Nos últimos dias que antecederam a 28 de abril, data marcada para a realização da mobilização nacional contra as reformas insanas do atual governo, uma coisa me chamou a atenção: os grupos de oposição ao governo, principalmente diversas lideranças de partidos políticos, mais interessados no quanto pior melhor, do que na busca de soluções para a crise política, moral e ética por que passa o nosso país, fizeram ecoar nos meios de comunicação e principalmente nas redes sociais, a posição da Igreja, e, de modo individual, da maioria de seu episcopado, convocando a sociedade para reagir contra as propostas de mudanças na lei previdenciária e trabalhista, onde visivelmente o trabalhador está sendo severamente punido e condenado a pagar pelos erros sucessivos da corrupção dos nossos governantes.

Vários vídeos, áudios, gravações, cartazes, enfim, todos os mecanismos de divulgação foram usados, principalmente pelos, politicamente interessados, para divulgar a palavra da Igreja. Por que será?

Para a maioria dos partidos políticos, senão todos, a palavra da Igreja hoje pouco importa. A maioria vive na defesa do aborto, da eutanásia, das uniões ilegítimas, da pena de morte, da desvalorização da família e da própria cultura da morte disseminada no mundo secularizado. Por que será que desta vez a Igreja foi tão aplaudida e exaltada nos meios políticos? Por que será?

É fácil responder! É que, lamentavelmente, os nossos partidos políticos hoje não reúnem mais a credibilidade perante a população brasileira. Até aqueles que no passado se valeram da Igreja, através dos seus movimentos, sua estrutura e de suas lideranças, para pregar uma nova política voltada para o interesse comum, e quando chegaram ao poder a descartaram em primeira mão, trocando a teoria pregada pela prática deveras condenada.
Do jeito em que se encontra a nossa sociedade, traída, ludibriada e vergonhosamente roubada, dificilmente um partido político qualquer que seja, com exceção de pouquíssimas lideranças independentemente do rótulo partidário, vai reunir condições morais e éticas para convocar a população para mais nada.

Enquanto as agremiações político-partidárias sucumbem à mercê do desespero, a Igreja permanece firme e fiel aos seus propósitos de defender a vida, a família e os valores. Continua a sua missão, recebida de Jesus Cristo, de disseminar o Evangelho por todos os cantos da terra. E, é bom lembrar que a convocação da Igreja se firma no projeto de Jesus Cristo, “se o homem se calar até as pedras falarão”.

Parabéns aos nossos bispos, nossos padres e a toda a nossa Igreja. Aqui, vale à pena lembrar as palavras sábias de Padre Almeida (em memória): “Igreja velha sempre nova. Quando combatida vence, quando atraiçoada triunfa”!

 

 

Gilbenício de Souza Brandão

Colunista do Tribuna do Recôncavo

Consultor de RH

Residente em Santo Antonio de Jesus/Ba