O Nordeste ainda tenta resolver o problema de jegues abandonados pelas estradas. O lombo do jumento perdeu espaço no Nordeste para motos e máquinas agrícolas, e com isso passou a circular solto em estradas, agravando o problema dos acidentes na região, que concentra 90% dos asininos (que incluem ainda burros e mulas) do Brasil.

A solução ganhou fama em 2014, quando o promotor Silvio Brito, que atuava em Apodi (RN), organizou um churrasco com carne do animal para sensibilizar autoridades e imprensa para a alternativa. A ideia revoltou alguns defensores dos animais, que chegaram a ameaçar o promotor nas redes sociais. Houve também resistência na cidade – o prefeito teve que ir a uma rádio negar que a carne de jumento fosse ser incluída na merenda escolar.

“O jumento pode fornecer até 100 kg de carne de primeira qualidade, uma peça de couro de alto valor (cerca de R$ 120 a peça) e um leite que pode salvar a vida de milhões de pessoas que sofrem com intolerância à lactose ou deficiência nutricional”, diz Brito.

Diretora da ONG Bicho Feliz, que atua no Nordeste, Gislaine Brandão critica o uso de jumentos para consumo da carne, couro ou leite. É um animal que vem sofrendo há décadas. Eles devem ser aposentados, livres, sem trabalho. O Estado brasileiro deveria cuidar melhor desses animais”, afirma. (Editado por Tribuna do Recôncavo | Informações: G1)