Um possível caso de suicídio, ainda em investigação, que ocorreu esta semana em Pernambuco, alerta para o risco de crianças e adolescentes se envolverem em situações que podem levar a mutilações e até a morte. Uma criança de 9 anos encontrada pelos pais enforcada em uma árvore por um fio, no quintal de sua casa, pode ter relação com o chamado desafio de “Boneca Momo”, que tem circulado no WhatsApp.

Nadja Pinho, psicopedagoga da Holiste, salienta que uma das dificuldades em se identificar o risco de suicídio entre os jovens é que, naturalmente, essa fase da vida já é marcada por grandes mudanças de comportamento. O problema reside em separar o que pode ser considerado um comportamento normal daquilo que merece a atenção de um especialista.

“Aquele aluno que nunca teve problemas disciplinares e que, de repente, começa a filar aula, se envolver em confusões e brigas; ou o aluno que nunca teve problemas com notas passa a ter um rendimento escolar muito abaixo da média, comprometendo sua aprovação nos exames. Esses dois perfis merecem a atenção dos pais, educadores e colegas, pois estes são indícios de que algo não está bem com o jovem”, pontua Nadja.

A psicopedagoga admite que em alguns casos os indícios podem ser mais sutis. “Certos casos vão apresentar sinais mais pontuais, que não chegam a comprometer o rendimento escolar, mas que podem caracterizar um risco. Os adolescentes tendem a amplificar o seu sofrimento, pela falta de experiência em lidar com suas emoções. Ao se deparar com essas situações de sofrimento, o jovem pode desenvolver um episódio depressivo”, alerta a especialista.

A psicóloga da Holiste, Ethel Poll, alerta para o uso excessivo da internet e os desafios que isso representa para os pais. “Educar os filhos neste universo digital se torna um grande desafio, pois é um espaço aberto, uma terra sem fim, e neste meio as crianças e adolescentes estão sendo diariamente bombardeados com os mais diversos tipos de influências e informações, muitas vezes sem a mediação de um adulto responsável”, aponta

Ethel completa que a criança está numa fase de construção do seu mundo psíquico, de suas defesas e de estruturação da sua subjetividade, e nem sempre está pronta para absorver, compreender e elaborar certas influências e informações disponíveis nas redes.

 

Atenção aos sinais:

1 – A adolescência é um período de grandes transformações. É preciso estar atento e observar mudanças drásticas de comportamento e abrir espaço para o diálogo;

 

2 – Quando identificar que algo não está bem com o adolescente, evite julgamentos e comparações. Ao invés disso, tenha um comportamento acolhedor, demonstre empatia, interesse e disponibilidade em ouvir o que está o incomodando;

 

3 – Comportamentos de total isolamento social devem ser observados com cuidado;

 

4 – O mal rendimento escolar pode ser o indicador de algo não está bem, assim como a falta de desejo de ir à escola;

 

5 – Às vezes o adolescente pode manter um bom rendimento escolar, mas apresentar problemas comportamentais. Advertências, suspenções, envolvimento brigas, desrespeito a professores e outros membros do corpo pedagógico pode ser um sinal de que algo não está bem com o adolescente;

 

6 – O uso de drogas, lícitas ou ilícitas, deve ser observado com bastante atenção e discutido entre pais, adolescentes e educadores;

 

7 – Automutilações, ameaças ou tentativas de suicídio devem ser levados à sério e nunca encarados como forma de chamar a atenção para si. Nesses casos, um especialista deverá ser consultado com urgência;

 

8 – Psiquiatras e psicólogos são uma ajuda importante, não vão traumatizar o seu filho. Eles fazem parte da solução, não do problema, pois crianças e adolescentes podem se sentir mais à vontade para conversar com alguém que não seja seus pais;

 

9 – Tratamentos e medicações devem ser sempre recomendados e acompanhados por um especialista qualificado. Não utilize em seus filhos o tratamento que um (a) amigo (a) utilizou no filho dele (a). Os tratamentos em saúde mental são sempre individuais, respeitando a singularidade e a história de vida de cada pessoa;

 

10 – Falar sobre o suicídio é sempre a melhor escolha! Escute e converse com seus filhos, seja sempre o local seguro para que qualquer tipo de assunto possa ser abordado, tornando-se presente nas questões que eles acham importantes!

 

Litiane de Oliveira

Executiva de Contas

Agência de Textos Comunicação Corporativa