A jornalista e humorista de stand up comedy Maíra Azevedo, conhecida como “Tia Má”, denunciou que foi chamada de “monkey” (termo do inglês que significa “macaca”, em português) por um usuário do Instagram, em um comentário durante uma transmissão ao vivo, na noite de segunda-feira (26). Ela disse ter denunciado o caso à promotoria de Justiça de Combate ao Racismo do Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) na terça-feira (27). O MP confirmou o recebimento da denúncia e disse que irá apurar o caso. “O racismo não nos dá descanso. Não importa onde, nem quando, nem como, racistas sempre encontram uma forma de tentar nos abater. Mas eu, mulher, preta, nordestina, forjada na luta, herdeira de uma dinastia de guerreiras, não vou sucumbir”.

A jornalista explicou a importância de denunciar o crime, que deve ser punido. “Racismo é crime, não é brincadeira, não é uma coisa que fez sem querer, não é falta de amor no coração. É crime que a gente trata com a lei. Quando você compara uma pessoa a um animal, está reduzindo a sua humanidade e faz com que essa pessoa seja tratada de forma inferior. Esse foi o argumento usado na escravidão, não posso permitir que ninguém que tenha pele preta como a minha seja tratada como mercadoria”, avalia Tia Má. Ela conta que não é a primeira vez que sofre racismo, nem a primeira vez que denuncia o caso para as autoridades.

“Eu passo por racismo todos os dias. Não só eu, mas todo mundo que nasceu com pele escura. Me chamar de macaca não me abala, mas reconheço a intenção, que é criminosa”, afirma Tia Má. A jornalista lembra que também sofreu ataques racistas por meio da internet em 2016 e denunciou o caso em uma delegacia da capital baiana, que ainda está em investigação. “Dessa vez já encaminhei diretamente ao MP, para a promotoria de Combate ao Racismo. Porque o MP também tem poder de determinar investigação e determinar que o acusado seja punido. A gente tem que denunciar todas as vezes e ficar atenta. A maioria das pessoas que age dessa forma é covarde porque são fakes, mas na internet, você deixa rastros”, afirma. (G1)