais um dia de greve nacional, promovido pelas centrais sindicais do país; em Santo Antonio de Jesus, no Recôncavo Baiano, trabalhadores de vários categorias sindicais foram às ruas protestar contra os Projetos de Lei que tramitam no Congresso retirando vários direitos dos trabalhadores brasileiros, como a Reforma Trabalhista e a  Reforma Previdenciária, a PEC 287.

Marcaram presença na manifestação os quatro padres da cidade: padre Almiro Rezende(Paróquia Nossa Senhora das Graças); padre Edson de Melo(São Benedito); padre Wilson Vitória(Nossa Senhora do Perpétuo Socorro); padre Marco Antonio (São José do Andaiá); e padre Nelson Franca(Santo Antonio), que fez um pronunciamento representando a igreja católica quando o movimento se concentrou em frente à Igreja Matriz. Também marcou presença no ato o padre Raimundo da Paróquia de Ubaíra.

Em seu pronunciamento padre Nelson Franca falou que estava se colocando como igreja, que os direitos fazem parte da dignidade do homem e da mulher, ambos foram criados livres, porque foram criados para serem semelhantes ao Criador.

“Aqui hoje como igreja nós nos colocamos no lugar onde sempre a igreja esteve ao lado do povo, com o povo, sofrendo com esse povo mas buscando manifestar ao mundo a esperança de um povo que se quer livre. A liberdade é dom de Deus, porque Deus assim nos fez e assim nos constituiu e essa liberdade ninguém pode tirar de nós, por mais que pelejem, por maiores que sejam as leis aquilo que é próprio à dignidade e ao direito da pessoa não há lei que impeça; Como igreja aqui estamos para dizer ao nosso povo não para essa desestruturada e irresponsável articulação de um governo que não tem legitimidade, assumiu o comando dessa nação através de um golpe que retirou um governo eleito pelas urnas, que traduziram a vontade popular. Vejam meus irmãos e minhas irmãs, celebrando hoje pela manhã recebíamos como leitura o livro dos Atos dos Apóstolos que narrava Gamaliel, membro do conselho dos romanos que questionava seus pais contra a atitude deles que maltratava, que fazia sofrer os seguidores de Jesus Cristo. O argumento de Camaleão para aquele conselho era exatamente esse: se aquilo que vocês querem é  obra de Deus continuará, mas se não for obra de Deus sucumbirá. O que se instalou no Brasil não é obra de Deus, não faz parte do projeto de Deus. O projeto de Deus é de libertação e vida. O que o nosso povo precisa é de liberdade para viver a sua vida com dignidade.”

Padre Nelson ainda se pronunciou contra os políticos que só pensam no seu bem estar e não olham para o povo que o elegeu: “A igreja se levanta não para ser contra a quem quer que seja, mas a igreja ergue a sua voz para ser como sempre ao modelo de Cristo, a favor do povo, dos pequenos, dos pobres, daqueles que estão a sofrer a mercê de um Congresso onde é constituído por homens e mulheres que carregam sobre si atos de criminosos, de falsários, de mentirosos, salvos alguns, mas  é isso que não devemos deixar que continue, que prevaleça, é hora do povo, dos grupos organizados, das comunidades, é a nossa hora, é a nossa vez de darmos um basta,  usarmos a maior arma que nós temos que é o nosso voto. As eleições se aproximam, que possamos enxergar o retrato de muitos aqueles senão de todos esses políticos, que o nome deles sejam revelados. Que o povo der um basta, nesses que se aproveitam dos momentos de eleição e depois se trancam  nos palácios de Brasília para formarem coloios contra o povo; somos contra como igreja, povo e cidadão a toda essa mobilização que o governo faz e não contra a mobilização que o povo faz  diante da Reforma Previdenciária. Somos a favor de todas as reformas, porém, que façam da mente, do coração e vontade livre do povo. As mudanças  não podem nascer a partir das mesas e dos cafés, dos almoços onde se ameaçam  aqueles que querem ser livres e partidos, inclusive, que na sua sigla trazem o nome democrático, trazem o nome da democracia e ameaçam expulsar de seu quadro quem é contra. O Povo não merece a contradição de tantos homens e mulheres que na tribuna do senado, da Câmara Federal e do Congresso usam suas prerrogativas para trabalhar favorecendo seus lucros e interesses. Meus irmãos e irmãs, a nota que a CNBB que, coincidentemente, estão reunidos em Aparecida, estão juntos, congregados, estão pensando em nós e esse povo não pode mais continuar sendo escravizado, maltratado. Não, chega, basta!”- finalizou o padre Nelson Franca

Vale ressaltar que Diante de tantas injustiças que vem ocorrendo contra os trabalhadores brasileiros, a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) se manifestou através de uma nota, em 23 de março, mostrando a sua indignação, cujo trecho diz: “Convocamos os cristãos e pessoas de boa vontade, particularmente nossas comunidades, a se mobilizarem ao redor da atual Reforma da Previdência, a fim de buscar o melhor para o nosso povo, principalmente os mais fragilizados.”

Diante do pronunciamento da CNBB, padres de várias paróquias do Brasil começaram a se pronunciar diante de suas comunidades, conscientizando os católicos da real necessidade de protestar contra seus direitos trabalhistas que estão prestes a serem retirados e participarem também dos movimentos, como desta sexta-feira.

Redação: Jocinere Soares / Tribuna do Recôncavo