Dezenove trabalhadores rurais mantidos em condição semelhante à de escravos foram resgatados nesta segunda-feira (27), em uma fazenda de Ribeirão do Largo, sudoeste baiano. Os proprietários da fazenda serão responsabilizados por todas as irregularidades encontradas.

Uma denúncia levou a força-tarefa da Comissão Estadual para a Erradicação do Trabalho Escravo da Bahia ao local. Dos 19 trabalhadores, que atuavam na roçagem do terreno e manejo do gado, só um, o vaqueiro da fazenda, tinha carteira de trabalho assinada.

Todos dormiam em casas sem energia, sem água encanada, sem banheiros e sem acesso a água potável. Eles também não tinham qualquer tipo de proteção como luvas, máscaras para aplicação de defensivos agrícolas, que eram armazenados no mesmo local em que dormiam. As camas também eram improvisadas, feitas pelos próprios trabalhadores, que levavam de casa colchões e roupas de cama. A alimentação e o local para as refeições também não eram garantidos.

Na fazenda, um dos trabalhadores, responsável por recrutar e pagar os empregados, mantinha uma pequena venda que fornecia produtos alimentícios e de higiene, além de medicamentos para dores musculares, muito consumidos pelos lavradores.

Esses produtos eram adquiridos e descontados do pagamento.  Nesta terça-feira (28), os resgatados foram atendidos na sede do Fórum de Itambé para regularização de documentos e para receber as guias que darão direito a receber seguro-desemprego por três meses.

A ação foi desencadeada por representantes do Ministério Público do Trabalho (MPT), da Secretaria de Inspeção do Trabalho do Ministério do Trabalho do Brasil (MTB) e da Secretaria da Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social do Estado (SJCDH), com o apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Com o resgate, as vítimas receberão seguro-desemprego e a rescisão do contrato de trabalho, além se suporte da rede de assistência social. (Bahia Noticias)