A tontura é a terceira queixa mais frequente dos pacientes nos consultórios, atingindo 30% da população mundial, de acordo com a OMS. Acontece que, muitas vezes, esse sintoma pode ser associado ou confundido com a existência da labirintite, doença rara e difícil de ser curada. Para desmistificar o assunto, a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia instituiu, este ano, a data de 22 de abril como Dia da Tontura, com o lema “pare de falar labirintite”.

“Muitas das labirintopatias (doenças ligadas ao labirinto) são erroneamente diagnosticadas como labirintite. Como há um mito de que ela não tem cura, os pacientes desistem de procurar a verdadeira causa e, assim, tentam conviver com a doença, usando medicamentos que podem até piorar o quadro. A tontura é um sintoma que pode indicar várias patologias, inclusive doenças graves, então é imprescindível procurar um otorrinolaringologista para fazer uma avaliação completa”, explica Ana Maria Moinhos, otorrinolaringologista e otoneurologista (área com ênfase nos distúrbios da orelha interna, o labirinto e seus principais sintomas).

A profissional esclarece que o labirinto é um órgão sensorial, que fica no ouvido interno, faz parte do nosso sistema vestibular e detecta os movimentos do corpo, contribuindo para o equilíbrio. “A labirintite é, na verdade, uma inflamação raríssima desse labirinto. Existem diversas outras doenças do labirinto e/ou do sistema vestibular com sintomas parecidos, que têm tratamentos específicos. Há, ainda, a possibilidade de uma tontura ser, na verdade, um problema neurológico, cardíaco ou psiquiátrico”, afirma.

Entre as patologias mais comuns do labirinto e/ou do sistema vestibular, estão a VPPB (vertigem posicional paroxística benigna), a patologia de Menière e a enxaqueca vestibular. “A tontura pode ser causada também por outros distúrbios da audição, problemas metabólicos, alteração na coluna cervical. A labirintite não está nem entre as 10 causas mais frequentes. A investigação deve ser ampla, com exames auditivos, de sangue, imagem e físico, além do histórico do paciente, para conseguir curá-lo”, conclui Ana Maria Moinhos.

Camila Salles | Analista de Comunicação Integrada