O São João está se aproximando e muita gente aproveita para viajar e curtir os festejos no interior. Se a ideia é ir de carro, a preparação para o passeio precisa ir além da revisão do veículo. Se o motorista tem algum distúrbio do sono, como apneia e insônia, ou não dormiu bem no dia anterior à viagem, é preciso ter muito cuidado.

Por conta disso, a especialista em sono Kenya Felicíssimo promove uma campanha de conscientização nos pedágios, em parceria com a Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Militar da Bahia. Ao longo da semana, serão distribuídos panfletos para os motoristas nas cabines, o tema será discutido durante as abordagens policiais e nas redes sociais.

“A qualidade do sono do motorista impacta diretamente na ocorrência de infrações. A privação de sono e alguns distúrbios, como ronco e apneia, provocam sonolência diurna, falta de atenção e alterações de humor. É preciso ficar atento aos sinais que o corpo dá, como bocejar de forma contínua, sentir olhos ou cabeça pesados e não se lembrar por onde acabou de passar”, esclarece Kenya Felicíssimo, que é pioneira em Odontologia do Sono na Bahia.

Kenya Felicíssimo explica que, assim como o excesso de velocidade, o consumo de álcool e o uso do celular, a sonolência é um comportamento de risco evitável ao volante. Nessas situações, o recomendado é parar em algum lugar, andar um pouco, lavar o rosto, ingerir água e café. “Se o sono persistir, o ideal é procurar um local seguro para descansar. Evite dirigir por um período muito longo, ingerir comidas pesadas, bebida alcoólica e o uso de substâncias estimulantes que mascarem o sono”, indica Kenya Felicíssimo.

Mais informações

A Academia Brasileira de Neurologia alerta que 86,6% dos motoristas já sentiram sono ao dirigir em estradas. A pesquisa aponta ainda, que 40% dos entrevistados já dirigiram em zigue-zague devido à sonolência e 23,4% saíram da pista sem perceber. Apenas 22,8% dizem que nunca dirigem com sono. Estudos apontam que, a depender do grau de privação de sono do motorista, o impacto será tão grande quanto dirigir alcoolizado. A nível mundial, cerca de 1,25 milhão de pessoas morrem nestes tipos de acidente, de acordo com a OMS.

O impacto dos distúrbios do sono ao volante

De acordo com a Fundação Nacional do Sono, a insônia aumenta em 250% o risco de acidentes de trânsito; em caso de apneia, o risco é elevado para 700%. O motorista sonolento tem atenção reduzida nas estradas, maior tempo para reagir e para tomar decisões. Como medida preventiva, o Conselho Nacional de Trânsito publicou, em 2008, a Resolução 267, que exige uma avaliação dos distúrbios do sono para os motoristas que realizem adição, renovação ou mudança para as categorias C (caminhão), D (ônibus) e E (carreta).

 

Editado por Tribuna do Recôncavo | Informações: kenyafelicissimo.com.br