Por Jocinere Soares

Fala-se cada vez mais em inclusão social nas crianças e adolescentes com deficiência, sendo incluídas nas escolas em classes regulares. Isso tem gerado debates, uma vez que nem sempre a escola está preparada para receber tal aluno e nem o professor possui o suporte necessário e formação adequada para lidar com a inclusão.

 

É comum nos depararmos com professores angustiados pois receberam em sua classe alunos especiais e não sabem como agir, como de fato trabalhar com as deficiências dessa criança/adolescente cheia de limitações.

 

Qual o desejo do professor?   ter um suporte de outros profissionais especializados como psicopedagogo,  psicólogo, fonoaudiólogo, neurologista, etc, que acompanhasse esse aluno – e assim contar com uma equipe multidisciplinar que lhe auxiliasse e lhe indicasse de que maneira trabalhar com tal deficiência. Mas isso ainda é uma utopia.

 

Há um texto popular que diz “professor é médico, psicólogo, malabarista, equilibrista, palhaço e assim por diante”. Nada disso, professor é professor, não compete a ele assumir funções que são de outros profissionais, ele não pode adentrar em outras áreas que não lhe pertence.  Um professor pode orientar seus alunos, isso não quer dizer que ele seja psicólogo; pode trabalhar as dificuldades de aprendizagem, mas não pode aplicar técnicas exclusivas do psicopedagogo e assim por diante.

 

Não basta somente receber a criança/ adolescente com deficiência na escola, as condições precisam ser favoráveis para que de fato a inclusão aconteça e não a exclusão. É lei, está sendo cumprida, mas não nas condições que deveria ser.

 

Podemos perceber que ainda há um longo caminho para que a inclusão social de fato aconteça nas escolas com as condições necessárias para que essas crianças e adolescentes sejam de fato acolhidas, pois inclusão vai além das condições físicas da escola, inclui uma série de fatores como a aceitação desse aluno na escola; aceitação por parte dos colegas; materiais didáticos específicos; acompanhamento de especialistas; suporte para o professor etc.

 

Cito o caso da aluna Mariana(nome fictício, porém fato verídico), está cursando o 8º ano do fundamental II em uma escola na cidade de Santo Antônio de Jesus,; ela foi diagnosticada com autismo aos quatro anos de idade; possui limitações de aprendizagem sobretudo em interpretação; socializa-se muito pouco. Estuda  numa classe regular; toma remédio controlado;  Possui laudo médico.

 

Fica um questionamento: qual o suporte de profissionais habilitados que os professores possuem para trabalhar com tal adolescente? Qual o acompanhamento que é dado a esta adolescente? Como deve ser a metodologia para se trabalhar com autistas?  Esse é apenas um caso, dentre tantos. É necessário que haja um acompanhamento para trabalhar com as crianças/adolescentes com necessidades especiais, como apoio psicopedagógico, psicológico, fonoaudiólogico, neurológico etc – equipe multidisciplinar à disposição para dar o suporte necessário às escolas.

 

O que o professor geralmente faz é dar um suporte maior para esse aluno, valorizar seus acertos, incentiva-o diante dos acertos; promove um ambiente socializador com os colegas. Mas ainda não é o bastante.  Falta muito. Falta de fato a inclusão na prática para que essas crianças e adolescentes se sintam de fato incluídas na escola.

 

Contatos úteis para quem tem na família pessoas com deficiência:

Centro Pedagógico CL Aurélio Pires (Antiga Escola do Lions Clubes). Rua Coronel Tenente Bandeira de Melo, nº 181, Bairro Jardim Bahia – Santo Antônio de Jesus/BA. Telefone: (75) 3632 – 3423.

ASDEV (Associação Santoantoniense dos Deficientes Visuais). Rua Celestino Pimenta, nº 99, Centro – Santo Antônio de Jesus/BA (Em frente ao Ponto de ônibus da Feira). Telefone: (75) 3631 – 5570.

 

Jocinere Soares – colunista do site Tribuna do Recôncavo, é pedagoga, pós graduada em psicopedagogia clínica e institucional e graduada em matemática