O presidente estadual do PT, Everaldo Anunciação, deu nesta segunda-feira (5) mais uma prova de que o partido pretende levar a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula Silva à Presidência até as últimas consequências. E afirmou também que a sigla só vai aceitar as eleições deste ano caso elas ocorram de forma “democrática e transparente”. Isso perpassa, no entanto, pela participação do petista na disputa. Em entrevista ao Bahia Notícias, Everaldo levantou a hipótese de convocação de uma nova eleição, caso o ex-presidente vença, mas seja impedido de assumir o cargo.

Ele lembrou que a legislação eleitoral traz essa possibilidade. “Caso o ex-presidente vença em primeiro turno, o que as pesquisas estão indicando que pode acontecer, a questão jurídica precisa ser resolvida até a diplomação. Caso a situação não seja resolvida, uma nova eleição é convocada. É o que diz a lei”, destacou. De acordo com a lei para eleições, se no dia do primeiro turno, Lula estiver com o registro de candidatura deferido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele pode ou disputar o segundo, ou ser eleito em primeiro. Se o Supremo Tribunal Federal (STF), que pode dar a palavra final sobre a situação eleitoral do petista, tiver um entendimento contrário ao do TSE, os votos do ex-presidente serão invalidados.

Então, o presidente da Câmara assume a Presidência da República, com a obrigação de convocar um novo pleito em 90 dias. A questão veio a público após o PT dizer não aceitar o resultado de eleições sem Lula, nesta segunda, em texto publicado no site da sigla, que teria sido escrito pela presidente nacional da legenda, senadora Gleisi Hoffmann. A autoria da publicação, no entanto, foi desmentida posteriormente pela assessoria do PT. De acordo com o posicionamento, o material foi publicado por engano.

A declaração do dirigente baiano, de certa forma, entretanto, mostra que o partido fará barulho caso Lula fique de fora. “A legislação permite que Lula participe das eleições. Qualquer manobra que o retire das eleições nós não podemos respeitar. Se a eleição for democrática e transparente, o partido vai respeitar a decisão das urnas”, ponderou. Ainda segundo Everaldo, o posicionamento de questionar o resultado eleitoral é “ultraminoritário” na agremiação. “O que não reconhecemos são as sentenças de primeira e segunda instância. Eles partiram para um julgamento político que não compete a eles, e sim ao povo”, criticou.

 

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